{"id":4929,"date":"2012-12-31T05:20:37","date_gmt":"2012-12-31T05:20:37","guid":{"rendered":"https:\/\/inveske.co.uk\/o-projeto-de-desentulhamento-parentesis-o-que-isso-tem-a-ver-com-performance-ou\/"},"modified":"2012-12-31T05:20:37","modified_gmt":"2012-12-31T05:20:37","slug":"o-projeto-de-desentulhamento-parentesis-o-que-isso-tem-a-ver-com-performance-ou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/o-projeto-de-desentulhamento-parentesis-o-que-isso-tem-a-ver-com-performance-ou\/","title":{"rendered":"O projeto de desentulhamento \u2013 par\u00eantesis: o que isso tem a ver com performance ou&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" alt=\"\" src=\"https:\/\/fbcdn-sphotos-e-a.akamaihd.net\/hphotos-ak-ash4\/208959_104545879689952_1868893409_n.jpg\" width=\"183\" height=\"277\" \/><\/p>\n<p><em><strong>\u201cO ano perdido que a psicologia esportiva tornou um fen\u00f4meno de sucesso\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Se voc\u00ea chegou at\u00e9 este cap\u00edtulo pode estar se perguntando o que \u00e9 que este assunto est\u00e1 fazendo num site sobre esportes de for\u00e7a, treinamento e performance cuja autora \u00e9 uma atleta de powerlifting. O texto fala de crescimento logo no in\u00edcio, de modo que talvez voc\u00ea esteja fazendo uma conex\u00e3o muito indireta entre crescimento e performance. Bem indireta.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9. O desentulhamento \u00e9 um tema relacionado ao equil\u00edbrio\u2013 emocional e cognitivo -, \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o pessoal e tamb\u00e9m \u00e0 efici\u00eancia e gerenciamento das v\u00e1rias esferas obrigat\u00f3rias da vida adulta. Isso pincela o tema que deve se tornar um dos dominantes no ano de 2013: o \u201cnovo atleta\u201d. Esse novo atleta n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o novo assim, mas est\u00e1 demorando bastante para cair a ficha de que a representa\u00e7\u00e3o dominante que a sociedade tem de \u201catleta\u201d \u00e9 uma heran\u00e7a do per\u00edodo da guerra fria. Esse atleta n\u00e3o existe mais. Observe a tabela abaixo e compare:<\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"288\">O \u201cvelho\u201d atleta<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"288\">O \u201cnovo\u201d atleta&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"288\">Instrumento da disputa pol\u00edtica entre as grandes pot\u00eancias, travestido de ethos esportivo. O atleta simboliza o her\u00f3i nacional.<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"288\">O lugar social do atleta n\u00e3o \u00e9 mais consenso. H\u00e1 uma crise de identidade em torno desta figura, que emerge em tons dram\u00e1ticos a cada quatro anos durante os jogos ol\u00edmpicos.&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"288\">\u00canfase na oposi\u00e7\u00e3o entre o esporte amador e o profissional, o primeiro investido de ju\u00edzos de valor positivos a ponto de criar uma profissionaliza\u00e7\u00e3o clandestina no alto rendimento para proteger a imagem p\u00fablica das equipes e atletas.<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"288\">A interface entre o esporte amador e profissional \u00e9 t\u00e3o \u00edntima que, na pr\u00e1tica, o que existe no alto rendimento n\u00e3o \u00e9 nem mesmo um gradiente, com as pontas profissional e amadora dispondo as condi\u00e7\u00f5es linearmente. O que existe \u00e9 uma matriz de combina\u00e7\u00f5es infinitas de atividades de diferentes graus de profissionalismo associadas \u00e0 atua\u00e7\u00e3o no alto rendimento.&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"288\">Jovem, recrutado atrav\u00e9s de programas agressivos de sele\u00e7\u00e3o de talento em geral coordenados por ag\u00eancias governamentais. As ci\u00eancias do esporte investigavam diversos aspectos da performance, com \u00eanfase nos mecanismos fisiol\u00f3gicos do treinamento. O atleta \u00e9 um ser sem vontade, exceto a de chegar ao p\u00f3dio, vontade esta mais externa do que interna.