{"id":5272,"date":"2006-04-21T21:57:00","date_gmt":"2006-04-21T21:57:00","guid":{"rendered":"https:\/\/inveske.co.uk\/poder-controle-control-freaknesse-e-impotencia\/"},"modified":"2006-04-21T21:57:00","modified_gmt":"2006-04-21T21:57:00","slug":"poder-controle-control-freaknesse-e-impotencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/poder-controle-control-freaknesse-e-impotencia\/","title":{"rendered":"Poder, controle, control freaknesse e impot\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Segundo Max Weber, poder \u00e9 a oportunidade residente nas rela\u00e7\u00f5es sociais que permite a algu\u00e9m realizar sua vontade mesmo que contra resist\u00eancia, independente no que consista essa oportunidade. Quando o exerc\u00edcio desse poder envolve exercer for\u00e7a contra tal resist\u00eancia, falamos em coers\u00e3o. <\/p>\n<p>\u00c9 muito parecido com o sentido de \u201ccontrole\u201d. Controle \u00e9 a capacidade de exercer influ\u00eancia ou autoridade sobre algo.<\/p>\n<p>Do ponto de vista sociol\u00f3gico, poder implica \u201crela\u00e7\u00f5es de poder\u201d, j\u00e1 que ningu\u00e9m possui zero poder. A capacidade de exercer poder depende da distribui\u00e7\u00e3o do mesmo entre as partes que se relacionam.<\/p>\n<p>Do ponto de vista individual \u00e9 diferente. A forma e quantidade de poder determina a POSI\u00c7\u00c3O ou LUGAR da pessoa em um sistema social qualquer, ou seja, quem ela \u00e9 naquela sociedade. Numa sociedade estratificada e complexa como a nossa, o poder \u00e9 traduzido de formas muito diferentes para cada sub-cultura, , mas sempre, em qualquer hip\u00f3tese, poder \u00e9 diretamente proporcional ao que quer que seja considerado benef\u00edcio para aquele grupo. Todos querem poder e lutam por ele. Alguns amigos meus cientistas fazem sacrif\u00edcios indescrit\u00edveis para aumentar o n\u00famero e \u00edndice de impacto de suas publica\u00e7\u00f5es. No mundo da ci\u00eancia, publica\u00e7\u00f5es referenciadas s\u00e3o os indicadores admitidos de m\u00e9rito. M\u00e9rito \u00e9 reconhecimento. Reconhecimento \u00e9 a base da atribui\u00e7\u00e3o de poder no campo cient\u00edfico.<br \/>\nOutros amigos fariam qualquer coisa por uma promo\u00e7\u00e3o na empresa. Com a promo\u00e7\u00e3o, v\u00eam novas atribui\u00e7\u00f5es, novos subalternos e um novo e mais alto sal\u00e1rio. Mais gente para controlar. Mais dinheiro para comprar conforto material. Mais dinheiro para significar posi\u00e7\u00e3o, status. <\/p>\n<p>No entanto, todos temos uma rela\u00e7\u00e3o ambivalente com o poder. Poder implica que outros e outras coisas t\u00eam tamb\u00e9m mais poder sobre n\u00f3s \u2013 \u00e9 sempre relacional. Mais poder, mais capacidade de controle, tamb\u00e9m implicam mais responsabilidade. \u00c0s vezes perder poder pode ser libertador. N\u00e3o ter poder nenhum \u00e9, de certa forma, c\u00f4modo.<\/p>\n<p>Existem aquelas pessoas, que todos j\u00e1 conhecemos e alguns de n\u00f3s somos, que t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o irracional e sem objetividade com o poder. Pessoas que precisam controlar rigorosamente tudo. Todos j\u00e1 tivemos chefes assim. Quando olhamos de perto para essas pessoas, vemos que elas buscam freneticamente uma coisa perdida. Na esfera privada, telefonam para esposas, maridos e filhos para saber onde est\u00e3o; precisam de previs\u00f5es precisas sobre todos os acontecimentos; fazem contas, c\u00e1lculos, tudo com uma dose exagerada de ansiedade. Mudan\u00e7as no hor\u00e1rio do v\u00f4o, atrasos, desencontram tiram essas pessoas do eixo. S\u00e3o os \u201ccontrol freaks\u201d. <\/p>\n<p>Ningu\u00e9m jamais conseguiu demonstrar a rela\u00e7\u00e3o entre a quantidade de poder inter-pessoal e coisas como \u201csatisfa\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cfelicidade\u201d. Os \u201ccontrol freaks\u201d s\u00e3o sempre infelizes, independente da quantidade de poder de fato que concentrem em suas poderosas m\u00e3os.