Várias pessoas estão receosas quanto às lideranças das diversas manifestações públicas no Brasil, nos últimos dias. O medo dessas pessoas é que “por trás” disso tudo estejam grupos com ideologias atrasadíssimas e práticas oportunistas, como é o PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, ex-Convergência Socialista, ex-PST), as inacreditáveis “feministas separatistas” ou outros malucos. Existem malucos inócuos que ilustram bem onde pode chegar o oportunismo em capitalizar insatisfações, como um grupo que existiu (acho que nem existe mais) conhecido como “Posadista”. Era um tipo de PSTU (pois também era trotskista), só que acreditava que o programa revolucionário viria dos extra-terrestres. Óbvio!  Se eles desenvolveram tecnologia para chegar até aqui, quer dizer que certamente superaram as contradições históricas para o desenvolvimento das forças produtivas e, por conseqüência (parece a piada do professor de lógica e do aquário), só podem ter uma sociedade evoluidíssima, pós-comunista.

Exceto pelos posadistas, que não fazem mal a ninguém com sua maluquice sem noção, os demais fazem, sim. Estou convicta de que várias manifestações que estavam muito bem encaminhadas viraram mingau de esgoto porque meia dúzia de oportunistas destes grupelhos identificaram o momento certo para provocar conflitos desnecessários.

O PSTU é conhecido por estragar tudo em que coloca a mão. As feministas separatistas sujam o nome do feminismo ao se expor como feministas, confundindo a população, com reivindicações estúpidas como a de que apenas lésbicas podem ser genuinamente feministas, que mães e cuidadoras não são feministas, que os homens são inimigos e outras idiotices oportunistas.

O que fazer?

A primeira coisa é entender a diferença entre manifestação, movimento e grupo (partido) político. O que está acontecendo país afora são MANIFESTAÇÕES, a maioria legítimas, por direitos colocados em risco. Você pode não concordar com tarifa zero,pode não concordar com muita coisa, porém, sociedades só podem evoluir na democracia se os diversos interesses se possam fazer ouvir.

Quem está numa manifestação?

Um monte de gente. Nestas últimas (Passe Livre, contra a Copa das Confederações e contra o Estatuto do Nascituro), a maioria dos manifestantes sequer se entende como “esquerda”, outro termo complicado e polissêmico. Uma manifestação NÃO É um movimento: ela ocorre num período curto, tem começo, meio e fim. O objetivo é muito claro, em geral fácil de se expressar numa única frase. Existem movimentos envolvidos nelas e, como não podia deixar de ser, existem grupos políticos super organizados, como os partidos, também envolvidos. Por uma questão de democracia, não se pode expulsá-los.

E que movimentos são estes?

Movimentos são estruturas fluidas, porém de maior duração do que uma manifestação. Sem entrar na imensa literatura científica sobre a natureza dos movimentos sociais, o que hoje temos são movimentos cada vez mais horizontais, menos hierárquicos o que é muito bom para aqueles de nós que acreditam em poder participativo, e muito perigoso, pois fica vulnerável aos grupelhos. O movimento feminista é um deles.

O que é o movimento feminista?

É uma ação permanente, que envolve milhões de pessoas em diversos tipos de organização, inter-organização e redes que tem em comum a crença de que nas sociedades que conhecemos falta equanimidade nas relações entre sexos e gêneros. Partilha também o desejo de AGIR em direção à maior equanimidade, intervindo, onde a desigualdade e violência prejudiquem alguém, em favor deste alguém. Neste caso, todos aqueles que forem intimidados e agredidos por defender este ponto de vista ou apenas existir na tentativa de não se submeter à opressão, sejam elas mulheres, meninas, pessoas transgêneras ou homens defendendo o direito destas minorias oprimidas.

Não há como expulsar os oportunistas e idiotas nem dos movimentos, nem das manifestações. No entanto, o fato de estarem ali de maneira nenhuma “contamina” ou invalida nenhum dos dois.

Cuidado: se você não gosta do PSTU, estamos juntos. São um grupelho perigoso, autoritário, violento e que apenas parasita os movimentos sociais. Você tem todo o direito de não gostar deles, como pode não gostar das feministas separatistas (eu acho que as desprezo apenas, não têm quase ação nenhuma mais).

Só não jogue fora a manifestação ou movimento inteiro por causa deles. O mundo só muda em direção ao progresso – seja na política, na ciência e na vida social de maneira geral – quando o “status quo” é confrontado.

Cuidado, então, para não jogar fora o bebê com a água do banho por estar suja.

 

 

 

  • roberto quintas

    Marilia, o pior é que essa massa está sendo mobilizada por essa gente que mantém a mesma cartilha socialista-comunista. A URSS faliu exatamente por causa dessa concepção política. Cuba continua sem liberdades civis e politicas. Venezuela livrou-se de seu caudilho. Coréia do Norte o povo come grama. China tornou-se potencia mudial quando, pasme-se, começou a adotar práticas “capitalistas”.

  • Eduardo Rodrigues Vianna

    O socialismo extraterrestre a que você se refere é o de Joan Posadas, argentino. Não era apenas trotskista, mas trotskista-POSADISTA, pensando o quê? Foi abduzido por marcianos provenientes de uma sociedade comunista avançada (comunista mesmo, sem classes sociais e sem Estado), e tinha certeza de que Lênin comunicava-se com o cachorro por telepatia. O partido posadista existe na atualidade, é um partido kirchnerista, ainda usando o emblema com a foice, o martelo e o número 4. Kirchner é para eles uma figura associada à salvação da Nação e do Continente, como, em outro sentido, são as figuras de Trotsky, dos marcianos puros em seu comunismo, de Hugo Chávez e do cachorro telepata de Lênin. Houve uma organização brasileira pertencente a essa corrente internacional, surgida em 1953, desmantelada, mais tarde, pela Ditadura.

  • Eduardo Rodrigues Vianna

    Éque tou fraco de dinheiro, se não iria a Buenos Aires em grande parte para ver esta peça, dizem que é simplesmente do baú: https://www.youtube.com/watch?v=nyJpZrekW4c