{"id":4842,"date":"2012-09-07T19:57:00","date_gmt":"2012-09-07T19:57:00","guid":{"rendered":"https:\/\/inveske.co.uk\/um-louvor-a-objetividade-de-propositos-ou-por-que-e-desnecessario-trair-e-destruir-as-pessoas-para-fazer-bons-negocios\/"},"modified":"2012-09-07T19:57:00","modified_gmt":"2012-09-07T19:57:00","slug":"um-louvor-a-objetividade-de-propositos-ou-por-que-e-desnecessario-trair-e-destruir-as-pessoas-para-fazer-bons-negocios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/um-louvor-a-objetividade-de-propositos-ou-por-que-e-desnecessario-trair-e-destruir-as-pessoas-para-fazer-bons-negocios\/","title":{"rendered":"Um louvor \u00e0 objetividade de prop\u00f3sitos \u2013 ou por que \u00e9 desnecess\u00e1rio trair e destruir as pessoas para fazer bons neg\u00f3cios"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/www.truthonthenet.com\/Treason.jpg-2.gif\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"311\" \/><\/p>\n<p>Essa semana, discuti um item de nossa parceria com uma dupla de amigos e parceiros. Amigos que s\u00e3o parceiros, leia bem. Foi simples: eu os chamei e disse que o formato daquela empreitada \u201cx\u201d n\u00e3o satisfazia os meus interesses comerciais plenamente. Se fosse poss\u00edvel alter\u00e1-la sem ferir os interesses da empresa deles, tudo bem. Caso contr\u00e1rio, seria melhor encerrar a empreitada colaborativa. Eles refletiram e consideraram que o formato original era melhor para eles.<\/p>\n<p>Continuamos n\u00e3o apenas amigos, mas certamente parceiros em outras empreitadas. Tudo certo, tudo discutido dentro dos princ\u00edpios da \u00e9tica, da civilidade, do respeito e, ao lado de tudo isso, da amizade.<\/p>\n<p>Isso aconteceu tr\u00eas semanas depois de um dos epis\u00f3dios mais violentos da minha curta hist\u00f3ria na organiza\u00e7\u00e3o esportiva, onde a v\u00edtima (ou animal de sacrif\u00edcio?) fui eu e entre os protagonistas estavam algumas das pessoas que eu considerava n\u00e3o apenas amigos, mas \u201cirm\u00e3os em armas\u201d em algum tipo de guerra santa imagin\u00e1ria. Totalmente imagin\u00e1ria, ficcional e produto da minha mente cheia de culpa e sentido de dever.<\/p>\n<p>Bem, confesso que at\u00e9 agora, e provavelmente por uns anos, vou ficar tentando digerir como foi poss\u00edvel que pessoas de conv\u00edvio \u00edntimo meu, como diferente dos amigos l\u00e1 de cima, cometessem atos de trai\u00e7\u00e3o e agress\u00e3o que s\u00f3 podem ser interpretados num contexto que envolve destrui\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo \u00f3dio. Claro que me refiro \u00e0s coisas do esporte \u2013 no meu caso, os esportes de for\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o vejo por que este \u00faltimo epis\u00f3dio que culminou na agress\u00e3o do RS n\u00e3o podia ter sido feito no seguinte formato simples: um deles (n\u00e3o importa de que pa\u00eds) me abordar e dizer, sem drama, que a inten\u00e7\u00e3o original, mission\u00e1ria, altru\u00edsta e emocional gerou uma id\u00e9ia de business para eles \u2013 neg\u00f3cio mesmo. E que a proposta seria a seguinte: organizamos um evento com o formato assim e assado, eu ganho tanto, fulano ganha tanto e voc\u00ea ganha tanto. Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio direcionar os clientes\/atletas para esta ou aquela forma de interagir.<\/p>\n<p>Eu diria com toda a educa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o me interessaria. \u00c9 algo que n\u00e3o me atrai, nunca fui boa organizadora, me causa stress e a grana n\u00e3o vale tudo isso. Isso, amigos, para n\u00e3o dizer que nesse formato, muitos itens ferem minha \u00e9tica: no Brasil e no resto da America do Sul, ao contr\u00e1rio dos Estados Unidos, o modelo de gest\u00e3o e governan\u00e7a desportiva no esporte amador N\u00c3O envolve empresas, e sim federa\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o associa\u00e7\u00f5es SEM FINS LUCRATIVOS. \u00a0De modo que \u201cganhar dinheiro\u201d por estas bandas no esquema das federa\u00e7\u00f5es sempre envolve alguma ilegalidade.<\/p>\n<p>No entanto, falado com educa\u00e7\u00e3o, eu nem teria que trazer \u00e0 tona este tema constrangedor.