É difícil escolher por onde começar a comentar este contundente texto sobre identidade atlética e natureza da instituição esporte.

Acredito que existe um sub-texto tão forte perpassando o argumento todo, que talvez mereça protagonismo. Trata-se de um “meta-tema”: a negociação de identidade dos profissionais cujo objeto (ou melhor, sujeito) é o atleta. Se o atleat está transição, em que condição está o psicólogo esportivo, que, de todos os profissionais das ciências do esporte, mais imerso está na etapa “in action” do processo que levará em algum tempo a alguma caixa preta que chamaremos de “atleta” e “esporte”? Acredito que esse é sub-texto do texto do profissional dilacerado pelas questoes estruturais que operam os processos de negociação do espaço social do esporte e da identidade do atleta.

O comentário, aqui, não pode ser senão o da empatia e solidariedade. De colega socióloga para colega interdisciplinar psicólogo, de atleta para psicólogo esportivo, de paciente para terapeuta.

O segundo comentário seria a de que o desabafo do jovem tenista desnuda uma questão em que alguns de nós vimos insistindo e a maioria prefere ignorar: identidade de atleta é um processo em permanente transformação no plano pessoal e individual (micro-escala) e em condição de problematização e controvérsia no plano social (macro-escala). Traduzindo tudo isso para uma frase quase cômica, ninguém mais sabe quem é esse “agente”, o atleta.

O terceiro comentário diz respeito à natureza polissêmica da palavra “esporte”. Essa polissemia leva um pouco de tudo: história, com fios correndo com graus diversos de independência, natureza institucional, lugar social, carga simbólica, entendimento pela “opinião pública” (sem entrar na complexidade de sua segmentação).

É um lugar delicado e perigoso. Um pouquinho mais de escavação, um passo a mais para o abismo da controvérsia e caímos nos explosivos temas de construção midiática e entretenimento, contradições entre espetáculo e jogo de alta esotericidade, pessoalidade e intimidade na experiência identitária esportiva e espetáculo e assim por diante numa espiral infernal.

Só o que posso dizer agora é que sinto muito por todos nós pelo sofrimento e parabéns por todos nós por enfrentar todo esse imbróglio, não sem riscos para nossas vidas profissionais e pessoais, de peito aberto.

Tipo… putz , sinto muito João – parabéns, João.