{"id":5189,"date":"2005-09-23T16:17:00","date_gmt":"2005-09-23T16:17:00","guid":{"rendered":"https:\/\/inveske.co.uk\/controversia-cientifica-nutricao-e-atividade-fisica\/"},"modified":"2005-09-23T16:17:00","modified_gmt":"2005-09-23T16:17:00","slug":"controversia-cientifica-nutricao-e-atividade-fisica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/controversia-cientifica-nutricao-e-atividade-fisica\/","title":{"rendered":"Controv\u00e9rsia cient\u00edfica: nutri\u00e7\u00e3o e atividade f\u00edsica"},"content":{"rendered":"<p>As id\u00e9ias esbo\u00e7adas aqui v\u00eam me interessanto h\u00e1 algum tempo. No entanto, s\u00f3 agora, estimulada por um colega que se dedica a divulgar informa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica baseada em evid\u00eancia em linguagem simplificada para praticantes de treinamento de for\u00e7a, resolvi come\u00e7ar a sistematiz\u00e1-las. Isso \u00e9 o come\u00e7o da discuss\u00e3o \u2013 sem nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o com refer\u00eancias ou indica\u00e7\u00f5es mais precisas quanto aos dados. Isso vir\u00e1 com o tempo: como tudo aqui, esse material est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o. Ainda s\u00e3o impress\u00f5es gerais derivadas de um contato longo com a literatura das \u00e1reas de nutri\u00e7\u00e3o e atividade f\u00edsica \u2013 como consumidora, n\u00e3o cientometrista.<\/p>\n<p>O interessante desses dois casos de controv\u00e9rsia \u00e9 que elas s\u00e3o camufladas e pouco vis\u00edveis aos pr\u00f3prios praticantes profissionais (cientistas, nutricionistas, m\u00e9dicos, educadores f\u00edsicos). Isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque ainda existe uma relativa hegemonia de um dos lados da controv\u00e9rsia, em ambos os campos. Ela \u00e9 vis\u00edvel para quem, ent\u00e3o? Para o usu\u00e1rio intermedi\u00e1rio da evid\u00eancia cient\u00edfica marginal. <\/p>\n<p>O colega em quest\u00e3o, que tem me chamado aten\u00e7\u00e3o para a dificuldade em fazer uso da evid\u00eancia cient\u00edfica disponibilizada nos peri\u00f3dios mainstream, usa e oferece informa\u00e7\u00e3o sobre treinamento de for\u00e7a e nutri\u00e7\u00e3o esportiva. As recomenda\u00e7\u00f5es nutricionais disponibilizadas nos meios de comunica\u00e7\u00e3o como consensos (pseudo-consensos) s\u00e3o rigorosamente in\u00fateis para usu\u00e1rios como ele. Esse tipo de usu\u00e1rio vive uma condi\u00e7\u00e3o aguda de incerteza quanto \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, uma vez que, paralelamente aos pseudo-consensos da comunidade cient\u00edfica leg\u00edtima, formam-se \u201cconsensos alternativos\u201d em comunidades de pr\u00e1tica. Alguns desses consensos alternativos de fato conseguiram furar o bloqueio do conservadorismo cient\u00edfico e impulsionaram pesquisas, as quais t\u00eam levado \u00e0 reformula\u00e7\u00e3o de perspectivas antes hegem\u00f4nicas. Um exemplo disso \u00e9 a necessidade de consumo proteico. Havia \u2013 e h\u00e1, para parte da comunidade m\u00e9dica e de nutricionistas \u2013 um consenso quanto ao fato de que nem mesmo atletas necessitariam de mais do que 0.8g\/kg de peso corporal de prote\u00edna na dieta. Praticantes de fisiculturismo ignoraram essas recomenda\u00e7\u00f5es e passaram a utilizar propor\u00e7\u00f5es muito mais elevadas. Sem muita sistematicidade, essa comunidade foi observando que, sem essas propor\u00e7\u00f5es mais altas, n\u00e3o era poss\u00edvel obter bons resultados em ganho de for\u00e7a e hipertrofia. Hoje, a constata\u00e7\u00e3o de que as necessidades de consumo proteico podem chegar at\u00e9 a 1.8g\/kg de peso corporal j\u00e1 atingiram a literatura mainstream em nutri\u00e7\u00e3o (no entanto, fisiculturistas usam muito mais do que isso, sem o benef\u00edcio de pesquisas sistem\u00e1ticas que ofere\u00e7am evid\u00eancias confi\u00e1veis com as quais tomar decis\u00f5es \u2013 tornam-se cobaias de si mesmos). Esse \u00e9 apenas um caso, cuja l\u00f3gica se reproduz em rela\u00e7\u00e3o a suplementos nutricionais (creatina, glutamina, etc.) e outras quest\u00f5es.