{"id":5202,"date":"2005-10-16T22:34:00","date_gmt":"2005-10-16T22:34:00","guid":{"rendered":"https:\/\/inveske.co.uk\/hardcore\/"},"modified":"2005-10-16T22:34:00","modified_gmt":"2005-10-16T22:34:00","slug":"hardcore","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/hardcore\/","title":{"rendered":"Hardcore"},"content":{"rendered":"<p>Marombeiro que \u00e9 marombeiro n\u00e3o tem frescura. Tem sangue nos olhos (olha l\u00e1, Stevie). Treino que \u00e9 treino \u00e9 hardcore (do Jacar\u00e9). Treinar com luvinha \u00e9 frescura. Atrapalhar o intervalo entre as s\u00e9ries do cara treinando \u00e9 a pior falta de educa\u00e7\u00e3o que algu\u00e9m pode cometer. Peso cai no ch\u00e3o e faz barulho mesmo. Quem treina pesado faz cara feia. Quem treina pesado faz barulho. Quem treina pesado n\u00e3o bate papo. Quem treina pesado odeia quando tentam bater papo com ele. Buscar os pesos maiores e n\u00e3o encontrar porque a academia tem mais quantidade de \u201cpeso de frango\u201d \u00e9 irritante. Cara que puxa ferro pesado tem desprezo por aulinha afrescalhada (mestre Braulio). Peras conversando e empatando o aparelho tiram o cara do s\u00e9rio (de novo, grande Braulio). Comida \u00e9 peito de frango, macarr\u00e3o e batata \u2013 o resto \u00e9 divers\u00e3o.<br \/>\nTudo isso faz parte do \u201cethos\u201d hardcore, algo partilhado pela cultura da maromba, c\u00f3digos de uma comunidade dispersa mas que se reconhece pelo visual, g\u00edria, atitude em sala de treino e at\u00e9 mesmo jeito de se portar.<br \/>\nExistem academias, em geral pequenas e underground, onde essa cultura \u00e9 o defaut.<br \/>\nNa maioria das academias, no entanto, n\u00e3o \u00e9. Trata-se de c\u00f3digos partilhados por uma minoria que sempre se destaca, pelo bem e pelo mal. Para o olhar desavisado, os garotos um pouco mais definidos ciscando perto dos pesos podem parecer pertencer a essa cultura, sem se destacar do verdadeiro ferreiro ali do lado, quieto, concentrado, em geral menos definido, maior e treinando mais pesado.<br \/>\nNada irritaria mais o ferreiro de verdade do que essa confus\u00e3o: os caras que treinam para ficar com um b\u00edceps um pouquinho mais vis\u00edvel para impressionar meninas na balada merecem do ferreiro o mais profundo desprezo.<br \/>\nEu me pergunto de onde emergiu esse sistema. N\u00e3o tenho respostas f\u00e1ceis, mas uma delas \u00e9 que h\u00e1 algo de moral nisso. O neguinho da balada n\u00e3o tem um compromisso com os sacrif\u00edcios e disciplina que o treino s\u00e9rio exige. N\u00e3o adere de fato ao estilo de vida e \u201cprinc\u00edpios\u201d, ainda que eles sejam mal-formulados. N\u00e3o se interessa em se aprofundar nos conhecimentos sobre treino. N\u00e3o conhece os nomes do bodybuilding. Penso que sem articular isso claramente, o verdadeiro ferreiro acredita que constroi um corpo n\u00e3o apenas mais belo, mas superior numa dimens\u00e3o mais ampla. Outra resposta tem a ver com o fato de que, ainda que a sociedade o negue, o bodybuilding e pr\u00e1ticas correlatas constituem um esporte e, como tal, mobiliza paix\u00f5es. A terceira diz respeito \u00e0 quest\u00e3o de classe. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que os objetos do desprezo do ferreiro se concentrem nas \u201cacademias de playboy\u201d. S\u00e3o as academias de classe m\u00e9dia e classe m\u00e9dia alta.<br \/>\nPor ser marginal, ferro pesado \u00e9 coisa para os excluidos. E, excluidos, se encistam em sua pr\u00f3pria cultura, defendendo seu nicho de superioridade.<br \/>\nEu n\u00e3o inventei nada do que disse aqui: boa parte das frases, ouvi da boca dos meus \u201cirm\u00e3os de maromba\u201d, que generosamente me aceitaram como uma deles. Outras, peguei na Internet, nos interessant\u00edssimos sites que alguns deles construiram.<br \/>\n\u00c9 uma cultura aparentemente hostil, agressiva e bruta. Mas \u00e9 nela que eu identifico algumas das atitudes mais transformadoras e positivas quanto a identidade corporal (a \u00fanica que eu reconhe\u00e7o) humana. O resto, c\u00e1 para n\u00f3s, \u00e9 frescura mesmo.<\/p>\n<p>Marilia <\/p>\n<p style=\"margin-top: 0; margin-bottom: 0\"><b><font face=\"Georgia\" size=\"1\"><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.bodystuff.org\/\">BodyStuff<\/a><\/font><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marombeiro que \u00e9 marombeiro n\u00e3o tem frescura. Tem sangue nos olhos (olha l\u00e1, Stevie). Treino que \u00e9 treino \u00e9 hardcore (do Jacar\u00e9). Treinar com luvinha \u00e9 frescura. Atrapalhar o intervalo entre as s\u00e9ries do cara treinando \u00e9 a pior falta de educa\u00e7\u00e3o que algu\u00e9m pode cometer. Peso cai no ch\u00e3o e faz barulho mesmo. 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