Chegou aquela época do ano em que a nossa criatividade tem que se multiplicar para garantir a participação da equipe brasileira de powerlifting nos campeonatos mundiais. Estamos já na segunda semana da campanha “Força para a Força 2”, feito na plataforma do Podio Brasil . A verdade é que a gente até embarcou no começo, mas cansamos de repetir o discursinho da vitimização que ecoa, ano após ano, como é injusto que o governo nos abandone – nós, que somos tão fantásticos.

O governo está pouco se lixando para o quão fantásticos um bando de pow… pow o que? Sabem lá! Um bando desses caras aí são. Enquanto não mostrarmos que o que fazemos contribui para resolver algum dos problemas de políticas públicas e que, portanto, a grana em nós é um investimento no país, nem lógica tem no apoio deles. O fato de que a gente pode mostrar não muda muito: não temos o canal que nos escute. Mas se você quiser ler um pouco sobre a utilidade pública, tem um pouco aqui (Por que botar sua grana numa entidade de powerlifting se você nem sabe o que é isso?) e aqui (Apoie um projeto não-óbvio: ação bumerangue – POWERLIFTING, mais 17 dias  ). Estes textos foram da última campanha para a federação onde competimos, que também não é apoiada por ninguém e funciona mais ou menos como uma cooperativa.

Esse é o segundo ano em que a gente faz crowdfunding para financiar a participação da equipe brasileira. A primeira vez foi em 2013, quando o Diego Figueroa e eu fomos para Ohio. Nesse link há alguma explicação sobre o que é esse sistema de financiamento coletivo.

Em resumo, você contribui com uma quantia que você escolhe e recebe algumas recompensas em troca. Estas recompensas estão descritas no projeto.

Além de todos os argumentos sobre a função social do esporte em geral e desse em particular, do quanto você pode se beneficiar nos apoiando, eu gostaria de chamar atenção para a importância de se fortalecer estes mecanismos de financiamento coletivo e auto-organização. Quanto mais todo mundo se ajudar, mais a gente desqualifica o discurso da vitimização e sua contrapartida, o populismo autoritário, a troca de interesses cheia de intenções perigosas por baixo. Bater de frente com isso não dá: como disse o famoso Capitão Nascimento, “o sistema é muito maior e não tem diretoria”. Então vamos dar a volta nele, que tal?

Por último e como prosseguimento do argumento anterior, eu queria chamar atenção para a plataforma Podio Brasil, cuja proposta é realmente uma missão para promover o esporte brasileiro. Não ficamos lá muito contentes na nossa experiência com o Catarse, mas o pessoal do Podio Brasil, com todas as dificuldades que isso representa, está dando um show de bola.