<\/p>\n<p>Nos casos acima, o preju\u00edzo para o usu\u00e1rio final da informa\u00e7\u00e3o (atleta ou paciente) n\u00e3o \u00e9 grave a ponto de colocar em risco sua vida. Em outras situa\u00e7\u00f5es, no entanto, infelizmente os falsos consensos podem causar s\u00e9rios danos \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica. \u00c9 o caso da \u00eanfase exagerada nos exerc\u00edcios aer\u00f3bios como adjuvantes em tratamentos como os da diabetes, em detrimento do necess\u00e1rio exerc\u00edcio de for\u00e7a. Somente uma massa muscular maior e mais treinada pode beneficiar um portador de diabetes na estabiliza\u00e7\u00e3o de sua glicemia. S\u00e3o a massa e metabolismo da musculatura esquel\u00e9tica os respons\u00e1veis por essa regula\u00e7\u00e3o \u2013 e n\u00e3o o condicionamento cardio-vascular. Ou seja: diab\u00e9tico tem que puxar ferro, e n\u00e3o (apenas nem preferencialmente) dar caminhadas no parque. O mesmo se aplica a idosos em processo de perda de suas capacidades funcionais.<\/p>\n<p>Talvez meu papel seja um pouco fazer uma ponte, traduzindo essa sensibilidade dos usu\u00e1rios de ponta da informa\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00f5es que modifiquem a condescend\u00eancia com os falsos consensos, evidenciando o estado de controv\u00e9rsia e incerteza. H\u00e1 um projeto em vias de ser viabilizado na BIREME (www.bireme.br) que se refere a necessidades de informa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-cient\u00edfica em nutri\u00e7\u00e3o e atividade f\u00edsica. Eu o elaborei com essas preocupa\u00e7\u00f5es em mente \u2013 entre outras. Quanto mais for poss\u00edvel perceber indicadores de necessidades n\u00e3o satisfeitas e problemas com a informa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, melhores ser\u00e3o as chances de intervir eficientemente no problema. Portanto, agrade\u00e7o qualquer feedback no assunto.<\/p>\n<p>Controv\u00e9rsia<br \/>\nA controv\u00e9rsia \u00e9, em maior ou menor grau, o mecanismo respons\u00e1vel pela mudan\u00e7a cient\u00edfica. O antrop\u00f3logo Bruno Latour descreveu o processo de esoteriza\u00e7\u00e3o, e, portanto, de sofistica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, metodol\u00f3gica e te\u00f3rica, que ocorre ao longo das controv\u00e9rias cient\u00edficas em seu cl\u00e1ssico Science in Action  (1985). Assim, a controv\u00e9rsia seria a base do progresso cient\u00edfico, embora alguns autores evitem o conceito. A introdu\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00f5es produz a cl\u00e1ssica estratifica\u00e7\u00e3o da comunidade de praticantes segundo um gradiente entre um extremo de inovadores, ou risk-takers, e retardat\u00e1rios, ou risk-averse. Essa estratifica\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionada principalmente \u00e0 estrutura social (hier\u00e1rquica, institucional e generacional) da comunidade em quest\u00e3o. No entanto, a inova\u00e7\u00e3o est\u00e1, geralmente, associada \u00e0 controv\u00e9rsia. O sucesso ou fracasso de sua introdu\u00e7\u00e3o como par\u00e2metro de pr\u00e1tica ou de modelo te\u00f3rico est\u00e3o relacionados, nesse caso, a um jogo de interesses que mobiliza um grande esfor\u00e7o de articula\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica existente e interpreta\u00e7\u00e3o do lugar de cada evid\u00eancia no quadro da controv\u00e9rsia. A elite da comunidade controla o jogo e produz o discurso argumentativo que se expressa na produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do momento. Quanto menos diretamente envolvido na controv\u00e9rsia estiver o praticante, e, portanto, mais distante do centro de poder da