{"id":5159,"date":"2013-12-07T02:13:41","date_gmt":"2013-12-07T02:13:41","guid":{"rendered":"https:\/\/inveske.co.uk\/por-que-algumas-pessoas-sao-tao-atraidas-pelo-powerlifting-serie-pr\/"},"modified":"2013-12-07T02:13:41","modified_gmt":"2013-12-07T02:13:41","slug":"por-que-algumas-pessoas-sao-tao-atraidas-pelo-powerlifting-serie-pr","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/por-que-algumas-pessoas-sao-tao-atraidas-pelo-powerlifting-serie-pr\/","title":{"rendered":"\u201cPor que algumas pessoas s\u00e3o t\u00e3o atra\u00eddas pelo Powerlifting ?\u201d S\u00e9rie P&#038;R"},"content":{"rendered":"<p>Come\u00e7o a s\u00e9rie \u201cPerguntas e respostas\u201d por uma das que achei mais dif\u00edceis, feita por Guilherme Pinto, dia 4 de dezembro de 2013.<\/p>\n<p>Guilherme detalha:<\/p>\n<p>\u201cEu fa\u00e7o PL a um bom tempo, e, cada vez mais, me sinto atra\u00eddo e imerso neste esporte. Mas n\u00e3o sei explicar o motivo da minha ou da atra\u00e7\u00e3o das outras pessoas.<\/p>\n<p>Esse esporte j\u00e1 modificou minha vida de muitas formas. Dessa forma, acho importante realizar esta pergunta\u201d.<\/p>\n<p>A pergunta \u00e9 muito bem formulada. Guilherme n\u00e3o quer saber por que algumas pessoas praticam powerlifting, mas por que sentem essa atra\u00e7\u00e3o irresist\u00edvel por ele. Essa formula\u00e7\u00e3o sugere um procedimento para investiga\u00e7\u00e3o: ser\u00e1 que todas as pessoas que praticam powerlifting s\u00e3o irresistivelmente atra\u00eddas por ele?<\/p>\n<p>Para esta pergunta eu sei a resposta, o que pode nos ajudar a entender a primeira: a resposta \u00e9 n\u00e3o. Nem todas as pessoas que praticam powerlifting s\u00e3o irresistivelmente atra\u00eddas por ele. E agora temos que definir praticante de powerlifting. N\u00e3o existe uma defini\u00e7\u00e3o certa. Vamos adotar uma de bom senso. Praticante \u00e9 aquele que:<\/p>\n<p>1)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Treine agachamento, supino e levantamento terra de forma autot\u00e9lica, ou seja, com o objetivo de melhorar seu agachamento, seu supino e seu levantamento terra, e n\u00e3o como um exerc\u00edcio auxiliar para outra modalidade ou como exerc\u00edcio com finalidade n\u00e3o esportiva (condicionamento geral, hipertrofia, etc). Outra maneira de dizer isso \u00e9 que elas treinam os \u201clevantamentos\u201d e n\u00e3o praticam os exerc\u00edcios com o mesmo nome.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>e\/ou (aten\u00e7\u00e3o ao operador l\u00f3gico \u201cou\u201d)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Participe de competi\u00e7\u00f5es de powerlifting<\/p>\n<p>A pessoa que satisfaz o \u00edtem 2 necessariamente satisfaz o \u00edtem 1 (se bem ou mal, n\u00e3o vem ao caso). Mas existem pessoas que satisfazem apenas o \u00edtem 1. Isso pode acontecer porque:<\/p>\n<p>1)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Elas j\u00e1 participaram de competi\u00e7\u00f5es por um per\u00edodo e, por motivos pessoais variados, n\u00e3o querem ou n\u00e3o podem mais competir (infra-estrutura, demandas de trabalho, les\u00f5es ou doen\u00e7as degenerativas graves que permitem que elas at\u00e9 pratiquem os levantamentos por amor, mas n\u00e3o possam se submeter ao stress competitivo; ou por pira\u00e7\u00e3o, mesmo)<\/p>\n<p>2)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Elas nunca participaram de competi\u00e7\u00f5es de powerlifting e est\u00e3o (ou consideram-se estar) se preparando para sua estr\u00e9ia<\/p>\n<p>Definido \u201cpraticante\u201d, vamos escolher um nome para a categoria sobre a qual o Guilherme expressou sua d\u00favida. Acredito que o melhor nome seria \u201camante\u201d, que \u00e9 aquele que ama, que sente atra\u00e7\u00e3o, ou seja, reage emocionalmente de maneira muito positiva a algo (no caso, powerlifting).