<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"288\">Mais velho, com pico de performance freq\u00fcentemente ap\u00f3s os 30 anos em muitas modalidades. O que quer que sejam as perdas fisiol\u00f3gicas (cada vez menos relevantes, dados os avan\u00e7os da medicina esportiva), s\u00e3o largamente compensadas pelos fatores: t\u00e9cnica, treinabilidade e experi\u00eancia. O atleta maduro tem vantagens grandes sobre o atleta jovem se puder se manter economicamente vi\u00e1vel no alto rendimento.&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"288\">O atleta \u00e9 mantido por uma estrutura que se incumbe de gerenciar sua vida. Sua fun\u00e7\u00e3o, obriga\u00e7\u00e3o e \u00fanicas responsabilidades s\u00e3o treinar e preparar-se (comer, descansar, etc). Todas as decis\u00f5es relevantes s\u00e3o tomadas por terceiros. O atleta \u00e9 fundamentalmente um ser tutelado.<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"288\">A \u00fanica coisa que corta a carreira do \u201cnovo atleta\u201d, cuja performance estaria em processo de ascens\u00e3o, \u00e9 a aus\u00eancia de uma estrutura pessoal e social para que ele se mantenha no alto rendimento. Afinal, sendo um adulto, ele n\u00e3o \u00e9 mais mantido pelos pais, nem pelo governo. O atleta tem que se auto-gerir e auto-sustentar.&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"288\">A infra-estrutura e sobreviv\u00eancia do atleta s\u00e3o garantidas pelas estruturas interessadas em seu alto rendimento.<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"288\">A infra-estrutura de manuten\u00e7\u00e3o f\u00edsica do atleta tem que ser produto da sua atua\u00e7\u00e3o profissional, seja gerenciando aspectos de sua performance que tenham valor de mercado, seja exercendo profiss\u00e3o desvinculada da pr\u00e1tica esportiva, o que sempre \u00e9 conflitivo.&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"288\">Carreiras curtas. Os motivos s\u00e3o tanto fisiol\u00f3gicos, pois seus corpos s\u00e3o excessivamente abusados desde muito jovens, como motivacionais. Sendo consenso que o pico da carreira ocorre cedo, o pr\u00f3prio atleta se programa para a aposentadoria esportiva. Em geral, alguma outra carreira \u00e9 proporcionada a ele uma vez que se aposente.&nbsp;<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"288\">Carreiras potencialmente longas. Do ponto de vista fisiol\u00f3gico, n\u00e3o h\u00e1 nenhum impedimento. No entanto, \u00e9 necess\u00e1rio que o atleta tenha uma estrutura psicol\u00f3gica onde os elementos de sua \u201cnova\u201d identidade esportiva estejam em perfeita harmonia.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"288\">Funcion\u00e1rio; subordinado numa estrutura de poder maior<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"288\">Empreendedor, gestor de seus pr\u00f3prios neg\u00f3cios e de sua vida&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"288\">Vida afetiva e familiar em segundo plano, por ser jovem demais e por ser tutelado<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"288\">Tem vida afetiva e familiar, que deve ser equilibrada (com dificuldades variadas) com as demais prioridades da carreira esportiva de alto rendimento&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"288\">Aspectos educacionais, cognitivos e culturais s\u00e3o influ\u00eancias desconhecidas na performance. Em grande parte, isso se deve ao fato do atleta ser tutelado e sem direito a voz. Em parte, tamb\u00e9m, \u00e0 excessiva \u00eanfase nos aspectos f\u00edsicos da performance, uma vez que as carreiras s\u00e3o breves<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"288\">Com a maior longevidade esportiva, tem ficado evidente um fen\u00f4meno ainda n\u00e3o compreendido, que \u00e9 a grande influ\u00eancia dos fatores educacionais, cognitivos e culturais na performance. A rela\u00e7\u00e3o entre as diversas intelig\u00eancias n\u00e3o est\u00e1 devidamente mapeada para dar conta de explicar o alto rendimento sob estas novas condi\u00e7\u00f5es. No entanto, evid\u00eancia aned\u00f3tica aponta para a vantagem que o atleta de mais alto n\u00edvel educacional e sofistica\u00e7\u00e3o cultural tem sobre o menos favorecido.