1. Só existe uma solução para o seu problema se você quiser solucioná-lo. Antes de mais nada, examine-se e responda se você quer realmente solucionar seu problema, se necessita se expressar (alguém que escute) ou se quer apenas reclamar, confortável na sua identidade de vítima. Eu só posso ajudar no primeiro caso. Para os demais existem fóruns e grupos de auto-ajuda.
  2. Não existe cura. Nenhuma doença mental tem cura. Quem diz que tem mentiu.
  3. Os diagnósticos estão furados em sua maioria: primeiro, o DSM-IV é uma coleção de remendos quase sem fundamento metodológico; segundo, se você já está medicado há mais de 6 meses, você já tem desordens iatrogênicas (causadas pelos medicamentos) e o diagnóstico da doença original está “perdido”. De qualquer forma, pouco importa: importa você se convencer se tem ou não tem “alguma coisa”. O que ela é exatamente, nem você, nem ninguém, jamais saberão
  4. Eu não sou uma portadora bem sucedida ou que “deu certo”. Eu sou uma portadora, ponto final. A única diferença entre eu e você é que eu assumo isso abertamente, carrego a bandeira dos portadores e lido com as minhas deficiências com realismo. A oscilação de humor, os estados alterados que mudam sua percepção de mundo de forma radical, a sensibilidade imensa a determinados estressores e os surtos continuam existindo, não se engane. Mas são administráveis
  5. Estou 100% convencida de que nenhum portador de desordem mental tem NENHUMA chance de ter qualidade de vida decente sem treinamento de força e condicionamento intenso. É preciso lidar com um cérebro “diferente” mantendo o melhor ambiente neuro-químico possível. Não vá atrás da minha alternativa: procure a crossfit mais próxima a você e dê ao seu cérebro os estímulos intensos em todas as capacidades funcionais.
  6. Por definição, você está fragmentado. A pior coisa que você pode fazer é matricular-se numa academia tradicional que lhe proporcionará o famoso “treino de açougue”: um dia peito e tríceps, o outro costas e bíceps, o outro pernas. Esse treino vai na direção, e não contra, a sua doença. O ambiente fútil e cheio de camadas de falsidade é impossível de se administrar com uma condição de desordem mental. Você vai ficar mais doente.
  7. Você precisa de um psicólogo(a). Psicólogo não é psiquiatra. Que linha metodológica ele vai adotar é problema seu e dele, mas de alguém para trabalhar os elementos de contexto (tão determinantes quanto a sua genética) você precisa.
  8. Você também precisa de um psiquiatra. O único que pode lhe ajudar é alguém que tenha uma postura crítica em relação à psiquiatria mainstream.