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Esporte – prontidão competitiva

Chegamos então ao terceiro elemento determinante do sucesso competitivo: a prontidão competitiva. Prontidão competitiva é a condição de domínio e otimização do repertório de respostas às demandas da “prova de performance” (competição). Trata-se de uma condição psicológica onde capacidades cognitivas e emocionais são acionadas para produzir tais respostas. Por mais talentoso e mais bem preparado que esteja o atleta, se ele não tiver prontidão competitiva, o sucesso terá baixa probabilidade.

Não há nenhum consenso sobre quais sejam as habilidades que, em ação, constituem a prontidão competitiva. Elas devem incluir:

  1. Controle sobre o input sensorial. Para determinadas tarefas, o máximo de acuidade quanto a input sensorial, bem como resposta enérgica ao mesmo, é necessário. Para outras, é precisamente o afunilamento, ou blindagem contra input sensorial, que estará diretamente associado ao sucesso. Exemplos seriam os passes em quadra durante uma partida de basquete versus o lance livre. Algumas modalidades esportivas exigem tipos diferentes de seleção sensorial, como as lutas. Outras apresentam formas extremas de seleção sensorial, sendo o foco interno dominante, como os levantamentos de peso, o salto ornamental ou o tiro.
  2. A capacidade de produzir os tipos de foco necessários para cada tipo de demanda competitiva.
  3. A relação com o imprevisto:
    1. Aceitação – a capacidade de aceitar, ou seja, de reagir serenamente diante do imprevisto
    2. Processamento objetivo de nova informação
    3. Produção de resposta adequada à nova situação
  4. Controle emocional diante de desvantagens ou vantagens competitivas durante o jogo, partida ou round: não sentir-se esmagado pela desvantagem, como presságio de derrota, nem tampouco ansioso e eufórico diante da vantagem, como presságio de vitória. A expressão ótima da busca pelo melhor resultado é aquela que sofre a menor alteração possível durante a competição.
  5. Controle sobre a interatividade interpessoal. Durante uma competição, o input menos previsível e, portanto, das piores fontes de perturbações ao script competitivo, é o “outro”: o outro jogador, técnico, oficiais ou mesmo colegas de equipe. Quanto menos a emoção (ansiedade, raiva, alegria) do outro influir sobre a performance, menor a perturbação.
  6. Pouca sensibilidade a respostas autogênicas como fadiga, dor, fome, etc
  7. Manter-se presente no ato competitivo o tempo todo e de forma integral

Mais pesquisa sobre o estado mental peculiar conducente a sucesso competitivo deve revelar outras habilidades, bem como organizar as identificadas. De maneira geral, pode-se dizer que a prontidão competitiva consiste em produzir em si tal estado mental e mantê-lo até o final da competição.