{"id":5225,"date":"2005-12-17T23:27:00","date_gmt":"2005-12-17T23:27:00","guid":{"rendered":"https:\/\/inveske.co.uk\/overtraining-um-topico-tecnico\/"},"modified":"2005-12-17T23:27:00","modified_gmt":"2005-12-17T23:27:00","slug":"overtraining-um-topico-tecnico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/overtraining-um-topico-tecnico\/","title":{"rendered":"Overtraining &#8211; um t\u00f3pico t\u00e9cnico"},"content":{"rendered":"<p>Overtraining (esse t\u00f3pico n\u00e3o \u00e9 um coment\u00e1rio de natureza pol\u00edtica ou filos\u00f3fica &#8211; \u00e9 um relato da minha experi\u00eancia e alguma pesquisa)<\/p>\n<p>Resolvi fazer essa pesquisinha sobre overtraining e partilhar meus achados por um motivo: aconteceu comigo agora. As \u00faltimas semanas foram de muito trabalho e hor\u00e1rios malucos para dormir e treinar. Enquanto tudo isso acontecia, eu continuava tendo que acordar \u00e0s 6h para levar minha filha para a escola. \u00c0s vezes chegava muito cansada no treino, mas depois da primeira s\u00e9rie, o corpo \u201cpegava no tranco\u201d. Acostumei com o esquema \u2013 sempre respondia bem. Nem me dei conta de que minha dor lombar n\u00e3o passava de jeito nenhum. Nem que meu nariz est\u00e1 toda hora escorrendo. At\u00e9 que quinta-feira fui treinar e&#8230; o corpo n\u00e3o pegou no tranco. Era dia de posterior de coxa e costas \u2013 meu treino mais pesado da semana e um dos que mais curto. Forcei, forcei e em vez daquela sensa\u00e7\u00e3o de \u201cbarato da for\u00e7a\u201d (acho que todos vcs sabem a que me refiro), que d\u00e1 um puta pique e at\u00e9 uma certa euforia, s\u00f3 fiquei mais mole, cansada e com sono. Levantei da flexora e estava tonta, mas n\u00e3o era hipoglicemia de jeito nenhum. Discuti com os amigos professores e resolvi tirar o dia sem treino. O resto do dia foi estranh\u00edssimo, parecia que eu tinha tomado uma caixa de Valium: mole, chapada, a\u00e9rea. Deitei mas n\u00e3o dormi. De noite, s\u00f3 peguei no sono \u00e0s 2 da manh\u00e3 e acordei \u00e0s 5. Depois dormi de novo \u00e0s 7, acordei \u00e0s 9. Tudo maluco: sem fome, moleza mas sem pegar no sono, meio besta. Fui no m\u00e9dico, nenhuma doen\u00e7a. Ficou muito claro: overtraining.<br \/>\nEntrei no PubMed para buscar as publica\u00e7\u00f5es mais recentes e n\u00e3o me surpreendi com o fato de que quase tudo se referia a \u201cendurance sports\u201d, ou esportes de resist\u00eancia, como maratona, nata\u00e7\u00e3o etc.<br \/>\nDe qualquer forma, partilho aqui o que achei.<br \/>\nOvertraining \u00e9 considerado clinicamente uma DESORDEM NEURO-END\u00d3CRINA. Segundo Mark Jenkins (http:\/\/www.rice.edu\/~jenky\/sports\/overtraining.html ), overtraining pode ser definido como o estado em que o atleta foi repetidamente estressado at\u00e9 o ponto em que o repouso n\u00e3o \u00e9 mais suficiente para permitir recupera\u00e7\u00e3o. A \u201cs\u00edndrome do overtraining\u201d (SO) \u00e9 o nome dado \u00e0 cole\u00e7\u00e3o de sintomas f\u00edsicos, emocionais e comportamentais que se instalam quando o overtraining durou mais do que algumas semanas. O sintoma mais comum \u00e9 a fadiga persistente. Outros sintomas s\u00e3o a maior vulnerabilidade a infec\u00e7\u00f5es virais, constantes les\u00f5es ou dores musculares, padr\u00e3o de sono alterado, perda de apetite e perda de peso. Estudos fisiol\u00f3gicos e bioqu\u00edmocos mostraram altera\u00e7\u00f5es variadas no organismo das v\u00edtimas da SO. A performance atl\u00e9tica cai, os n\u00edveis de cortisol s\u00e3o aumentados e os de testosterona reduzidos, al\u00e9m de um status imunol\u00f3gico alterado e aumento de sub-produtos de degrada\u00e7\u00e3o muscular no soro.