{"id":5259,"date":"2006-03-14T12:26:00","date_gmt":"2006-03-14T12:26:00","guid":{"rendered":"https:\/\/inveske.co.uk\/fases-do-amadurecimento-feminino-a-puberdade\/"},"modified":"2006-03-14T12:26:00","modified_gmt":"2006-03-14T12:26:00","slug":"fases-do-amadurecimento-feminino-a-puberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/fases-do-amadurecimento-feminino-a-puberdade\/","title":{"rendered":"Fases do amadurecimento feminino \u2013 a puberdade"},"content":{"rendered":"<p>Trata-se agora de saber como essa constru\u00e7\u00e3o de uma identidade feminina mais positiva e saud\u00e1vel se integra no ciclo de vida da mulher.<br \/>\nComecemos por quando ela se transforma em f\u00eamea reprodutiva, ou seja, na puberdade. <\/p>\n<p>Resumidamente, a puberdade hormonal consiste da seguinte sequ\u00eancia:<br \/>\n1.\to hipot\u00e1lamos come\u00e7a a secretar GnRH (gonadotrophin releasing hormone)<br \/>\n2.\tAs c\u00e9lulas da gl\u00e2ndula pituit\u00e1ria respondem secretando LH (lutheinizing hormone \u2013 horm\u00f4nio luteinizante) e FSH (folicle stimulating hormone) na circula\u00e7\u00e3o<br \/>\n3.\tOv\u00e1rios e test\u00edculos (as g\u00f4nadas) respondem ao aumento desses horm\u00f4nios se desenvolvendo e come\u00e7ando a produzir estradiol e testosterona<br \/>\n4.\tEsses n\u00edveis mais elevados de estradiol e testosterona produzem as mudan\u00e7as corporais que caracterizam a puberdade<\/p>\n<p>Nas meninas, \u00e0 medida que aumenta a secre\u00e7\u00e3o de LH, as c\u00e9lulas theca dos ov\u00e1rios come\u00e7am a produzir testosterona e pequenas quantidades de progesterona. Boa parte da testosterona \u00e9 captada por um tecido adjacente que, sob a\u00e7\u00e3o da enzima aromatase, sens\u00edvel ao aumento de FSH, convertem essa testosterona em estradiol.<br \/>\nOs n\u00edveis mais elevados de estradiol produzem as mudan\u00e7as estrog\u00eanicas do corpo feminino: crescimento, acelera\u00e7\u00e3o da matura\u00e7\u00e3o \u00f3ssea, crescimento dos seisos, aumento da porcentagem de gordura, crescimento do \u00fatero, espessamento do endometrio e da mucosa vaginal e alargamento da pelvis.<br \/>\nOs n\u00edveis de andr\u00f3genos adrenais e testosterona tamb\u00e9m aumentam durante a puberdade, produzindo as mudan\u00e7as androg\u00eanicas da puberdade feminina: pelos pubianos, outros pelos androg\u00eanicos, odor corporal e acne.<\/p>\n<p>Trabalhos recentes t\u00eam mostrado que as mudan\u00e7as em composi\u00e7\u00e3o corporal comandadas pelas altera\u00e7\u00f5es end\u00f3crinas da puberdade s\u00e3o determinantes n\u00e3o apenas da composi\u00e7\u00e3o corporal do adulto como das tend\u00eancias ao desenvolvimento de desordens relacionadas ao ac\u00famulo de gordura corporal, como diabetes e doen\u00e7as card\u00edacas.<br \/>\nA gordura corporal aumenta mais rapidamente em meninas do que em meninos, entre 8 e 15 anos, estabilizando-se a\u00ed. O aumento de massa magra em mulheres tamb\u00e9m aumenta at\u00e9 aproximadamente 15 anos, permanecendo est\u00e1vel a partir desta idade. Nos meninos, a tend\u00eancia \u00e9 diferente: o aumento de massa magra \u00e9 mais acentuado e mais prolongado, sendo a maior taxa de aumento observada entre 12 e 15 anos.