{"id":5278,"date":"2006-05-08T20:23:00","date_gmt":"2006-05-08T20:23:00","guid":{"rendered":"https:\/\/inveske.co.uk\/suicidio-2-beringelas-nao-se-matam\/"},"modified":"2006-05-08T20:23:00","modified_gmt":"2006-05-08T20:23:00","slug":"suicidio-2-beringelas-nao-se-matam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/suicidio-2-beringelas-nao-se-matam\/","title":{"rendered":"Suic\u00eddio 2: Beringelas n\u00e3o se matam"},"content":{"rendered":"<p>Antes de contar no que consiste o processo de monitoramento no plano individual, como prometido no post anterior, quero contar sobre as coisas que N\u00c3O d\u00e3o certo do ponto de vista de qualquer coisa que se possa entender como qualidade de vida, mas impedem o suic\u00eddio. Isso coloca um dilema \u00e9tico perante todos n\u00f3s: at\u00e9 que ponto \u00e9 justific\u00e1vel ir para impedir uma morte por doen\u00e7a, seja ela auto-inflingida ou n\u00e3o? Como se mede a rela\u00e7\u00e3o entre custo e benef\u00edcio quando o custo \u00e9 a pr\u00f3pria vida e o benef\u00edcio sua qualidade?<\/p>\n<p>Trata-se aqui do emprego de neurol\u00e9pticos para o controle de desordens de humor, amplamente praticado pela empurroterapia da grande ind\u00fastria farmac\u00eautica e psiquiatria mundial. <\/p>\n<p>Os medicamentos para o controle de desordens de humor, que s\u00e3o as mais fortemente associadas aos \u00f3bitos por suic\u00eddio, s\u00e3o:<br \/>\n1.\tanti-depressivos<br \/>\n2.\testabilizadores de humor<br \/>\n3.\tansiol\u00edticos<br \/>\n4.\tneurol\u00e9pticos<\/p>\n<p>(recomendo fortemente o seguinte link sobre o assunto: http:\/\/www.psycom.net\/depression.central.drugs.html )<\/p>\n<p>Anti-depressivos s\u00e3o amplamente utilizados quando o diagn\u00f3stico \u00e9 depress\u00e3o, embora outras drogas sejam tamb\u00e9m empregadas. No caso de desordem bi-polar, o carnaval farmacol\u00f3gico vai longe: chega-se a fazer prescri\u00e7\u00f5es de mais de seis diferentes medicamentos, em dosagens variadas, de forma que o paciente passa o dia se drogando. Numa ocasi\u00e3o, cheguei a tomar 6 drogas diferentes, em variadas combina\u00e7\u00f5es, ao longo de 7 hor\u00e1rios. Como eu participava do maior grupo internacional online de pacientes bipolares, a lista de discuss\u00e3o \u201cpendulum\u201d, n\u00e3o estranhava, j\u00e1 que a maioria dos portadores era medicada como eu.<\/p>\n<p>Quase todos os medicamentos psicotr\u00f3picos causam um ou todos os seguintes efeitos colaterais:<br \/>\n&#8211; decr\u00e9scimo ou perda da libido;<br \/>\n&#8211; aumento de peso (de causas controvertidas);<br \/>\n&#8211; redu\u00e7\u00e3o do n\u00edvel geral de \u201calertness\u201d e vitalidade;<br \/>\n&#8211; perdas cognitivas;<br \/>\n&#8211; perdas em acuidade e controle motor;<br \/>\n&#8211; apatia;<\/p>\n<p>A ind\u00fastria farmac\u00eautica encobre o real impacto destes efeitos colaterais atrav\u00e9s de pesquisas financiadas (\u201cpropina\u201d aos m\u00e9dicos e cientistas), mas uma boa pesquisa do PubMed revela o que realmente ocorre. Uma pesquisa melhor ainda nos depoimentos dos pacientes revela MUITO mais, j\u00e1 que todo paciente \u201centurmado\u201d sabe que os \u00fanicos medicamentos que n\u00e3o tornam voc\u00ea uma bolha assassina s\u00e3o lamotrigina e topiramato, sendo que este \u00faltimo n\u00e3o engorda, mas o transforma num retardado in\u00fatil.