Os artigos da série “O Açougue” foram originalmente publicados no portal “Blogueiras feministas”. Foram dos textos mais lidos dessa literatura digital dita feminista no ano de 2013. Digo “dita” porque creio que o conteúdo do Açougue, embora foque na fragmentação  simbólica do corpo feminino, vai além da agenda que eu considero definidora do feminismo, ou seja: o questionamento das assimetrias nas relações de gênero, resultado da qual manifestam-se várias dimensões de violência, e a proposta de relações mais equânimes, solidárias e produtivas entre os sexos e gêneros.

A minha proposta com a série O Açougue foi escavar as camadas de construção cultural, histórica e econômica de obstáculos para a plena apropriação do corpo humano. Não por acaso os capítulos são pedaços de um corpo, como as peças de um açougue. Assim como no açougue, as peças são produtos de cortes arbitrários e fragmentam horrorosamente o corpo descaracterizado do animal a ser consumido.

Podemos viajar nessa metáfora aterrorizante, mas prefiro deixar que o leitor manipule os conteúdos que eu disponibilizei da maneira que achar melhor e faça o sentido que melhor lhe couber dos mesmos.

A série O Açougue tem uma relação muito direta, talvez mesmo o passo subsequente em reflexão, do meu trabalho Formolatria (disponível para download na íntegra).

Aí vão as partes na ordem em que foram produzidas – mas podem ser lidas em qualquer ordem, como as peças de um açougue.

Bunda

Peito

Barriga

O pé

Mãos

 

Boa leitura.

Marilia