<br \/>\nEnquanto a correla\u00e7\u00e3o entre a composi\u00e7\u00e3o corporal da crian\u00e7a e do adulto no mesmo indiv\u00edduo \u00e9 moderada, a correla\u00e7\u00e3o entre a composi\u00e7\u00e3o corporal do adolescente e do adulto \u00e9 alt\u00edssima. Por exemplo, entre crian\u00e7as entre 8 e 13 anos com um IMC maior que o 95\u00ba percentil, 33% dos meninos e 50% das meninas continuam obesos como adultos, enquanto para adolescentes entre 13 e 18 anos com um IMC superior ao 95\u00ba percentil, 50% dos meninos e 66% das meninas se tornam adultos obesos.<br \/>\nMuitas dessas transforma\u00e7\u00f5es s\u00e3o mediadas pelas adipocitocinas (leptina, adiponectina e resistina), horm\u00f4nios produzidos pelo tecido adiposo, que se torna endrocrinologicamente ativo. Existe um dimorfismo sexual acentuado com rela\u00e7\u00e3o a isso, sendo que as meninas t\u00eam n\u00edveis bem mais altos de leptina, mesmo controlando por porcentagem de gordura corporal.<br \/>\nEsse estudo evidencia a maior vulnerabilidade das mulheres quanto aos danos resultantes de uma composi\u00e7\u00e3o corporal desfavor\u00e1vel na adolesc\u00eancia.<br \/>\n[Siervogel et al. Puberty and Body Composition Horm Res 2003;60(suppl 1):36\u201345]<\/p>\n<p>Outro estudo aponta um aspecto ainda mais complexo dessa vulnerabilidade: enquanto o gasto energ\u00e9tico total nos meninos aumenta anualmente da inf\u00e2ncia \u00e0 puberdade, nas meninas o padr\u00e3o sofre uma descontinuidade. H\u00e1 um aumento inicial entre 5.5 anos e 6.5 anos (1365 +\/- 330 kcal\/dia para 1815 +\/- 392 kcal\/dia), mas a partir dos 9.5 anos, ocorre uma redu\u00e7\u00e3o significativa (1608 +\/- 284 kcal\/dia), sem mudan\u00e7as na ingest\u00e3o cal\u00f3rica. Essa diferen\u00e7a de g\u00eanero no consumo total de enerbia \u00e9 explicada por uma redu\u00e7\u00e3o de 50% em atividade f\u00edsica (kcal\/dia e horas\/semana) nas meninas entre 6.5 e 9.5 anos. Esses dados sugeresm que existe um dimorfismo sexual no desenvolvimento que precede a instala\u00e7\u00e3o da puberdade, com um padr\u00e3o de conserva\u00e7\u00e3o de energia nas meninas \u00e0 custa de redu\u00e7\u00e3o em atividade f\u00edsica. Se a origem deste padr\u00e3o \u00e9 de natureza gen\u00e9tica ou cultural, o estudo n\u00e3o esclareceu.<br \/>\nNo entanto, parece no m\u00ednimo fortemente prov\u00e1vel que o componente cultural seja decisivo e que essa redu\u00e7\u00e3o na atividade f\u00edsica imp\u00f5e elevados custos \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica, onerando as mulheres com riscos muito mais altos de desordens alimentares e end\u00f3crinas.<\/p>\n<p>[Goran et al. Developmental Changes in Energy Expenditure and Physical Activity in Children: Evidence for a Decline in Physical Activity in Girls Before Puberty PEDIATRICS Vol. 101 No. 5 May 1998]<\/p>\n<p>A melhor maneira de controlar essas transforma\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis em composi\u00e7\u00e3o corporal e tamb\u00e9m em gasto energ\u00e9tico \u00e9 atrav\u00e9s da atividade f\u00edsica. No entanto, n\u00e3o qualquer atividade f\u00edsica, e sim uma que proporcione uma estrat\u00e9gia deliberada para aumento do tecido muscular em detrimento do tecido adiposo. Essa atividade \u00e9 a muscula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Marilia <\/p>\n<p style=\"margin-top: 0; margin-bottom: 0\"><b><font face=\"Georgia\" size=\"1\"><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.bodystuff.org\/\">BodyStuff<\/a><\/font><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trata-se agora de saber como essa constru\u00e7\u00e3o de uma identidade feminina mais positiva e saud\u00e1vel se integra no ciclo de vida da mulher. 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