comunidade, menor a familiaridade com os argumentos e maior a perplexidade diante do conflito. Os praticantes menos envolvidos, que constituem a maioria da comunidade, tendem a ser risk-averse ou retardat\u00e1rios nessas circunst\u00e2ncias. Kuhn (em The Structure of Scientific Revolutions, 1971) e outros representantes cl\u00e1ssicos da sociologia da ci\u00eancia interpretam a resist\u00eancia t\u00edpica da comunidade cient\u00edfica \u00e0 mudan\u00e7a como produto de um conservadorismo intr\u00ednceco, de uma dificuldade em se desvencilhar da vis\u00e3o de mundo associada ao velho paradigma. Essa resist\u00eancia pode ser interpretada, alternativamente, como resultado da dificuldade de \u201cmake sense\u201d da massa de nova informa\u00e7\u00e3o produzida sob os eixos da controv\u00e9rsia. As comunidades envolvidas em controv\u00e9rsia t\u00eam, portanto, uma rela\u00e7\u00e3o mais cr\u00edtica com a nova informa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-cient\u00edfica da \u00e1rea e possivelmente apresentem necessidades especiais, como ferramentas, produtos e formatos de disponibiliza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o que d\u00eaem maior visibilidade \u00e0 controv\u00e9rsia e \u00e0s tomadas de decis\u00e3o implicadas nas alternativas em jogo.<\/p>\n<p>Nutri\u00e7\u00e3o<br \/>\nAs fontes de controv\u00e9rsia na \u00e1rea da nutri\u00e7\u00e3o s\u00e3o muitas e variadas. O boom da abordagem nutricional \u00e0 patog\u00eanese das doen\u00e7as degenerativas, nos anos 70, provocou uma transforma\u00e7\u00e3o profunda nas estrat\u00e9gias de tratamento. De uma \u201conda alternativa\u201d, a abordagem nutricional tornou-se mainstream. A ocorr\u00eancia de c\u00e2nceres como os de c\u00f3lon, mama e pr\u00f3stata foram associados a dietas ricas em gorduras saturadas e a redu\u00e7\u00e3o da porcentagem de gordura e substitui\u00e7\u00e3o das mesmas por gorduras insaturadas foram incorporadas aos tratamentos em praticamente todos os pa\u00edses. A import\u00e2ncia de fibras, frutas e verduras na preven\u00e7\u00e3o destes c\u00e2nceres s\u00f3 come\u00e7ou a ser questionada e verificada agora.<br \/>\nPor outro lado, os resultados das pesquisas sobre os componentes da dieta associados \u00e0 patog\u00eanese, \u00e0 preven\u00e7\u00e3o e \u00e0 cura de doen\u00e7as t\u00eam sido inconclusivos e contradit\u00f3rios. Por exemplo: o consumo de soja foi associado a uma menor ocorr\u00eancia dos c\u00e2nceres de mama e pr\u00f3stata e as isoflavonas presentes na semente mostraram atividade biol\u00f3gica in vitro. No entanto, algum tempo depois de divulgados estes resultados e da ind\u00fastria nutric\u00eautica inundar o mercado com produtos \u00e0 base de ginestein (a isoflavona com maior atividade biol\u00f3gica in vitro), pesquisas revelaram que a subst\u00e2ncia isolada n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o se associa a uma menor incid\u00eancia de c\u00e2ncer de mama in vivo como pode estar associada a um aumento na incid\u00eancia.<br \/>\nOutro tema imerso em profundo conflito \u00e9 o das Recomended Daily Allowances (RDA). Defensores dos valores oficialmente estabelecidos pelas ag\u00eancias nacionais de sa\u00fade (mais \u201cconservadores\u201d, menos \u201crisk-takers\u201d) argumentam que a suplementa\u00e7\u00e3o diet\u00e9tica \u00e9 desnecess\u00e1ria e potencialmente mal\u00e9fica, uma vez que uma dieta balanceada, contendo quantidade suficiente de alimentos frescos e de origem vegetal deve suprir as necessidades di\u00e1rias de vitaminas. Al\u00e9m disso, argumentam, o ser humano n\u00e3o necessitaria de mais que 0.6g\/kg de peso corporal de prote\u00edna (com a exce\u00e7\u00e3o de algumas categorias de atletas e crian\u00e7as, que necessitariam de cerca de 0.8g\/kg de peso corporal), quantidade facilmente encontrada numa dieta onde o consumo de leite, ovos e carne ocorra com