<br \/>\nParece que existem duas formas da SO: a SIMP\u00c1TICA e a PARASSIMP\u00c1TICA. A simp\u00e1tica est\u00e1 mais associada aos esportes de explos\u00e3o, enquanto a parassimp\u00e1tica mais aos de resist\u00eancia (no sentido de endurance). Suponho que a simp\u00e1tica tb esteja mais associada aos esportes de for\u00e7a. Os dados experimentais s\u00e3o muito controversos e n\u00e3o h\u00e1 muita explica\u00e7\u00e3o sobre as evid\u00eancias identificadas, como uma redu\u00e7\u00e3o na frequ\u00eancia card\u00edaca de repouso na forma parassimp\u00e1tica, enquanto na simp\u00e1tica se observa o oposto.<br \/>\nSmith (2004) sugere que a causa subjacente da SO seja trauma. A hip\u00f3tese da autora \u00e9 que a combina\u00e7\u00e3o entre treino\/competi\u00e7\u00e3o excessivos e repouso insuficiente causa trauma repetitivo nos tecidos, seja no m\u00fasculo e\/ou tecido conjuntivo e\/ou estruturas \u00f3sseas. Isso resultaria em inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica. Esse tecido traumatizado sintetizaria CITOQUINAS (CYTOKINES, acho que \u00e9 citoquinas em portugu\u00eas), mol\u00e9culas inflamat\u00f3rias. Citoquinas coordenam diferentes sistemas do organismo para promover recupera\u00e7\u00e3o. O que eu achei mais divertido foi aprender que essas citoquinas (IL-1b, IL-6, and TNF-a) s\u00e3o os mensageiros qu\u00edmicos que sinalizam para o c\u00e9rebro gerar o \u201csickness behavior\u201d (comportamento doente) \u2013 depress\u00e3o, falta de apetite, libido menor, etc. -, que de fato otimizam a recupera\u00e7\u00e3o! Elas tamb\u00e9m inibem certos horm\u00f4nios no hipot\u00e1lamo que regulam a libera\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica de testosterona. Finalmente \u2013 sim! \u2013 elas regulam o aumento da produ\u00e7\u00e3o de cortisol.<br \/>\nSegundo essa revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica recente, o melhor indicador para a SO \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o subjetiva do atleta. Se ele sente que 24-48 horas n\u00e3o foram suficientes para recuperar-se de um treino, ent\u00e3o a SO pode estar se instalando. A recupera\u00e7\u00e3o da SO leva em geral de 6-12 semanas.<br \/>\nTodos os estudos recomendam o seguinte como medidas profil\u00e1ticas:<br \/>\n1.\tmonitorar cuidadosamente o treino, anotando par\u00e2metros de performance e subjetivos;<br \/>\n2.\tperiodizar o treino para permitir per\u00edodos de menor intensidade e volume;<br \/>\n3.\tn\u00e3o aumentar abruptamente a intensidade do treino;<br \/>\n4.\tpelo menos um dia de repouso completo por semana;<br \/>\n5.\tvariedade no treinamento;<br \/>\n6.\tmuito cuidado com a nutri\u00e7\u00e3o<br \/>\n7.\tmuito cuidado com fatores estressantes externos (trabalho, fam\u00edlia, etc.): quando eles se tornam maiores, reduzir a intensidade do treino;<br \/>\n8.\tDISCIPLINAR O REPOUSO (acho que usei caixa alta para mim mesma&#8230;): O FATOR MAIS IMPORTANTE NA INSTALA\u00c7\u00c3O DA SO \u00c9 O REPOUSO INADEQUADO.