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Powerlifting – o que é?

Powerlifting é uma das duas melhores coisas que se pode fazer com o próprio corpo. Dependendo do spotter (a pessoa que auxilia ou lhe acompanha na atividade), pode ser a primeira. Não definiu bem?

Vamos ver…

Powerlifting é uma religião composta de três rituais básicos, que podem ser realizados em sequência ou isoladamente: o agachamento, o supino e o levantamento terra. Existem inúmeros festivais ou datas celebratórias, como os campeonatos regionais, estaduais, nacionais, continentais e mundiais. Religião múltipla e abrangente, onde exprime-se a essência do indivíduo, os rituais exibem exóticas formas de expressão espiritual tais como bater com a cabeça na barra até sangrar, falar com a barra ou anilhas (e ouvir a resposta), dar três tapas no próprio cinto, estapear o amigo (tudo consensual), entre outras. Ainda não deu?

Puxa…

Powerlifting é uma condição física contagiosa, não letal, que afeta o sistema nervoso central dos indivíduos que a contraem. Acredita-se que é transmitida por um inseto que habita suportes de anilhas olímpicas, o “Iron Bug” (“bicho do ferro”). Uma vez contaminado, o indivíduo pode passar desapercebido no dia a dia, sem que se suspeite ser portador da condição. Uma vez na proximidade de uma barra olímpica carregada, no entanto, o indivíduo se comporta de maneira atípica para os normais. O primeiro sinal é a perda do bom-senso, certa insensibilidade a dor, sendo que alguns exibem tiques bizarros. O portador imediatamente se coloca sob a barra, agachando ou supinando, ou sobre ela, levantando-a do chão. Como a condição é contagiosa, é fácil capturar powerlifters: basta colocar um suporte de supino ou agachamento com barra olímpica e anilhas. Logo eles aparecerão, em geral em pequenos bandos. Se a área não for controlada, estabelecem moradia, constituindo pequenas ogrolândias. Não ainda, né?

Ok. Powerlifting é considerado um esporte de levantamento de peso. No Brasil, também é chamado de Levantamento Básico (e seus praticantes, basistas). Neste esporte, o objetivo é levantar o maior peso em cada uma das modalidades: o agachamento, o supino e o levantamento terra. Numa competição completa de powerlifting (também chamados “campeonatos de três levantamentos”), a ordem das levantamentos é a mencionada: primeiro todos os atletas do round fazem seus agachamentos, depois as tentativas de supino e depois o terra. Cada atleta tem três chances para executar o levantamento (três “pedidas”). No sistema de rounds, adotado nas competições oficiais do mundo todo, os atletas são organizados em grupos de até 15 levantadores da mesma categoria de peso ou categorias seguidas agrupadas. Todos os atletas são chamados ao tablado para realizar sua primeira pedida, seguindo a ordem das pedidas mais leves até as mais pesadas. Feita a primeira pedida, o atleta comunica à mesa qual será a segunda pedida, caso tenha feito um movimento válido, ou repete o mesmo peso, caso o movimento tenha falhado. Depois todos são novamente chamados para a segunda pedida e o mesmo se repete para a terceira pedida. O atleta faz um movimento só por pedida.

O powerlifting, diferente do levantamento olímpico, por exemplo, é um esporte onde a força máxima é mais relevante do que a potência.

Os levantamentos executados no powerlifting são a base de exercícios feitos por atletas de várias modalidades ou praticantes recreacionais, com objetivos variados. Quanto mais avançado o treinamento resistido, em geral, maior é o componente de exercícios de “forma livre” e os levantamentos básicos ocupam um lugar central. Todo fisiculturista faz agachamento, supino e terra. A forma de executar os movimentos, no entanto, varia. O objetivo do fisiculturista é a hipertrofia muscular, e não provocar adaptações neurais para aumento de força máxima. O fisiculturista, além disso, não é julgado pela forma de execução. Consideradas estas diferenças, as semelhanças e afinidades entre os dois esportes ainda são tão fortes que o trânsito de atletas de um para o outro é grande. Muitos basistas foram fisiculturistas e vice-versa. Uns poucos conseguem manter-se por algum tempo nos dois esportes.

São, enfim, “esportes amigos”, frequentemente praticados, no treinamento, nas mesmas academias.

As origens do powerlifting são comuns ao Strongman, ao Levantamento Olímpico e ao Fisiculturismo: as exibições dos feitos de força que, ainda que sempre tenham existido de uma forma ou de outra em diferentes sociedades, ganharam popularidade na Europa, no século XIX. No início do século XX, uma grande revolução tecnológica tornou possíveis os esportes de levantamento: a invenção da barra de aço e das anilhas em forma de disco. Logo em seguida, o jovem Comitê Olímpico Internacional reconheceu três (depois reduzidos a dois, o arranco e o arremesso) levantamentos para seus jogos. Os demais levantamentos, que eram mais de cem, foram apelidados de “outros levantamentos” (na verdade, levantamentos “de fora” ou “impares”: “odd lifts”). Entre eles, aqueles que depois foram padronizados como o AGACHAMENTO, o SUPINO e o LEVANTAMENTO TERRA (sobre o que aconteceu com os outros levantamentos, veja http://www.usawa.com/ ).

Nos anos 1960, o powerlifting foi reconhecido como esporte e em 1973 surgiu sua primeira federação internacional: a International Powerlifting Federation.

Nas décadas seguintes, o esporte diversificou-se tanto em técnica, como uso de equipamentos, que se sofisticaram, como em organização: hoje existem dezenas de organizações internacionais de powerlifting (link http://www.powerliftingwatch.com/powerlifting-federations ) .

No Brasil, existem muitos campeonatos organizados por diversas federações: a Aliança Nacional da Força (link www.anf-powerlifting.org ), filiada ao World Powerlifting Congress (WPC), a Confederação Brasileira De Levantamentos Básicos (www.powerlifting-br.com.br ), filiada à International Powerlifting Federation, a Confederação Brasileira De Powerlifting , filiada à World Association of Benchers and Deadlifters, a Confederação Brasileira De Esportes De Força (link www.cbef.org.br ), filiada à World Natural Powerlifting Federation, e a Confederação Brasileira De Atletas De Força.