frequ\u00eancia di\u00e1ria moderada. No entanto, pesquisas recentes contestam tais dados. Em primeiro lugar, as quantidades m\u00ednimas de vitaminas n\u00e3o estariam presentes nos alimentos \u2013 ainda que adquiridos frescos \u2013 dispon\u00edveis aos habitantes urbanos. Em segundo lugar, valores bem maiores nas quantidades de diversas vitaminas parecem estar associados \u00e0 preven\u00e7\u00e3o de efeitos degenerativos, o que indicaria que a verdadeira necessidade di\u00e1ria \u00e9 bem maior do que aquela oficialmente recomendada. Al\u00e9m disso, as ci\u00eancias do esporte (medicina esportiva, nutri\u00e7\u00e3o esportiva, etc.) t\u00eam produzido resultados de pesquisa que demonstram que as necessidades de consumo proteico na popula\u00e7\u00e3o em geral e nos atletas em particular \u00e9 muito maior do que os valores da RDA. Milion\u00e1rios interesses comerciais ligados \u00e0 alta performance esportiva (al\u00e9m de uma igualmente milion\u00e1ria ind\u00fastria de suplementa\u00e7\u00e3o esportiva) alimentam a intensifica\u00e7\u00e3o das pesquisas sobre a otimiza\u00e7\u00e3o do suprimento energ\u00e9tico, minimiza\u00e7\u00e3o do catabolismo proteico e fadiga muscular, maximiza\u00e7\u00e3o do anabolismo proteico e de glicog\u00eanio,  maximiza\u00e7\u00e3o da mobiliza\u00e7\u00e3o de reservas energ\u00e9ticas e muito mais. As evid\u00eancias cada vez mais abundantes t\u00eam confrontado concep\u00e7\u00f5es convencionais a respeito das necessidades nutricionais n\u00e3o apenas dos atletas \u2013 o que gerou uma sofisticada \u00e1rea de tecnologia nutricional e manipula\u00e7\u00e3o nutricional do desempenho esportivo -, mas de categorias cr\u00edticas como convalescentes e crian\u00e7as.<br \/>\nAs desordens da alimenta\u00e7\u00e3o (eating disorders) s\u00e3o talvez o maior foco de aten\u00e7\u00e3o e nicho de agressivas controv\u00e9rsias na \u00e1rea da nutri\u00e7\u00e3o. Em primeiro lugar, o diagn\u00f3stico f\u00edsico das condi\u00e7\u00f5es est\u00e1 associado a indicadores n\u00e3o consensuais. A relev\u00e2ncia das tabelas de distribui\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de peso e altura, do \u00edndice de massa corporal (BMI), da porcentagem de gordura corporal e de massa magra, s\u00e3o amplamente debatidos. Que valores e de que indicadores caracterizariam baixo peso, sobrepeso e obesidade n\u00e3o s\u00e3o quest\u00f5es consensuais.<br \/>\nEm segundo lugar, as estrat\u00e9gias de tratamento para a obesidade e para controle do peso s\u00e3o diversas e contradit\u00f3rias. Certos aspectos do metabolismo energ\u00e9tico diretamente envolvidos na perda e manuten\u00e7\u00e3o dos tecidos adiposo e muscular est\u00e3o envolvidos em pesquisas cujos resultados t\u00eam sido contradit\u00f3rios. N\u00e3o h\u00e1 consenso na comunidade em rela\u00e7\u00e3o a eles.<br \/>\nFinalmente, a manipula\u00e7\u00e3o e tratamento nutricional de desordens neurol\u00f3gicas, psiqui\u00e1tricas, endocrinol\u00f3gicas, entre outras, est\u00e3o imersos em ainda maior incerteza. Nestes casos, ainda est\u00e3o longe do mainstream e, embora muitas pesquisas gerem resultados promissores em dire\u00e7\u00e3o a tratamentos seguros, de baixo custo e eficientes, a massa de informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel ainda \u00e9 proporcionalmente pequena e de pouca visibilidade.<\/p>\n<p>Atividade F\u00edsica<br \/>\nA \u00e1rea da atividade f\u00edsica \u00e9 ainda mais permeada por controv\u00e9rsias. A atividade f\u00edsica se relaciona com a preven\u00e7\u00e3o e tratamento de doen\u00e7as cardio-vasculares, endocrinol\u00f3gicas (particularmente a diabetes), reabilita\u00e7\u00e3o p\u00f3s-trauma, preven\u00e7\u00e3o e tratamento da obesidade, preven\u00e7\u00e3o e tratamento dos efeitos degenerativos do envelhecimento, desenvolvimento infantil e preven\u00e7\u00e3o das desordens do sedentarismo em geral. Uma \u00faltima, pouco conhecida (pequeno n\u00famero de publica\u00e7\u00f5es de baixa visibilidade) e pol\u00eamica interven\u00e7\u00e3o da atividade f\u00edsica \u00e9 na preven\u00e7\u00e3o e tratamento de desordens mentais.