Estamos os dois – Diego e eu – tranquilamente deitados em nossas confortáveis camas de hotel. A sensação é meio inacreditável. É aquela sensação de “Ufa” ou “será que é verdade?”. Parece que sim. Vejo o Diego indo até a pia, de pijama e touca, mexendo nas nossas provisões de comida. Tudo é paz e tranquilidade. Nada lembra o turbilhão de “fortes emoções” que o caminho para chegar até aqui representou.

Diego faz café com whey e liga a TV.

Nada lembra os dois baiacús em que nos tranformamos depois das quase 24 horas entre a casa dele e nos acomodar no quarto 212 do Varsity Inn, ou das 27 horas desde a minha casa. Viramos baiacús ao longo de uma viagem com pouquíssima disponibilidade de água, como toda viagem, e pouca chance de manter nossa rotina alimentar, tudo isso enfatizado pelos vários atrasos e surpresas.

Vamos de trás para frente.

Quando finalmente chegamos do supermercado e da loja de suplementos, usamos o banheiro e demos a descarga. A água subiu, subiu e aconteceu aquele fenômeno que acorda fantasias infantis: tudo começou a vazar pelo ambiente. Aqueles scrips de um apocalipse num mar de merda rapidamente se instalam na mente de quem observa uma privada entupida.

Ligamos para a administração que prometeu resolver imediatamente o problema. Dois minutos depois, ligaram constrangidos dizendo que o pessoal da manutenção foi embora e só voltaria no dia seguinte. Nos deram outro quarto. Ai. Gavetas, dezenas de potinhos na pia, tudo teve que ser transportado para o outro quarto. Ai.

Rewind.

Chegamos no hotel. Descobrimos que as taxas em Ohio na época do Arnolds sobem quase que diariamente e que os valores que pesquisamos antes do dia 14 de fevereiro tinham aumentado substancialmente. Ainda é um dos hoteis mais baratos na região e com um mínimo de conforto.

Bem, vamos pagar. Por favor, desconte do meu cartão de débito. Filminho na minha cabeça: o gerente do Itaú me garantindo que o cartão de débito é perfeitamente utilizável nos Estados Unidos, “olhe, veja, está escrito INTERNATIONAL”. Não funciona. Chato, vamos usar o VISA mesmo.

O quarto é legal, simples, nossa cabeça dói de cansaço e fome. Tomamos um whey e resolvemos ir ao supermercado e loja de suplementos. É pertinho mas como está chovendo, comemos uma panqueca de claras de ovo e esperamos. Quando finalmente para de chover pegamos o cartão para chamar taxi e saimos andando. Friozinho legal, garoínha nem tanto. Quando finalmente chegamos na Vitamine Shoppe, já era chuva mesmo.

O pessoal foi super legal e guardou nossas compras enquanto atravessamos a rua e compramos a comida.

Chamamos o taxi, dirigido por alguém de alguma etnia que nem eu, que já vi de tudo, soube identificar, e que conseguiu ser tão confuso a ponto de não nos encontrar.

Rewind. Chegamos em Ohio e finalmente nos livramos do insuportável avião-sauna.

Pegamos nossas malas e, com aquela auto-confiança de quem já andou por aquele aerporto várias vezes, saímos em busca da saída para os shuttles. Conseguimos ir parar do outro lado do aeroporto e ter que voltar para exatamente de onde saímos. O centro de informações nos comunicou que não existem shuttles para o nosso hotel. Resta-nos o taxi, que nem foi caro.

Rewind. Chegamos em Miami, e, com a auto-confiança de quem passou pela imigração e alfândegas mais vezes do que posso contar, fomos tranquilamente para uma das filas. Todas as filas andaram, menos a nossa. Na nossa, uma imbecil se apresentou no balcão sem visto. A fila ficou meia hora parada enquanto todas as outras andaram.

Tranquilos, sem comida ou água, fomos transferidos para outra fila, pela qual passamos em alguns minutos com sorrisos e votos de boa sorte pelo pessoal da imigração. Ó, que bom entrar num país civilizado.

Passamos pela segurança e fomos para o terminal da nossa conexão para Columbus. Era uma aeronave minúscula e velha. Os brasileiros indo para o Arnolds estavam no mesmo vôo. Sentamos perto do Marcão e conversamos um pouco.

Até que a aeronave começou a esquentar, esquentar, e eu chamei a aeromoça em estado de desespero. Me senti um jantar de microondas. Ela perguntou se eu queria que a temperatura fosse abaixada. Ora, é óbvio!

Abaixou um pouco, minha dor de cabeça e nausea melhoraram mas logo a temperatura aumentou novamente. Chamei a aeromoça de novo, com vontade de pular de para-quedas. Ela não veio, mas o arzinho esfriou.

Finalmente pousamos.

Rewind. Chegamos no aeroporto de Guarulhos. Fomos informados de que nosso vôo atrasou “um pouquinho”. Em vez de sair às 22:30h, saiu às 00:30h. Fome, fome, fome. Água a conta gotas.

Encontramos os brasileiros da Probiótica indo no outro vôo da American – aquele que saiu no horário previsto. Conversamos pouco e fomos para o nosso portão de embarque, onde o wireless gratuito não funcionou.

O vôo foi tranquilo, meio vazio, sem problemas.

Rewind.

São Paulo em caos de trânsito. O taxi entre a casa da minha mãe e a casa do Diego custou quase tanto quanto seria o taxi para Guarulhos. Marginal Tietê parada. O taxista era um idiota confuso e sem GPS. Se perdeu na Zona Leste. Cheguei na casa do Diego e devorei almôndegas, panquecas e castanhas. Seu Gregório nos levou ao aeroporto.

Rewind.

Ah! Sensação de paz! Nada pode me estressar! Acabou o inferno do Catarse, de cumprir as últimas obrigações, de correr contra a inadimplência de todo mundo, prestadores de serviço, parceiros, e tudo mais! Nem esse infernal dia quente vai tirar minha paz e serenidade!

 

Depois tem mais! Aguardem os próximos capítulos da nossa corrida de obstáculos.

  • monica pimenta

    Muito bom… adorei a história e principalmente como vc está levando as coisas com mais humor! Boa sorte a vcs 2! Bjuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu