É uma queda de performance que ninguém entende. Sério mesmo: nenhuma pesquisa bem fundamentada esclareceu isso. Alguns treinadores e atletas de alto nível nos Estados Unidos batizaram esse efeito de CNS overtraining, ou “overtraining do sistema nervoso central”. Esse nome foi dado em oposição ao overtraining tradicional, entendido como muscular ou periférico (overtraining parassimpático). A gente adota o nome, mas é impreciso. O CNS-OT é um fenômeno que só powerlifters de elite observam e ocorre depois de um período relativamente longo (relativo à pessoa, cada um tem uma resistência diferente a isso, e pode variar segundo outros fatores) de esforços máximos ou sub-máximos (cargas muito altas). É análogo à brutal queda de performance que ocorre logo após um campeonato. Esse fenômeno é diferente do OT parassimpático, que é acompanhado de uma série de sintomas característicos como depressão, fadiga crônica, dores, nariz escorrendo, etc. Mas quando observamos as pesquisas sobre OT simpático, não corresponde exatamente ao efeito. As pesquisas continuam, mas em termos práticos, o que posso dizer claramente é que no treinamento de força com cargas muito altas, especificamente o powerlifting, a periodização da intensidade, medida como proporção do esforço máximo, é crítica e o resultado de não observá-la é dramático. O levantador chega a levantar-se (se for supino) e contar as anilhas, incrédulo, pois nada dentro dele indica que aquela carga não possa ser levantada. Regra prática: periodize com muito cuidado as cargas. Boa parte dos levantadores pode manifestar CNS-OT depois de 4-6 semanas muito intensas. Dez dias de descanso ativo (nesse caso, é só tirar o levantamento “esgotado”) resolvem o problema. Aí vão algumas referências para ajudar a pensar, mas não explicam nem descrevem este raro e interessante (e real) efeito.

MUSCLE STIFFNESS, STRENGTH LOSS, SWELLING AND SORENESS FOLLOWING EXERCISE-INDUCED INJURY IN HUMANS

Skeletal muscle stiffness and pain following eccentric exercise of the elbow flexors

Cytokine hypothesis of overtraining: a physiological adaptation to excessive stress?

Resistance exercise overtraining and overreaching. Neuroendocrine responses.

Does overtraining exist? An analysis of overreaching and overtraining research

Fatigue and underperformance in athletes: the overtraining syndrome.

Redefining the overtraining syndrome as the unexplained underperformance syndrome

The unknown mechanism of the overtraining syndrome: clues from depression and psychoneuroimmunology.

 

 

  • Marcelo Fonseca

    interessante, Marília. Pesquisando sobre queda de performance me reencontrei contigo. : ) nos conhecíamos do orkut. Nao sou do PL, mas me encontro na mesmíssima situação. Treinei ano passado em media 4 horas diárias entre natacao e corrida e estava muito bem; mas desde o Natal pra cá eu estou irreconyhecível. Corro 20 minutos e ja estou fadigado, com sono, etc. Não tenho mais aquele ímpeto interno q só se percebe quando nao o se tem mais. A fadiga adrenal, coisa que eu pensei q fosse lenda, bate direitinho com todos os sintomas q sinto. Não sei tb se é a idade(completei 34 anos),enfim… abc!!!

    • Marilia Coutinho

      Não, você não está na mesmíssima situação. Dê uma lida no texto: deixo claro que o tipo de síndrome de sub-performance em força e potência é fisiologicamente distinta daquela observada nos esportes de endurance. Isso é conhecido e pesquisado. O que não é conhecido é o sub-tipo específico a força máxima. Espero ter ficado mais claro agora.

      • Marcelo Fonseca

        certo.