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, as principais federa\u00e7\u00f5es s\u00e3o empresas. N\u00e3o h\u00e1 necessidade de fazer nenhum discursinho mission\u00e1rio para congregar atletas e ningu\u00e9m precisa apelar para o esp\u00edrito ol\u00edmpico. O organizador est\u00e1 ali para oferecer um SERVI\u00c7O. Eu, como atleta, sou o CLIENTE. Se ele cobrar uma taxa de hospedagem superior \u00e0quela que o hotel oferece regularmente, \u00e9 simples: o ano que vem eu procuro um dos concorrentes dele que ofere\u00e7a um servi\u00e7o mais transparente e de melhor custo-benef\u00edcio a mim.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o modelo esporte-neg\u00f3cio. O dirigente n\u00e3o manda nem desmanda: ele \u00e9 um prestador de servi\u00e7o e ponto final.<\/p>\n<p>Eu N\u00c3O tenho interesse em ser esse prestador de servi\u00e7o. Eu presto servi\u00e7o em informa\u00e7\u00e3o, ensino, comunica\u00e7\u00e3o e treinamento \u2013 tenho d\u00e9cadas de investimento nisso, gosto disso e sou muito boa no que fa\u00e7o. Em organizar coisas, nem sequer med\u00edocre eu chego a ser. Sou ruim mesmo. Exige habilidades humanas e gosto pela coisa que eu n\u00e3o tenho.<\/p>\n<p>Se aquele papo direto tivesse ocorrido, eu teria essa gente como amiga at\u00e9 hoje. Muitos s\u00e3o tamb\u00e9m atletas. Nos Estados Unidos, h\u00e1 organizadores bons que conseguem conjuminar as \u00e1reas da vida. Mas quando estamos nos inscrevendo num evento do sujeito, estamos pouco nos lixando para os quilos do seu supino. Ele \u00e9 um prestador de servi\u00e7o e o que eu quero ver \u00e9 se o tablado est\u00e1 em ordem, as regras s\u00e3o obedecidas e a coisa corre sem transtorno (e em paz). Acima de tudo, quero saber o qu\u00e3o bem reconhecidas minhas marcas ser\u00e3o (e n\u00e3o \u201cesquecidas\u201d depois de entregue o maldito trof\u00e9u para o qual eu n\u00e3o dou nenhuma bola).<\/p>\n<p>Agora, fico eu aqui me perguntando, por que foi necess\u00e1rio esse planejamento maquiav\u00e9lico todo?* Por que o jogo da destrui\u00e7\u00e3o e do \u00f3dio para me tirar de uma jogada onde eu nunca quis estar? Por que gastar tempo em me destruir, mobilizar seus seguidores a me enviar mensagens de \u00f3dio do mesmo IP (mesmo computador), praticar amea\u00e7as a mim e aos que me cercam? Para que tudo isso se um simples papo com a nova proposta bastaria para que eu ca\u00edsse fora com um sorriso, sem reclamar?<\/p>\n<p>E agora, fico eu gastando muito do meu tempo, lembrando de tudo como foi antes e me perguntando: foi tudo mentira? Os abra\u00e7os, o choro nos levantamentos, os gritos de torcida? Nunca houve afeto ou amizade? Nunca houve tes\u00e3o pela coisa, entusiasmo real, nada? Nunca houve camaradagem, senso de irmandade e pertencimento? Ou tudo mudou no meio do caminho e eu fui incapaz de perceber? Olho as fotos, lindas, e n\u00e3o sei o que pensar. Principalmente, n\u00e3o sei o que sentir.<\/p>\n<p>Quem s\u00e3o eles, afinal? L\u00e1 no fundo? O que sentem? O que os move, al\u00e9m da \u00f3bvia gan\u00e2ncia?<\/p>\n<p>S\u00f3 me resta a ora\u00e7\u00e3o da serenidade, pois n\u00e3o h\u00e1 resposta para nada disso \u2013 \u201cisso\u201d sendo, na verdade, algo que se repete igual h\u00e1 anos na vida de tanta gente. Dezenas de \u201cmarilias\u201d passaram pela mesm\u00edssima experi\u00eancia e pularam fora. Eu fui s\u00f3 a \u00faltima. Dezenas de pessoas sensacionais me ligam e me escrevem me dando os parab\u00e9ns por ter conseguido me desligar de tudo e, principalmente, do senso de miss\u00e3o (quem em n\u00f3s era genu\u00edno) que nunca partilhamos com os que ficaram l\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>* recebi e-mails esses dias, juntando tudo uns 10, com evid\u00eancias de que todo o \u201cimbr\u00f3glio\u201d do RS foi friamente planejado para os objetivos alcan\u00e7ados: me excluir (para evitar que eu atrapalhasse) de uma negociata internacional (na qual a chance de eu me interessar era igual a ZERO, e eles sabiam). Antes disso, planos estapaf\u00fardios de me \u201capanhar\u201d numa armadilha de anti-doping armada, com papelzinho no meio do dedo do respons\u00e1vel pelo sorteio, vieram parar nos meus ouvidos. Para que tudo isso, meu deus? \u00c9 t\u00e3o mais simples!!!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Essa semana, discuti um item de nossa parceria com uma dupla de amigos e parceiros. Amigos que s\u00e3o parceiros, leia bem. Foi simples: eu os chamei e disse que o formato daquela empreitada \u201cx\u201d n\u00e3o satisfazia os meus interesses comerciais plenamente. Se fosse poss\u00edvel alter\u00e1-la sem ferir os interesses da empresa deles, tudo bem. 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