&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"288\">O atleta n\u00e3o tem direitos e a governan\u00e7a esportiva sequer considera-o como um ator do processo.<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"288\">O atleta cada vez mais reivindica direitos pol\u00edticos nos sistemas de governan\u00e7a esportiva, em plena crise.&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa transi\u00e7\u00e3o incompleta entre o \u201cvelho\u201d atleta e o \u201cnovo\u201d atleta, bem como sua dif\u00edcil assimila\u00e7\u00e3o pela sociedade, fazem com que a auto-gest\u00e3o, o equil\u00edbrio emocional e os elementos mentais da performance passem para o primeiro plano sem que isso seja devidamente reconhecido. Curto e grosso, o atleta que n\u00e3o souber se auto-gerir, se controlar, ter os elementos de sua vida devidamente integrados conscientemente e se tornar economicamente, emocionalmente e afetivamente vi\u00e1vel vai perder o bonde do alto rendimento.<\/p>\n<p>O ano de 2012 tinha tudo para ser um ano esportivamente perdido para mim. Come\u00e7ou com v\u00e1rios desastres, todos produtos da minha dificuldade em priorizar diferentes atividades e iniciativas. O ano come\u00e7ou com o maldito ver\u00e3o, fato geograficamente inevit\u00e1vel. Quando meu organismo j\u00e1 estava funcionando o suficiente para engrenar uma periodiza\u00e7\u00e3o competitiva, aceitei o compromisso de acompanhar um atleta de Strongman, internacionalmente prec\u00e1rio, porque fui eu que viabilizei sua participa\u00e7\u00e3o no tal Arnold\u2019s Amateur Championship. O que \u00e9 que eu ganhava assumindo a responsabilidade organizativa sobre este esporte? Nada. Nem performance para mim, nem satisfa\u00e7\u00e3o, nem dinheiro. Um senso de miss\u00e3o ou culpa (diga-se de passagem, completamente anti-profissional) ganhou e eu fui. Deu tudo errado, ou melhor, cumpriu-se o esperado, que foi uma performance p\u00edfia do atleta, eu s\u00f3 tive perdas, sofro muito com o stress de estar em multid\u00f5es, acabei pegando uma infec\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria grave e perdi 40 dias de treino. Quando retomei o mesmo, duas coisas se somaram e resultaram em mais perdas em performance: a primeira foi um conflito pol\u00edtico no powerlifting internacional, onde eu desempenhava um papel organizativo. Mais uma vez: por que? O que eu ganhava com isso? Nada. E ainda por cima n\u00e3o soube reconhecer as imensas discrep\u00e2ncias nos interesses dos envolvidos. Paralelamente, tentei treinar utilizando um equipamento ao qual n\u00e3o me adaptei e abandonei a estrat\u00e9gia de competir com ele um m\u00eas antes da data do campeonato sul-americano. Isso \u00e9 esportivamente um desastre.<\/p>\n<p>Nesse momento, procurei Jo\u00e3o Ricardo Cozac, meu psic\u00f3logo esportivo at\u00e9 hoje, e pedi penico. Ele foi claro: em tr\u00eas semanas, n\u00e3o h\u00e1 trabalho em psicologia esportiva a fazer. O que ele me ofereceu foi dar um suporte para garantir um m\u00ednimo de estabilidade emocional para enfrentar as demandas competitivas.<\/p>\n<p>Para piorar as coisas, o conflito pol\u00edtico azedou, o local do campeonato, na Col\u00f4mbia, foi mudado de \u00faltima hora, foi realizado em ambiente n\u00e3o refrigerado e a temperatura pr\u00f3xima de 40\u00ba fez com que no dia seguinte da minha apresenta\u00e7\u00e3o, onde competi heroicamente contra um organismo que n\u00e3o contribuiu nada, eu tivesse um epis\u00f3dio grave de hipertermia que poderia ter resultado em morte. Hipertermia, entre outras coisas, causa letargia e confus\u00e3o mental. Se voc\u00ea est\u00e1 lendo esta p\u00e1gina foi porque meu amigo e parceiro de equipe, Carlos Daniel Llosa, oportunamente um m\u00e9dico (quem disse que n\u00e3o existem deuses do powerlifting?), percebeu a situa\u00e7\u00e3o em tempo para que eu prevenisse desdobramentos mais dram\u00e1ticos. Mas foram p\u00e9ssimos: \u00e1gua gelada, ar condicionado gelado por dois dias e n\u00e3o foi suficiente para impedir o caos fisiol\u00f3gico. V\u00f4mito, letargia, cefal\u00e9ia e outros dist\u00farbios permaneceram por muitos dias.