{"id":4851,"date":"2012-09-15T23:49:39","date_gmt":"2012-09-15T23:49:39","guid":{"rendered":"https:\/\/inveske.co.uk\/paranoia-feminista-acho-que-nao-hein\/"},"modified":"2012-09-15T23:49:39","modified_gmt":"2012-09-15T23:49:39","slug":"paranoia-feminista-acho-que-nao-hein","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/paranoia-feminista-acho-que-nao-hein\/","title":{"rendered":"Paran\u00f3ia feminista? Acho que n\u00e3o, hein&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/adairjones.files.wordpress.com\/2011\/04\/censorship.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/adairjones.files.wordpress.com\/2011\/04\/censorship.jpg\" alt=\"\" width=\"427\" height=\"452\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando eu voltei do Rio Grande do Sul, cerca de um m\u00eas atr\u00e1s, completamente traumatizada e confusa com <a href=\"http:\/\/www.mariliacoutinho.com\/quer-um-copo-de-agua-com-acucar\/\">o que se passou<\/a>, um amigo advogado disse: \u201cMa, \u00e9 quase caso de livro-texto. Parece epis\u00f3dio do Law &amp; Order SVU onde a vers\u00e3o da v\u00edtima \u00e9 desconstru\u00edda pelos perpetradores e ela \u00e9 transformada em r\u00e9u, acusada de paran\u00f3ica e louca\u201d.<\/p>\n<p>Sabe que funciona essa estrat\u00e9gia, certo? Quando essa gente acusa uma v\u00edtima de \u201cestar se vitimizando\u201d por \u201cenxergar fantasmas de opress\u00e3o machista\u201d em toda parte, de fato conseguem alinhar evid\u00eancias: no passado dessa mulher, \u00e9 bem prov\u00e1vel que isso tenha acontecido mais vezes.<\/p>\n<p>Ora, prezado leitor, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio complementar sua forma\u00e7\u00e3o com disciplinas em estat\u00edstica no IME para entender que isso \u00e9 relativamente \u00f3bvio: a probabilidade de uma mulher mais consciente (feminista), mais assertiva e portanto mais dif\u00edcil de ser intimidada \u201cse meter em encrenca\u201d \u00e9 muitas vezes maior do que das outras mulheres.<\/p>\n<p>O coro conservador vai engrossando. Nosso passado \u00e9 escavado at\u00e9 os ossos, nossa intimidade exposta e a vers\u00e3o fict\u00edcia de que \u201cnada aconteceu\u201d \u00e9 repetida ad n\u00e1usea. At\u00e9 que uma parte dos observadores (diretos ou leitores) de fato questiona a veracidade de qualquer das vers\u00f5es. Esse \u00e9 o primeiro objetivo do criminoso.<\/p>\n<p>O segundo objetivo \u00e9 levar a v\u00edtima a se auto-questionar.<\/p>\n<p>Quando eu dei a <a href=\"http:\/\/revistatrip.uol.com.br\/revista\/196\/reportagens\/ela-tem-a-forca.html\">entrevista para a Trip<\/a> relatando o estupro e viol\u00eancia sexual que ocorria nos partidos de esquerda da minha adolesc\u00eancia, recebi uma chuva de acusa\u00e7\u00f5es das mais absurdas. Mas algo me chamou aten\u00e7\u00e3o: o e-mail de um militante do meu tempo questionando minha vers\u00e3o. Obviamente minha vers\u00e3o \u00e9 verdadeira: afinal, eu estava embaixo dos sujeitos que cometeram as viol\u00eancias comigo. Qual o motivo deste e-mail? Hoje eu sei que \u00e9 provocar d\u00favida, solapar minha seguran\u00e7a em sustentar minha vers\u00e3o da experi\u00eancia.<\/p>\n<p>De certa forma, estas duas rea\u00e7\u00f5es paralelas ilustram o argumento da minha apresenta\u00e7\u00e3o no simp\u00f3sio sobre G\u00eanero e as Esquerdas esta quinta-feira. A \u00faltima rea\u00e7\u00e3o (esta do RS), liderada por indiv\u00edduos conservadores e sem nenhum compromisso com transforma\u00e7\u00e3o social, dentro dos esportes de for\u00e7a, obviamente \u00e9 mais tosca, mais \u00f3bvia, mais f\u00e1cil de desconstruir. Afinal, n\u00f3s ainda somos a elite simb\u00f3lica e detentores da profici\u00eancia argumentativa. Isso n\u00e3o torna a rea\u00e7\u00e3o machista dos ex-companheiros menos reprov\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ambas t\u00eam em comum um elemento manipulativo perverso: erodir a auto-confian\u00e7a da v\u00edtima. Faz\u00ea-la questionar-se e questionar seu pr\u00f3prio valor at\u00e9 o limite de n\u00e3o ser capaz de resistir mais na den\u00fancia da viol\u00eancia ocorrida.