{"id":4817,"date":"2012-08-06T13:45:54","date_gmt":"2012-08-06T13:45:54","guid":{"rendered":"https:\/\/inveske.co.uk\/atropofagia-olimpica-a-grande-orgia-internacional-onde-o-prato-principal-e-o-atleta\/"},"modified":"2012-08-06T13:45:54","modified_gmt":"2012-08-06T13:45:54","slug":"atropofagia-olimpica-a-grande-orgia-internacional-onde-o-prato-principal-e-o-atleta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/atropofagia-olimpica-a-grande-orgia-internacional-onde-o-prato-principal-e-o-atleta\/","title":{"rendered":"Atropofagia ol\u00edmpica: a grande orgia internacional onde o prato principal \u00e9 o atleta"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.qub.ac.uk\/imperial\/key-concepts\/images\/clip_image007.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/www.qub.ac.uk\/imperial\/key-concepts\/images\/clip_image007.jpg\" alt=\"\" width=\"504\" height=\"384\" \/><\/a><\/p>\n<p>Ontem foi publicado um <a href=\"http:\/\/www.ceppe.com.br\/index.php\/coluna-gol-de-abeca\/231-eu-ou-o-brasil-.html\">excelente artigo do psic\u00f3logo esportivo Jo\u00e3o Ricardo Cozac<\/a> a respeito da motiva\u00e7\u00e3o patri\u00f3tica, da administra\u00e7\u00e3o emocional, pelo atleta, das expectativas coletivas quanto \u00e0 sua vit\u00f3ria e dos paradoxos envolvendo tais elementos do ponto de vista da estrutura psicol\u00f3gica da motiva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Acredito que Jo\u00e3o Ricardo deu conta do doloroso reflexo subjetivo desta condi\u00e7\u00e3o. Meu objetivo com este artigo \u00e9 discutir o mesmo problema do ponto de vista do outro lado da moeda: a perversa necessidade coletiva de devorar s\u00edmbolos materializados em pap\u00e9is impostos a certas categorias de pessoas. Duvido um pouco que essa necessidade tenha nascido da ind\u00fastria midi\u00e1tica. Tudo indica que est\u00e1 a\u00ed desde muito antes. Mesmo sem uma rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito entre a apoteose midi\u00e1tica ol\u00edmpica e a atropofagia destes mitos, \u00e9 \u00f3bvio o papel refor\u00e7ador e formatador da m\u00eddia sobre ela.<\/p>\n<p>Vimos in\u00fameros exemplos de atletas criticados duramente na imprensa formal e nas m\u00eddias sociais. Foram r\u00e1pidos em condenar Diego Hip\u00f3lito, Fabiana Murer e mesmo Fernando Reis. Este \u00faltimo proporciona um estudo de caso interessante, onde a rea\u00e7\u00e3o da comunidade esportiva foi tamanha que o artigo digital foi tirado do ar.<\/p>\n<p>Todos estes atletas pertencem a modalidades que permanecem virtualmente ignoradas pela opini\u00e3o p\u00fablica e m\u00eddia durante quatro anos. Quem sabe o que \u00e9 a gin\u00e1stica ol\u00edmpica? O salto com vara? E o levantamento ol\u00edmpico? Pouqu\u00edssima gente. Quem sabe e n\u00e3o \u00e9 atleta ou profissional da \u00e1rea certamente n\u00e3o tem a menor condi\u00e7\u00e3o de emitir um julgamento adequado sobre qualquer aspecto t\u00e9cnico da performance do atleta. Mesmo n\u00f3s, que somos profissionais da \u00e1rea, n\u00e3o temos como opinar sobre a maioria dos esportes, os quais apreciamos com, no m\u00e1ximo, um \u201colhar informado\u201d. O que nos diferencia do resto da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 que a a\u00e7\u00e3o carnavalesca da m\u00eddia n\u00e3o tirou nosso bom senso a ponto de compreender que, se est\u00e3o em Londres, passaram por anos de uma sele\u00e7\u00e3o rigoros\u00edssima que os colocou entre os mais capacitados do mundo em suas modalidades. O qu\u00e3o mais capacitados, \u00e9 o que uma competi\u00e7\u00e3o mede.<\/p>\n<p>A opini\u00e3o p\u00fablica brasileira foi deseducada para a aprecia\u00e7\u00e3o dos esportes pelo futebol. Longos anos de tradi\u00e7\u00e3o de uma observa\u00e7\u00e3o acr\u00edtica e perform\u00e1tica colocaram em segundo plano a aprecia\u00e7\u00e3o da excel\u00eancia da performance para promover o foco na simplicidade manique\u00edsta de um jogo de moedas: o que acontece entre o in\u00edcio e o fim do jogo \u00e9 irrelevante, pois o que interessa \u00e9 saber que houve um ganhador (vencedor) e um perdedor (derrotado).<\/p>\n<p>Os s\u00edmbolos que a popula\u00e7\u00e3o consome atrav\u00e9s dos meios de comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o aqueles vinculados a estas duas figuras: vit\u00f3ria e derrota, vida e morte.