<\/p>\n<p>O tratamento para a SO \u00e9 repouso e nutri\u00e7\u00e3o adequada. Alguns estudos recomendam algum superavit cal\u00f3rico.<br \/>\nAbaixo voc\u00eas podem encontrar alguns dos par\u00e2metros que a literatura associa \u00e0 SO (outra hora eu traduzo \u2013 agora quero colocar online).<\/p>\n<p>Table 1. Signs and symptoms associated with overtraining<br \/>\nsyndrome (based on 29, 55, 73, 75).<\/p>\n<p>Performance parameters<\/p>\n<p>Decreased performance<br \/>\nInability to meet previous standards<br \/>\nProlonged recovery<br \/>\nReduced toleration of loading<br \/>\nDecreased muscular strength<br \/>\nDecreased maximum work capacity<\/p>\n<p>Physiological<\/p>\n<p>Changes in blood pressure<br \/>\nChanges in heart rate at rest, during exercise, and during recovery<br \/>\nIncreased frequency of respiration<br \/>\nIncreased oxygen consumption at submaximal exercise intensities<br \/>\nDecreased body fat<br \/>\nDecreased lean body mass<br \/>\nElevated basal metabolic rate<\/p>\n<p>Psychological\/behavioral<\/p>\n<p>Constant fatigue<br \/>\nReduced appetite<br \/>\nChange in sleep patterns (hyper- or hyposomnia)<br \/>\nDepression<br \/>\nGeneral apathy<br \/>\nDecreased self-esteem<br \/>\nEmotional instability<br \/>\nFear of competition<br \/>\nEasily distracted<br \/>\nGives up when the going gets tough<br \/>\nInformation processing<br \/>\nLoss of coordination<br \/>\nReappearance of previously corrected mistakes<br \/>\nDifficulty in concentrating<br \/>\nDecreased capacity to deal with large amounts of information<br \/>\nReduced capacity to correct technical faults<\/p>\n<p>Biochemical parameters<\/p>\n<p>Rhabdomyolysis<br \/>\nElevated C-reactive protein<br \/>\nElevated creatine kinase<br \/>\nNegative nitrogen balance<br \/>\nIncreased urea concentration<br \/>\nIncreased uric acid production<br \/>\nHypothalamic dysfunction<br \/>\nDepressed muscle glycogen levels<br \/>\nDecreased hemoglobin<br \/>\nDecreased free testosterone<br \/>\nIncreased serum cortisol<br \/>\nDecreased serum iron and ferritin<\/p>\n<p>Immunological parameters<\/p>\n<p>Constant fatigue<br \/>\nComplaints of muscle and joint aches and pains<br \/>\nHeadaches<br \/>\nNausea<br \/>\nGastrointestinal disturbances<br \/>\nIncreased aches and pains<br \/>\nMuscle soreness\/tenderness<br \/>\nIncreased susceptibility to and severity of illnesses, colds, and<br \/>\nallergies<br \/>\nReactivation of herpes viral infection<br \/>\nBacterial infections<br \/>\nOne-day colds<br \/>\nSwelling of lymph glands<\/p>\n<p>Smith, L.L. Tissue trauma: the underlying cause of overtraining syndrome? J. Strength Cond. Res. 18(1):184\u2013191. 2004.<\/p>\n<p>Marilia <\/p>\n<p style=\"margin-top: 0; margin-bottom: 0\"><b><font face=\"Georgia\" size=\"1\"><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.bodystuff.org\/\">BodyStuff<\/a><\/font><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Overtraining (esse t\u00f3pico n\u00e3o \u00e9 um coment\u00e1rio de natureza pol\u00edtica ou filos\u00f3fica &#8211; \u00e9 um relato da minha experi\u00eancia e alguma pesquisa) Resolvi fazer essa pesquisinha sobre overtraining e partilhar meus achados por um motivo: aconteceu comigo agora. As \u00faltimas semanas foram de muito trabalho e hor\u00e1rios malucos para dormir e treinar. 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