{"id":5294,"date":"2006-06-07T22:50:00","date_gmt":"2006-06-07T22:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/inveske.co.uk\/o-amor-e-a-falta-dele-uma-perspectiva-fisiologica\/"},"modified":"2006-06-07T22:50:00","modified_gmt":"2006-06-07T22:50:00","slug":"o-amor-e-a-falta-dele-uma-perspectiva-fisiologica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/o-amor-e-a-falta-dele-uma-perspectiva-fisiologica\/","title":{"rendered":"O Amor e a falta dele \u2013 uma perspectiva fisiol\u00f3gica"},"content":{"rendered":"<div>Recentemente, pesquisadores t\u00eam se debru\u00e7ado sobre a fisiologia do amor. Cada vez mais \u00e9 consenso que os primeiros est\u00e1gios do amor rom\u00e2ntico (poucos meses) constituem um estado qualitativamente diferente de outros, do ponto de vista fisiol\u00f3gico e neuroqu\u00edmico.<\/div>\n<div>A pesquisa mais recente publicada a respeito das respostas neuroqu\u00edmicas ao amor rom\u00e2ntico mostram que ocorre um significativo aumento dos n\u00edveis plasm\u00e1ticos de uma neurotrofina espec\u00edfica: o NGF (nerver growth factor). Essa mesma pesquisa pode demonstrar, al\u00e9m disso, que os n\u00edveis plasm\u00e1ticos de NGF s\u00e3o proporcionais \u00e0 intensidade do sentimento, avaliada atrav\u00e9s de uma escala (Emanuele et al 2006).<\/div>\n<div>Em outro estudo, altera\u00e7\u00f5es nos n\u00edveis dos seguintes horm\u00f4nios foram medidas: <span style=\"COLOR: black\">FSH, LH, estradiol, progesterone, dehydroepiandrosterone sulphate (DHEAS), cortisol, testosterone and androstenedione. Os n\u00edveis de cortisol se mostraram significativamente mais elevados, enquanto a testosterona aumentou em mulheres e diminuiu em homens (Marazziti &amp; Canale 2004).<\/span><\/div>\n<div><span style=\"COLOR: black\">Outras linhas de investiga\u00e7\u00e3o exploram os paralelos entre a desordem obsessiva-compulsiva e os primeiros est\u00e1gios do amor rom\u00e2ntico. Os resultados, que mediram os n\u00edveis do transportador de serotonina (5-HT), mostraram que as altera\u00e7\u00f5es nos n\u00edveis desta prote\u00edna s\u00e3o semelhantes nas duas condi\u00e7\u00f5es (Marazziti et al 1999).<\/span><\/div>\n<div><span style=\"COLOR: black\">S\u00e3o estes paralelos e compara\u00e7\u00f5es com outras condi\u00e7\u00f5es que mais luz, a meu ver, trazem para o entendimento do fen\u00f4meno do amor, especificamente em seu primeiro est\u00e1gio, tamb\u00e9m chamado de amor passional ou amor rom\u00e2ntico.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"COLOR: black\">Por exemplo: o aumento dos n\u00edveis de NGF detectados por Emanuele et al (2006) indicam uma intensa atividade neurol\u00f3gica de preserva\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o do tecido nervoso entre apaixonados. O NGF \u00e9 uma prote\u00edna da fam\u00edlia das neurotrofinas, que inclui tamb\u00e9m o BDNF (brain derived neurotrophic factor), a NT-3 (neurotrophin 3) e a NT-4 (neurotrophin 4). Elas est\u00e3o envolvidas na inibi\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno de apoptose, que remove c\u00e9lulas. Estudos post-mortem feitos em c\u00e9rebros de suicidas demonstram que estes t\u00eam comportamento oposto ao dos amantes apaixonados, exibindo uma significativa REDU\u00c7\u00c3O nos n\u00edveis de NGF (Dwivedi et al 2005). Assim, se apaixonar \u00e9 neuroquimicamente o inverso do suic\u00eddio. <\/span><\/div>\n<div><span style=\"COLOR: black\">Outra compara\u00e7\u00e3o interessante diz respeito ao papel das neurotrofinas, no caso as BDNF, no comportamento de abstin\u00eancia de drogas. A \u201cfissura\u201d pela droga parece ser proporcional aos n\u00edveis dessa subst\u00e2ncia (Lu et al 2004). Esse dado combinado com a evid\u00eancia quanto ao paralelo neuroqu\u00edmico entre a paix\u00e3o e a desordem obsessiva-compulsiva