<\/p>\n<p>Mesmo assim, eu tive marcas, se n\u00e3o excelentes, boas. Fiz uma apresenta\u00e7\u00e3o digna. E certamente devo isso a ter conseguido manter o controle como tudo em volta colapsando, desde o meu organismo at\u00e9 as rela\u00e7\u00f5es sociais relevantes.<\/p>\n<p>Isso foi em julho.<\/p>\n<p>Em agosto veio a cereja do bolo, com <a href=\"http:\/\/www.slideshare.net\/marilia05\/banimento\">o tal do Miudinho me atacando num campeonato no Rio Grande do Sul <\/a>onde supostamente eu estava no papel de respons\u00e1vel pela san\u00e7\u00e3o do mesmo. A coisa degringolou muito, aspectos de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica deste ataque emergiram, o ataque foi, sim grav\u00edssimo e eu, que tinha ido com uma distens\u00e3o de pequena relev\u00e2ncia, voltei com uma ruptura de tend\u00e3o inoper\u00e1vel.<\/p>\n<p>Passei uma semana enrolada no sof\u00e1 tomando 50 mg de diazepam, em choque.<\/p>\n<p>O campeonato mundial era em novembro. Pela l\u00f3gica, estava perdido. Perdida\u00e7o. Com um b\u00edceps arrebentado, um flexor ulnar rompido no tend\u00e3o e um grande ponto de interroga\u00e7\u00e3o sobre as chances de um dia poder executar novamente um levantamento terra, n\u00e3o havia por que esperar muita coisa para Las Vegas.<\/p>\n<p>Os primeiros treinos depois do ataque no Rio Grande do Sul mostraram o previsto: uma perda de 30% de for\u00e7a.<\/p>\n<p>No entanto, pouco depois, como resultado de uma avalia\u00e7\u00e3o criteriosa das condi\u00e7\u00f5es objetivas e da minha motiva\u00e7\u00e3o, resolvemos apostar no campeonato mundial. Nesse momento, minha perspectiva mudou, meu humor mudou e a for\u00e7a come\u00e7ou a voltar.<\/p>\n<p>Me desvinculei de todas as responsabilidades organizativas e pol\u00edticas. De repente, ficou claro que elas n\u00e3o s\u00e3o de forma alguma um retorno social obrigat\u00f3rio do meu amor pelo powerlifting. Os motivos que me levavam a isso antes \u2013 a culpa, o sentido de obriga\u00e7\u00e3o \u2013 foram combatidos dentro do trabalho de psicologia esportiva. Toda minha energia foi canalizada para o que era relevante.<\/p>\n<p>Tive exatos tr\u00eas treinos de levantamento terra antes de Las Vegas.<\/p>\n<p>Minha performance teve problemas? Obvio que sim. Mas eu ganhei o campeonato. E mais: ganhei por 2,5kg em 425kg, ou seja, 0,5% no \u00faltimo levantamento terra. Dos tr\u00eas levantamentos, o \u00fanico perfeito foi o terra, o \u201clevantamento perdido\u201d.<\/p>\n<p>A federa\u00e7\u00e3o em que eu competi, o World Powerlifting Congress, \u00e9, das 40 federa\u00e7\u00f5es do esporte, aquela onde as marcas s\u00e3o mais elevadas, a mais competitiva. Quando eu cheguei, a categoria de peso abaixo da minha estava cheia e a acima tamb\u00e9m. A minha tinha esvaziado. Fiquei sabendo que a minha performance foi estudada pelas equipes.<\/p>\n<p>Eu tenho uma reputa\u00e7\u00e3o internacional, e forte.<\/p>\n<p>O ano perdido se transformou no ano da virada. O ano da vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>A virada come\u00e7ou com o primeiro e mais importante gesto de desentulhamento: o de rejeitar tudo aquilo que eu n\u00e3o quero fazer, afirmar com toda a seguran\u00e7a que eu sei que n\u00e3o \u00e9 minha obriga\u00e7\u00e3o fazer e me negar a cumprir a agenda de qualquer um que n\u00e3o seja a minha e somente a minha. Foi o primeiro gesto de me reapropriar do controle da minha vida.<\/p>\n<p>Sem desentulhamento n\u00e3o tem performance, pois s\u00e3o estes entulhos todos que seguram o grande atleta de alto rendimento para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>Deu para entender agora o que desentulhar tem a ver com performance e alto rendimento?<\/p>\n<p><iframe src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ie0V-n9iLnw?list=UUno7gH1j9lJ91w7iQGGA78w\" height=\"315\" width=\"560\" frameborder=\"0\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u201cO ano perdido que a psicologia esportiva tornou um fen\u00f4meno de sucesso\u201d Se voc\u00ea chegou at\u00e9 este cap\u00edtulo pode estar se perguntando o que \u00e9 que este assunto est\u00e1 fazendo num site sobre esportes de for\u00e7a, treinamento e performance cuja autora \u00e9 uma atleta de powerlifting. 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