<\/p>\n<p>Na verdade, existe sim uma rela\u00e7\u00e3o e ela \u00e9 direta, entre a quantidade de poder que se tem sobre si mesmo e o capacidade para este estranho estado que alguns chamamos de felicidade, outros de serenidade, outros de plenitude. Para mim tanto faz. Esse poder sobre n\u00f3s mesmos implica coers\u00e3o, sistemas de controle e submiss\u00e3o e an\u00e1logos de muitas formas de poder inter-pessoal conhecidas. Confrontamos tend\u00eancias de nossos metabolismos energ\u00e9ticos, de nossos neurotransmissores e de nossos horm\u00f4nios. Submetemos NOSSAS NATUREZAS \u00e0 nossa vontade.<\/p>\n<p>Ontem tive informa\u00e7\u00e3o sobre duas situa\u00e7\u00f5es de perda absoluta de controle. Uma de uma mo\u00e7a, jovem m\u00e3e, que ganhou mais de 30 quilos depois do parto. Procurou a ajuda do grupo ao qual perten\u00e7o de atletas, praticantes e estudiosos de treinamento. Contou que buscou os servi\u00e7os de um personal trainer, nutricionistas e m\u00e9dicos, mas o relato dela mostrou que foi obviamente muito mal-orientada. Nos achou e buscou nosso apoio. Ela tomou pelo menos 6 medidas pr\u00f3-ativas para recuperar o controle sobre seu corpo: 1. buscou uma academia; 2. contratou um personal trainer; 3. se engajou num programa de treinamento; 4. contratou um nutricionista; 5. est\u00e1 seguindo uma dieta; 6. contratou um endocrinologista. <\/p>\n<p>O outro caso \u00e9 de uma mulher obesa e portadora de desordens mentais que conhe\u00e7o h\u00e1 alguns anos. Ela tamb\u00e9m deve estar cerca de 30 ou 40 quilos acima de seu peso adequado. No entanto, ao contr\u00e1rio da mo\u00e7a anterior, n\u00e3o toma nenhuma iniciativa no sentido de solucionar nenhum de seus problemas. Pelo contr\u00e1rio: repele as tentativas que outros fazem de remov\u00ea-la de sua rela\u00e7\u00e3o com a infelicidade e a degrada\u00e7\u00e3o f\u00edsica e mental. <\/p>\n<p>Sou otimista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira mo\u00e7a e pessimista em rela\u00e7\u00e3o a esta mulher. Mais de uma d\u00e9cada de conviv\u00eancia com ela ilustrou uma perversa satisfa\u00e7\u00e3o vigente entre os humanos com a pr\u00f3pria mis\u00e9ria, o cruel prazer da irresponsabilidade de que o escravo goza. <\/p>\n<p>O poder sobre si mesmo envolve coers\u00e3o e disciplina, como eu disse. Combater outras vontades: vontades ditadas por nossa insulina, pela propaganda da ind\u00fastria aliment\u00edcia e de consumo em geral e a vontade de outras pessoas que se expressa dentro de n\u00f3s. Criar sistemas arbitr\u00e1rios de prioridades e comportamentos, segundo aquilo que acreditamos, e imp\u00f4-los. <\/p>\n<p>O poder sobre si mesmo \u00e9 a \u00fanica forma de poder positivamente relacionada com a sa\u00fade integral \u2013 corpo e mente. Naturalmente, na condi\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria socio-econ\u00f4mica, ningu\u00e9m consegue desenvolver poder sobre si mesmo porque faltam as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas para que o indiv\u00edduo desloque alguma aten\u00e7\u00e3o das tarefas da sobreviv\u00eancia imediata. O poder sobre si mesmo requer auto-aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cada pessoa acha seu caminho em dire\u00e7\u00e3o ao aumento desse poder. Alguns desenvolvem t\u00e9cnicas de controle mental, como a medita\u00e7\u00e3o. Outros, como eu, buscam a disciplina do corpo e da mente atrav\u00e9s de atividade f\u00edsica e controle da alimenta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o importa por onde se v\u00e1.<\/p>\n<p>Hoje, n\u00e3o tenho d\u00favidas de que o \u00fanico poder que importa \u00e9 o poder que temos sobre n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>Marilia <\/p>\n<p style=\"margin-top: 0; margin-bottom: 0\"><b><font face=\"Georgia\" size=\"1\"><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.bodystuff.org\/\">BodyStuff<\/a><\/font><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo Max Weber, poder \u00e9 a oportunidade residente nas rela\u00e7\u00f5es sociais que permite a algu\u00e9m realizar sua vontade mesmo que contra resist\u00eancia, independente no que consista essa oportunidade. Quando o exerc\u00edcio desse poder envolve exercer for\u00e7a contra tal resist\u00eancia, falamos em coers\u00e3o. \u00c9 muito parecido com o sentido de \u201ccontrole\u201d. 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