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos, o laborat\u00f3rio Lilly lan\u00e7ou no mercado a olanzepina, sob o nome comerzial de ZYPREXA. Esta \u00e9 definitivamente a droga do inferno. <\/p>\n<p>Meu diagn\u00f3stico foi quase sempre o de desordem bi-polar, mas pairavam algumas d\u00favidas por causa de sintomas dif\u00edceis de interpretar. Uma \u00fanica vez, dos mais de 20 psiquiatras que me diagnosticaram, um deles disse acreditar que eu era portadora de Borderline Personality Disorder. N\u00e3o vou revelar o nome do infeliz porque \u00e9 amigo de um amigo meu, mas os outros m\u00e9dicos que souberam desse diagn\u00f3stico ficaram indignados. BPD \u00e9 o equivalente, em linguagem psiqui\u00e1trica, de \u201cgrande filho da puta mau-car\u00e1ter\u201d. Quando o psiquiatra n\u00e3o vai com a sua cara, voc\u00ea vira um BPD. Esse psiquiatra, que \u00e9 conhecido por ser um bom neurologista e completamente incompetente na psiquiatria, n\u00e3o foi nada, nada com a minha cara. E eu virei uma BPD. Ele me prescreveu Zyprexa.<\/p>\n<p>Zyprexa \u00e9 um neurol\u00e9ptico que a Lilly for\u00e7ou goela abaixo dos pacientes bipolares atrav\u00e9s de uma efeciente campanha de enfiar d\u00f3lares nos bolsos dos psiquiatras: funcionou. No primeiro dia j\u00e1 se sente a apatia se instalando. Como todo neurol\u00e9ptico, Zyprexa inibe TUDO, n\u00e3o apenas seus sintomas fora de controle. A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 como se voc\u00ea fosse instantaneamente esvaziado de voc\u00ea mesmo. N\u00e3o se tem energia para rigorosamente nada. Sabendo que eram sintomas da droga, me forcei a praticar atividade f\u00edsica todos os dias e mantive a dieta restrita, pois li a respeito dos enormes ganhos de peso causados pela droga. Mesmo assim, ganhei 3 quilos em duas semanas de uso.<\/p>\n<p>N\u00e3o me mutilei nenhuma vez, mas, pela primeira vez na doen\u00e7a, o desejo de n\u00e3o estar viva (n\u00e3o o desejo de me matar) se tornou uma id\u00e9ia obsessiva e permanente. Eu n\u00e3o tinha outro pensamento se n\u00e3o o de parar de viver. No entanto, n\u00e3o conseguia ter iniciativa para praticar nenhum ato agressivo contra mim mesma. A imagem que mais ficou desse estranho e horr\u00edvel per\u00edodo foi de mim mesma correndo na esteira da academia, pensando o que aconteceria se eu acelerasse minha frequ\u00eancia card\u00edaca sem respeitar nenhum limite subjetivo. Devaneava com a pat\u00e9tica possibilidade de me matar por parada card\u00edaca por esfor\u00e7o de corrida, contra todo meu conhecimento de fisiologia do exerc\u00edcio.<\/p>\n<p>Essa foi uma das poucas drogas que n\u00e3o consegui insistir em usar. Todas as outras mereceram de mim, infelizmente, um cr\u00e9dito, at\u00e9 que, depois de 4, 6, 10 meses sem nenhum efeito, sofrendo e me agredindo, ela era trocada por outra coisa in\u00fatil&#8230;<\/p>\n<p>Foi assim, por anos, at\u00e9 2004.<\/p>\n<p>Marilia <\/p>\n<p style=\"margin-top: 0; margin-bottom: 0\"><b><font face=\"Georgia\" size=\"1\"><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.bodystuff.org\/\">BodyStuff<\/a><\/font><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de contar no que consiste o processo de monitoramento no plano individual, como prometido no post anterior, quero contar sobre as coisas que N\u00c3O d\u00e3o certo do ponto de vista de qualquer coisa que se possa entender como qualidade de vida, mas impedem o suic\u00eddio. 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