parecem explicar a centralidade que o objeto do amor ocupa na vida dos apaixonados durante esse curto per\u00edodo de \u2013 eu diria \u2013 alt\u00edssima auto-intoxica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"COLOR: black\">Todas estas evid\u00eancias sugerem algumas reflex\u00f5es selvagens e outras nem tanto. Uma delas diz respeito ao fen\u00f4meno do fim da paix\u00e3o. N\u00e3o digo fim de casamento, ruptura de rela\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o fen\u00f4menos variad\u00edssimos, imposs\u00edveis de se colocar na mesma categoria para estudo. Digo quando de repente a paix\u00e3o acaba. Uma das coisas que se poderia esperar seria uma enorme s\u00edndrome de abstin\u00eancia, explicada pelos elevados n\u00edveis de neurotrofinas na aus\u00eancia do objeto de satisfa\u00e7\u00e3o. A outra seria o comportamento auto-destrutivo, uma vez que ca\u00edssem esses n\u00edveis, \u00e0 semelhan\u00e7a dos suic\u00eddios.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"COLOR: black\">Ter consci\u00eancia disso pode ser libertador (para mim \u00e9 e est\u00e1 sendo). Mostra que essa dor, desconforto e inc\u00f4modo todo que se segue a uma grande decep\u00e7\u00e3o amorosa pode n\u00e3o ser de forma alguma a falta do ser amado e pode at\u00e9 n\u00e3o ter nada a ver com ele. \u00c9 uma falta do envolvimento amoroso em si. Falta o sentimento que era a usina de um complexo neuroqu\u00edmico que dava contexto a tudo que sent\u00edamos, pens\u00e1vamos e faz\u00edamos. Aquela sensa\u00e7\u00e3o de estranhamento do \u201cdia seguinte\u201d&nbsp;da grande decep\u00e7\u00e3o nada mais \u00e9 do que essa mudan\u00e7a de contexto. Tudo que faz\u00edamos precisa ser reconfigurado, novos sentidos atribu\u00eddos aos projetos, objetos e atividades, j\u00e1 que a sopa neuroqu\u00edmica que coloria tudo mudou. <\/span><\/div>\n<div><span style=\"COLOR: black\">Mais loucamente, isso explicaria por que algumas pessoas imediatamente substituem um objeto de paix\u00e3o por outro, como se a pessoa que se ama n\u00e3o importasse. \u00c9 porque n\u00e3o importa mesmo! Ela est\u00e1 l\u00e1 para alimentar a usina neuroqu\u00edmica, mantendo o \u201cviciado\u201d satisfeito.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"COLOR: black\">Faz sentido?<\/span><\/div>\n<div><span style=\"COLOR: black\">Para mim faz \u2013 UFA!<\/span><\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Dwivedi Y, Mondal AC, Rizavi HS, Conley RR. Suicide brain is associated with decreased expression of neurotrophins. Biol Psychiatry. 2005 Aug 15;58(4):315-24.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Emanuele E, Politi P, Bianchi M, Minoretti P, Bertona M, Geroldi D. Raised plasma nerve growth factor levels associated with early-stage romantic love. Psychoneuroendocrinology. 2006 Apr;31(3):288-94. Epub 2005 Nov 10. <\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Lu L, Dempsey J, Liu SY, Bossert JM, Shaham Y. A single infusion of brain-derived neurotrophic factor into the ventral tegmental area induces long-lasting potentiation of cocaine seeking after withdrawal. J Neurosci. 2004 Feb 18;24(7):1604-11.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Marazziti D, Akiskal HS, Rossi A, Cassano GB. Alteration of the platelet serotonin transporter in romantic love. Psychol Med. 1999 May;29(3):741-5.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Marazziti D, Canale D.Hormonal changes when falling in love.Psychoneuroendocrinology. 2004 Aug;29(7):931-6.<\/div>\n<div>&nbsp;<br \/>Marilia<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.bodystuff.org\">BodyStuff<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente, pesquisadores t\u00eam se debru\u00e7ado sobre a fisiologia do amor. 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