<\/p>\n<p>S\u00e3o categorias bem diferentes e n\u00e3o se superp\u00f5em. Todo amante \u00e9 praticante. Nem todo praticante \u00e9 amante. Isso vale para qualquer arte: h\u00e1 pessoas que at\u00e9 manifestam habilidade para algo, mas, em linguagem po\u00e9tica, n\u00e3o \u00e9 o que seu cora\u00e7\u00e3o escolheu. Eu tenho um irm\u00e3o que tinha muita habilidade para tocar piano. Um dia minha m\u00e3e o viu socar o teclado com raiva. Ele nunca mais tocou piano, para desaponto de nossa av\u00f3.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o \u00e9 amante, por que ent\u00e3o algu\u00e9m praticaria powerlifting? Os motivos mais importantes s\u00e3o: press\u00e3o de algu\u00e9m significativo ou ganhos secund\u00e1rios.<\/p>\n<p>J\u00e1 vi mulheres praticarem e at\u00e9 competirem powerlifting por anos porque seus namorados ou maridos eram atletas ou t\u00e9cnicos. Assim que o relacionamento se desfez, elas abandonaram o esporte com al\u00edvio. N\u00e3o era a praia delas \u2013 nunca foi. Algumas tiveram t\u00edtulos e at\u00e9 recordes: \u00e9 um esporte pequeno, a popula\u00e7\u00e3o praticante feminina \u00e9 pequena, tudo \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos Estados Unidos, mas aqui j\u00e1 vi praticantes que o fazem porque conseguiram obter ajuda das prefeituras de pequenas cidades do interior. Talvez tanto fizesse tenis de mesa, luta de bra\u00e7o ou powerlifting, mas ficou mais f\u00e1cil powerlifting. O motivo \u00e9 a exist\u00eancia do tal do \u201cpowerlifting de fundo de quintal\u201d, uma esp\u00e9cie de simulacro do esporte, s\u00f3 que feito com equipamentos fora das especifica\u00e7\u00f5es oficiais e sem observa\u00e7\u00e3o de regras de um determinado livro de regras. Baratinho. Se cessa o apoio da prefeitura, o praticante para de praticar.<\/p>\n<p>De novo, isso n\u00e3o \u00e9 espec\u00edfico do powerlifting e provavelmente n\u00e3o acontece somente no Brasil.<\/p>\n<p>Por fim, tem muita gente que \u00e9 praticante de qualquer coisa na base da in\u00e9rcia: come\u00e7ou, foi ficando e ficou. N\u00e3o curte tanto, mas incorporou. \u00c9 assim com tudo: engenheiro que pratica engenharia, mas n\u00e3o curte tanto. Digamos que \u00e9 mais comum nas profiss\u00f5es, j\u00e1 que d\u00e3o sustento, ao contr\u00e1rio dos esportes. Mesmo assim, existe a quest\u00e3o do h\u00e1bito.<\/p>\n<p>E os amantes?<\/p>\n<p>Aqui temos uma variedade. N\u00e3o existe nenhum estudo sistem\u00e1tico, mas a conviv\u00eancia com atletas de todos os pa\u00edses, o filme \u201cPower Unlimited\u201d e minha pr\u00f3pria experi\u00eancia me levam a crer que o primeiro amor \u00e9 conferido pela atmosfera contagiante. Assim como raiva contagia, alegria e euforia tamb\u00e9m. Um grupo de powerlifters treinando \u00e9 uma pequena festa. Imagine uma vida cheia de problemas, como toda vida normal \u00e9, s\u00f3 que todas as ter\u00e7as e quintas tem uma festa onde todo mundo brinca e sai feliz. Para muita gente, essa \u00e9 a primeira atra\u00e7\u00e3o irresist\u00edvel: alegria. O tempero da vida.