{"id":4871,"date":"2012-10-08T05:19:00","date_gmt":"2012-10-08T05:19:00","guid":{"rendered":"https:\/\/inveske.co.uk\/o-brasil-a-arte-de-puxar-o-saco-e-o-patrimonialismo-sim-e-sobre-esporte\/"},"modified":"2012-10-08T05:19:00","modified_gmt":"2012-10-08T05:19:00","slug":"o-brasil-a-arte-de-puxar-o-saco-e-o-patrimonialismo-sim-e-sobre-esporte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/o-brasil-a-arte-de-puxar-o-saco-e-o-patrimonialismo-sim-e-sobre-esporte\/","title":{"rendered":"O Brasil, a arte de puxar o saco e o patrimonialismo (sim, \u00e9 sobre esporte)"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.brasilescola.com\/upload\/e\/puxa-saco1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.brasilescola.com\/upload\/e\/puxa-saco1.jpg\" width=\"157\" height=\"249\" \/><\/a><\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 uma discuss\u00e3o conceitual. Outros pensadores muito mais capacitados do que eu para discutir a hist\u00f3ria institucional do Estado brasileiro j\u00e1 o fizeram. Mas o patrimonialismo no sentido menos t\u00e9cnico, essa t\u00e3o ib\u00e9rica promiscuidade entre o p\u00fablico e o privado, elevada ao extremo em terras brasileiras, me parece ser uma das ra\u00edzes mais s\u00f3lidas do puxa-saquismo nacional. Essa pr\u00e1tica que alguns transformam em caricatura, outros em arte dram\u00e1tica.<\/p>\n<p>Eu aprendi com estes pensadores, em especial com Gl\u00e1ucio Soares, que jamais se deve qualificar nada ou ningu\u00e9m de maneira que n\u00e3o seja precisa, objetiva, necess\u00e1ria e suficiente. Lembro-me de uma longa discuss\u00e3o sobre a distin\u00e7\u00e3o entre \u201cbright\u201d e \u201cbrilliant\u201d, ambas express\u00f5es de grande capacidade intelectual criativa, mas uma ligeiramente mais graduada que a outra. Lembro-me de outra carta muito precisa de um destes respons\u00e1veis pela minha forma\u00e7\u00e3o intelectual e reconhecida dureza. Era para algum programa fora do Brasil, em meu favor. Descrevia meus pontos fortes, meus itens de excel\u00eancia, mas n\u00e3o poupava minhas defici\u00eancias: \u201cshe\u2019s a poor team player\u201d.<\/p>\n<p>Sa\u00edda das dobras do mundo acad\u00eamico anglo-sax\u00e3o, at\u00e9 hoje tenho dificuldade em compreender onde, quando e como a arte da dissimula\u00e7\u00e3o, do falso elogio ou do puxa-saquismo chulo s\u00e3o profissionalmente vantajosos. Institucionalmente, politicamente, comercialmente vantajosos. S\u00f3 mesmo aqui, em terras brasileiras, e talvez por isso mesmo me seja dif\u00edcil compreender.<\/p>\n<p>Para seus defensores, seria necess\u00e1rio apelar para amizades inexistentes, qualidades \u00e9ticas que s\u00f3 podem ser piada, v\u00ednculos de fidelidade que causam \u00e2nsia de v\u00f4mito pela sua ironia invertida. Mas seriam mesmo necess\u00e1rios? Vejamos. Examinei os colegas que me explicaram a necessidade do puxa-saquismo nos termos das trocas de favores escusas e articula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas delicadas. Seriam eles particularmente bem-sucedidos? Estariam financeiramente bem colocados? Institucionalmente seguros? Politicamente poderosos?<\/p>\n<p>N\u00e3o.<\/p>\n<p>As fotos sorridentes com abra\u00e7os simulando intimidade com autoridades teriam rendido dividendos importantes? Abra\u00e7os ostentando v\u00ednculos de fidelidade inexistentes? Sim ou n\u00e3o?<\/p>\n<p>N\u00e3o.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o eu n\u00e3o entendo. Algu\u00e9m me explique direitinho porque eu deveria chamar de irm\u00e3o algu\u00e9m que nem amigo \u00e9, de amigo algu\u00e9m que no m\u00e1ximo simp\u00e1tico tem sido, de grande mestre algu\u00e9m que n\u00e3o tem nem educa\u00e7\u00e3o formal, nem m\u00e9rito espec\u00edfico em nada ou de campe\u00e3o algu\u00e9m que ostenta uma por\u00e7\u00e3o de mediocridades marcadas por esculturas kitch.<\/p>\n<p>Ganho o que se fizer?<\/p>\n<p>Se n\u00e3o ganho, perco o que se n\u00e3o fizer?<\/p>\n<p>N\u00e3o fiz, sofri uma por\u00e7\u00e3o de viol\u00eancias, fui insultada por idiotas e aqui estou tocando minha vida. A cada rasteira por parte de pat\u00e9ticas quadrilhas de ladr\u00f5es de galinha, o que exatamente eu perdi ou sofri? Traumas. Sim, sofri decep\u00e7\u00f5es s\u00e9rias porque bandidinhos t\u00eam freq\u00fcentemente alta intelig\u00eancia emocional e sabem machucar onde d\u00f3i mais: envenenando os afetos verdadeiros. Eles descobrem, v\u00e3o l\u00e1, pegam os afetos como ref\u00e9ns e sacrificam mediante nossa rebeldia.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o ter\u00edamos perdido muito no curso natural do crescimento humano? Dores n\u00e3o fazem parte do processo? Teriam eles causado mais do que o que encontrar\u00edamos sem eles?<\/p>\n<p>N\u00e3o&#8230; n\u00e3o estou ainda convencida da necessidade dessa conformidade \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o brasileira do puxa-saquismo. Talvez porque seja um talento que eu n\u00e3o tenha.<\/p>\n<p>Eu ainda acho que fui bem educada l\u00e1 atr\u00e1s na minha hist\u00f3ria, onde \u201csmart\u201d \u00e9 diferente de \u201cbright\u201d, que por sua vez \u00e9 diferente de \u201cbrilliant\u201d; onde uma carta que n\u00e3o aponta defici\u00eancias junto com qualidades n\u00e3o \u00e9 levada a s\u00e9rio; onde campe\u00e3o \u00e9 quem joga e vence dentro de regras rigorosas.<\/p>\n<p>Como boa cientista, deixo o benef\u00edcio da d\u00favida: aguardo alguma demonstra\u00e7\u00e3o emp\u00edrica sobre as vantagens do puxa-saquismo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 uma discuss\u00e3o conceitual. Outros pensadores muito mais capacitados do que eu para discutir a hist\u00f3ria institucional do Estado brasileiro j\u00e1 o fizeram. 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