<\/p>\n<p>Os atletas profissionais convivem desde sempre com esta esquizofr\u00eanica realidade onde necessitam vivenciar profundamente o aspecto solit\u00e1rio e interno da prepara\u00e7\u00e3o e performance esportiva e ao mesmo tempo s\u00e3o super-expostos a multid\u00f5es que os observam, interpretam, invadem, examinam, se emocionam, criam v\u00ednculos afetivos imagin\u00e1rios e, enfim, os consomem. Eles s\u00e3o capas de revistas, p\u00f4steres nos quartos de garotos ou garotas, comerciais e at\u00e9 filmes. Eles viram mercadoria como qualquer celebridade.<\/p>\n<p>A coisifica\u00e7\u00e3o e estereotipa\u00e7\u00e3o das celebridades que gera as rea\u00e7\u00f5es de venera\u00e7\u00e3o e achincalhamento s\u00e3o antigas. Segundo alguns especialistas, sempre existiram. A celebridade, subtra\u00edda de sua humanidade para encarnar apenas determinados ideais, permite \u00e0s pessoas acessar elementos fundamentais de suas expectativas e emo\u00e7\u00f5es. Antes de mais nada, \u00e9 preciso entender que a celebridade N\u00c3O \u00e9 um ser humano para aqueles que a veneram: \u00e9 um \u201ctipo ideal\u201d, a encarna\u00e7\u00e3o de algo supremo e profundamente desejado ou rejeitado. Enorme beleza f\u00edsica, tamanho, habilidade, entre outros elementos que s\u00e3o humanos, mas se expressam em condi\u00e7\u00f5es extremas ou s\u00e3o assim projetados pela m\u00eddia.<\/p>\n<p>Essa popula\u00e7\u00e3o urbana, que sofre os males do isolamento social que os grandes aglomerados produzem, mais vulner\u00e1vel \u00e0s necessidades que s\u00f3 podem ser supridas pelos estere\u00f3tipos das celebridades, \u00e9 apresentada, a cada quatro anos, ao que de mais pr\u00f3ximo lhes parece serem os Super Homens: os atletas.<\/p>\n<p>Estes, durante quatro anos n\u00e3o fazem id\u00e9ia do que \u00e9 essa viv\u00eancia, pois s\u00e3o ignorados por tudo e todos e levam suas vidas esportivas no sil\u00eancio. Ao contr\u00e1rio dos atores e m\u00fasicos, por defini\u00e7\u00e3o exercendo algum tipo de manejo desta rela\u00e7\u00e3o coisificada, os atletas n\u00e3o s\u00e3o treinados para isso.<\/p>\n<p>Misturemos ao triste exerc\u00edcio da coisifica\u00e7\u00e3o de celebridades os ingredientes irracionais e perigosos do patriotismo, religi\u00e3o e outros componentes explosivos.<\/p>\n<p>Pronto: temos preparada a orgia antropof\u00e1gica. Nos atletas, em geral jovens e despreparados emocionalmente, ser\u00e1 depositado todo o lixo emocional, afetivo, ideol\u00f3gico e pol\u00edtico de uma coletividade de milh\u00f5es de pessoas. Sejam bem ou mal sucedidos, ser\u00e3o devorados.<\/p>\n<p>Antropofagia ol\u00edmpica: tr\u00e1gico espet\u00e1culo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bom artigo para se ler:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/abcnews.go.com\/Health\/Healthday\/story?id=7941766&amp;page=1#.UB9F2PZlQRU\">The Psychology of Celebrity Worship<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MARILIACOUTINHO.COM \u2013 id\u00e9ias sobre treinamento de for\u00e7a, powerlifting, levantamento de peso, strongman, esportes de for\u00e7a, g\u00eanero e educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Ideas on strength training, powerlifting, weightlifting, strongman, strength sports, gender and physical education.<\/p>\n<p>A vida \u00e9 pentavalente: arranco, arremesso, agachamento, supino e levantamento terra. Life is a five valence unit: the snatch, the clean and jerk, the squat, the bench press and the deadlift.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ontem foi publicado um excelente artigo do psic\u00f3logo esportivo Jo\u00e3o Ricardo Cozac a respeito da motiva\u00e7\u00e3o patri\u00f3tica, da administra\u00e7\u00e3o emocional, pelo atleta, das expectativas coletivas quanto \u00e0 sua vit\u00f3ria e dos paradoxos envolvendo tais elementos do ponto de vista da estrutura psicol\u00f3gica da motiva\u00e7\u00e3o. Acredito que Jo\u00e3o Ricardo deu conta do doloroso reflexo subjetivo desta [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5,78,43,48,1120],"tags":[1384,1385,15,1261,1379,1148,1386],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4817"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4817"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4817\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4817"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4817"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4817"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}