<br \/>\nNo entanto, n\u00e3o h\u00e1 consenso quanto \u00e0 relev\u00e2ncia proporcional da atividade f\u00edsica em rela\u00e7\u00e3o a outras interven\u00e7\u00f5es de tratamento e preven\u00e7\u00e3o (medicamentosas, nutricionais, etc.). Por enquanto, a maior parte dos estudos aborda a atividade f\u00edsica como adjuvante no tratamento medicamentoso. Quanto \u00e0 preven\u00e7\u00e3o, existem muito poucos estudos epidemiol\u00f3gicos relacionando intensidade e principalmente tipo de atividade f\u00edsica com o efeito preventivo.<br \/>\nA maior parte dos estudos utiliza, como interven\u00e7\u00e3o de atividade f\u00edsica, um determinado per\u00edodo de atividade aer\u00f3bia (em geral bicicleta ergom\u00e9trica pela facilidade de controle) de baixa intensidade. Existem poucos estudos com varia\u00e7\u00e3o na intensidade, dura\u00e7\u00e3o e frequ\u00eancia da atividade aer\u00f3bia e menos ainda com exerc\u00edcio resistido (exerc\u00edcio de for\u00e7a). As poucas evid\u00eancias a respeito dessa \u00faltima categoria de atividade f\u00edsica sugerem maior efici\u00eancia da mesma na maioria das condi\u00e7\u00f5es elencadas acima. No entanto, essas evid\u00eancias publicadas s\u00e3o bem poucas e de baixa visibilidade.<br \/>\nOs m\u00e9dicos n\u00e3o t\u00eam como prescrever adequadamente atividade f\u00edsica para o tratamento das doen\u00e7as e, pior, n\u00e3o t\u00eam no\u00e7\u00e3o da polaridade das controv\u00e9rsias. Assim, as associa\u00e7\u00f5es e centros m\u00e9dicos indicam, na maior parte dos casos, um per\u00edodo de caminhada di\u00e1ria como atividade f\u00edsica preferencial.<br \/>\nOs profissionais da atividade f\u00edsica, por sua vez, tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0s evid\u00eancias recentes sobre o efeito das v\u00e1rias modalidades de atividade nas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e prescrevem estrat\u00e9gias aleat\u00f3riamente, sem conhecimento sobre a a\u00e7\u00e3o de cada programa.<br \/>\nFinalmente, existe baix\u00edssima intera\u00e7\u00e3o entre as comunidades: as de m\u00e9dicos e as dos profissionais de atividade f\u00edsica. A consequ\u00eancia dessa baixa intera\u00e7\u00e3o \u00e9 que as demandas por informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o socialmente geradas segundo uma viv\u00eancia integrada do problema. Assim, a satisfa\u00e7\u00e3o da demanda tende a ser sempre parcial e incompleta.<\/p>\n<p>Marilia <\/p>\n<p style=\"margin-top: 0; margin-bottom: 0\"><b><font face=\"Georgia\" size=\"1\"><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.bodystuff.org\/\">BodyStuff<\/a><\/font><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As id\u00e9ias esbo\u00e7adas aqui v\u00eam me interessanto h\u00e1 algum tempo. No entanto, s\u00f3 agora, estimulada por um colega que se dedica a divulgar informa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica baseada em evid\u00eancia em linguagem simplificada para praticantes de treinamento de for\u00e7a, resolvi come\u00e7ar a sistematiz\u00e1-las. Isso \u00e9 o come\u00e7o da discuss\u00e3o \u2013 sem nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o com refer\u00eancias ou indica\u00e7\u00f5es [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[19],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5189"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5189"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5189\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5189"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5189"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5189"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}