<\/p>\n<p>Uma parte das pessoas pega uma outra rota \u2013 n\u00e3o excludente da primeira. Depois dos primeiros e desajeitados movimentos, quando o atleta passa pela primeira automatiza\u00e7\u00e3o, sendo capaz de executar os levantamentos sem pensar em cada troca de marcha e embreagem a usar, o sujeito come\u00e7a a se dar conta de que sob a extrema simplicidade e minimalismo das formas do agachamento, do supino e do terra jaz a mais profunda complexidade. Alguns poucos sacam que \u00e9 t\u00e3o profunda que n\u00e3o tem fim.<\/p>\n<p>Como tudo que \u00e9 praticando com alta dose de t\u00e9cnica e conhecimento, aqui estamos no campo da esotericidade (\u201cesot\u00e9rico\u201d no sentido de que \u00e9 interno, faz sentido para dentro, para quem compartilha os mesmos pressupostos).<\/p>\n<p>Para alguns, \u00e9 nessa complexidade infinita que o minimalismo extremo do powerlifting proporciona, mais do que qualquer outra pr\u00e1tica corporal, que est\u00e1 a atra\u00e7\u00e3o irresist\u00edvel. Essa atra\u00e7\u00e3o combina o prazer f\u00edsico-mental da express\u00e3o da for\u00e7a e o fasc\u00ednio intelectual.<\/p>\n<p>Para um grupo bem menor, a atra\u00e7\u00e3o irresist\u00edvel est\u00e1 no potencial de atingir um estado alterado de consci\u00eancia que costuma se chamado \u201cflow\u201d ou \u201cthe zone\u201d. Este estado consiste numa redu\u00e7\u00e3o radical da percep\u00e7\u00e3o sensorial externa e afunilamento do foco, de maneira que a viv\u00eancia do ato do levantamento se torna quase atemporal. A experi\u00eancia \u00e9 t\u00e3o contundente que n\u00e3o se reduz a prazer, apenas. \u00c9 algo que redefine o repert\u00f3rio de experi\u00eancias do indiv\u00edduo e at\u00e9 mesmo sua identidade.<\/p>\n<p>Finalmente, temos o inexplic\u00e1vel: h\u00e1 quem, como eu, tocou pela primeira vez uma barra ol\u00edmpica e soube que era uma rela\u00e7\u00e3o eterna. Ouvi uma hist\u00f3ria, que agora n\u00e3o consigo localizar, sobre uma grande bailarina que revolucionou a dan\u00e7a e que, quando crian\u00e7a, foi considerada portadora de defici\u00eancia de aprendizado. Um psic\u00f3logo a observou e ent\u00e3o disse a sua m\u00e3e: \u201cela n\u00e3o tem defici\u00eancia nenhuma. Ela \u00e9 apenas uma bailarina: a linguagem dela \u00e9 a dan\u00e7a. \u00c9 assim que ela se expressa\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 tempos tenho questionado a fronteira que se demarca entre esporte e arte. Se considerarmos arte toda forma de manifesta\u00e7\u00e3o de uma percep\u00e7\u00e3o subjetiva do mundo, ent\u00e3o powerlifting, ou salto com vara, ou arremesso de dardo podem ser artes. Podem n\u00e3o ser. No entanto, se ao tocar a barra e executar um levantamento o indiv\u00edduo expresse algo muito profundo de sua subjetividade, isso \u00e9 arte. O artista tem uma atra\u00e7\u00e3o irresist\u00edvel por sua arte, n\u00e3o pode existir sem ela e ela faz parte dele.<\/p>\n<p>\u00c9 t\u00e3o irresist\u00edvel que o artista se entrega totalmente a ela, sem restri\u00e7\u00f5es, sem limites. Nenhuma les\u00e3o ou condi\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de separar o artista de sua arte. Somente a morte termina essa uni\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem diga que nem ela.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/01XTUI9WVIk?list=PLNpYF7EecN6RZQhrThAjBMkWAT6ZtNvFB\" height=\"315\" width=\"560\" allowfullscreen=\"\" frameborder=\"0\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Come\u00e7o a s\u00e9rie \u201cPerguntas e respostas\u201d por uma das que achei mais dif\u00edceis, feita por Guilherme Pinto, dia 4 de dezembro de 2013. Guilherme detalha: \u201cEu fa\u00e7o PL a um bom tempo, e, cada vez mais, me sinto atra\u00eddo e imerso neste esporte. 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