<\/p>\n<p>Contra isso, a primeira ferramenta \u00e9 a calma e a l\u00f3gica para todos, a come\u00e7ar pelos observadores: a probabilidade da v\u00edtima estar falando a verdade e os que a acusam de \u201cfeminista paran\u00f3ica\u201d serem culpados \u00e9 muito alta. Vejam que conveniente: o ocorrido no RS tinha dois participantes (o agressor e eu) e dois observadores, ambos com interesses ligados \u00e0 vers\u00e3o mentirosa. N\u00e3o \u00e9 curioso que n\u00e3o tenha havido nenhum outro observador no raio de dez metros e o som estivesse extremamente alto? E que em seguida eu fosse levada para um banheiro e l\u00e1 deixada para \u201cesfriar a cabe\u00e7a\u201d por cerca de uma hora? E que ningu\u00e9m tenha visto nada? Conveniente, n\u00e3o?<\/p>\n<p>Mais bonito, para a eleg\u00e2ncia do modelo interpretativo, \u00e9 que uma semana depois do ocorrido foi anunciado um lindo acordo institucional envolvendo um dos participantes (\u201cobservador\u201d) do caso do RS e elementos estrangeiros, um dos quais o primeiro a proibir por escrito os brasileiros (ligados a mim) de divulgar o caso internacionalmente. N\u00e3o foi armado, n\u00e9? Nada&#8230;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 preciso nenhum curso especial em sociologia para apreciar os interesses envolvidos. Questionar a vers\u00e3o de Desiree Washington ao acusar Mike Tyson pode at\u00e9 ter um embasamento num poss\u00edvel golpe da mo\u00e7a para obter a indeniza\u00e7\u00e3o milion\u00e1ria que resultaria de um processo indenizat\u00f3rio contra o lutador. Mas qual o interesse que eu teria em acusar falsamente um indiv\u00edduo provinciano, sem posses, que eu mal conhe\u00e7o, de baixo n\u00edvel educacional e profissionalmente a milhas de dist\u00e2ncia de mim (para baixo)? N\u00e3o \u00e9 intuitivo perguntar \u201co que ganha a v\u00edtima ao acusar falsamente o agressor?\u201d<\/p>\n<p>Ent\u00e3o entra o \u00faltimo e inevit\u00e1vel argumento: \u201cela \u00e9 louca\u201d. Acho que toda feminista j\u00e1 foi acusada de louca. No meu caso \u00e9 sopa no mel, j\u00e1 que eu tenho um diagn\u00f3stico de desordem bipolar.<\/p>\n<p>Puxa que chato para os amigos do agressor: essa acusa\u00e7\u00e3o n\u00e3o cola&#8230; Desordem bipolar n\u00e3o produz alucina\u00e7\u00f5es e nem distor\u00e7\u00f5es relevantes da experi\u00eancia real. Nenhum psiquiatra levaria isso em s\u00e9rio.<\/p>\n<p>A moral da hist\u00f3ria \u00e9 que feministas se metem sim em mais \u201cencrenca\u201d. \u00c9 uma quest\u00e3o probabil\u00edstica, pois a encrenca independe delas: est\u00e1 a\u00ed, na estrutura opressiva da sociedade. N\u00f3s s\u00f3 enxergamos e gritamos quando vemos. Obviamente somos devidamente hostilizadas por isso. Tamb\u00e9m ousamos agir como iguais (<a href=\"http:\/\/www.mariliacoutinho.com\/tripla-punicao-por-que-mesmo-ah-ser-mulher-forte-e-ter-autoridade-esqueci\/\">ou superiores, quando \u00e9 nosso papel institucional<\/a>) em contextos onde isso n\u00e3o \u00e9 emocionalmente suport\u00e1vel pelos conservadores.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 o conflito e, em seguida, a famosa acusa\u00e7\u00e3o de \u201cparan\u00f3ia feminista\u201d.<\/p>\n<p>Acho que n\u00e3o, hein&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MARILIACOUTINHO.COM \u2013 id\u00e9ias sobre treinamento de for\u00e7a, powerlifting, levantamento de peso, strongman, esportes de for\u00e7a, g\u00eanero e educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Ideas on strength training, powerlifting, weightlifting, strongman, strength sports, gender and physical education.<\/p>\n<p>A vida \u00e9 pentavalente: arranco, arremesso, agachamento, supino e levantamento terra. Life is a five valence unit: the snatch, the clean and jerk, the squat, the bench press and the deadlift.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Quando eu voltei do Rio Grande do Sul, cerca de um m\u00eas atr\u00e1s, completamente traumatizada e confusa com o que se passou, um amigo advogado disse: \u201cMa, \u00e9 quase caso de livro-texto. 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