Penso em vocês, que me chegam às dezenas, todo mês, para aprender aquilo que a sociedade jamais deveria tê-los obrigado a esquecer e que suas escolas teriam a obrigação de aprimorar.

Penso em vocês, que, nas escolas, buscam intuitivamente empoderar crianças inocentes, massacradas por estilos de vida e de ensino que lhes subtraem a espontânea sabedoria e integração corporal.

Penso em vocês, reduzidos por instituições perversas, templos da futilidade, a produtores de boa forma, quando, jovenzinhos, sonhavam em oferecer o belo conteúdo invisível da saúde.

Penso em vocês, que nunca quiseram ser personal trainers, que se vêem como profissionais da irrelevância, quando sonhavam em dar ao país excelência esportiva como técnicos de equipes abandonadas.

Penso em vocês, que queriam ser treinadores para prestar um serviço único de recuperação da força e do condicionamento, hoje sofrendo as dores da humilhação numa ocupação que se tornou sinônimo de futilidade.

Penso em vocês, que enxergam uma sociedade doente pela inatividade, que estudaram para prevenir e curar esse grande mal que mata milhões, impedidos de exercer tal missão.

Penso em tudo isso e me calo.

Não há o que comemorar.