{"id":5302,"date":"2006-06-28T21:49:00","date_gmt":"2006-06-28T21:49:00","guid":{"rendered":"https:\/\/inveske.co.uk\/cores-verdadeiras\/"},"modified":"2006-06-28T21:49:00","modified_gmt":"2006-06-28T21:49:00","slug":"cores-verdadeiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/cores-verdadeiras\/","title":{"rendered":"Cores verdadeiras"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"3\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"WIDTH: 242px; HEIGHT: 200px\" height=\"427\" alt=\"\" width=\"365\" src=\"http:\/\/arania.kamiki.net\/sabinkamikicontest\/Sam%20Skip%20Sam%20True%20Colors.JPG\" \/><\/p>\n<p>Hoje recebi um texto de algu\u00e9m muito especial. Esse texto era sobre aquilo que est\u00e1 por tr\u00e1s do aparente, que \u00e0s vezes chamamos de \u00e2mago (\u201ccore\u201d), ess\u00eancia ou cor verdadeira. As minhas cores verdadeiras, mas tamb\u00e9m as dele. Segundo entendo do que ele me diz, \u00e9 poss\u00edvel se despir das m\u00e1scaras do espa\u00e7o, aquelas que usamos, aqui e agora, para simular cascas e tecidos \u00edntegros onde na verdade existe ferida, buraco, dano. Mas tamb\u00e9m seria poss\u00edvel se despir das m\u00e1scaras do tempo, da hist\u00f3ria e da Hist\u00f3ria.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"3\">Como fazer isso e exibir tais cores verdadeiras, sempre mais vivas, mais fortes do que queremos? Isso requer um alto grau de honestidade consigo mesmo e com os outros \u2013 \u201cFrank-ness\u201d -, coragem e uma enorme dose de compaix\u00e3o. Esses s\u00e3o os atributos que permitem alcan\u00e7ar coisas escondidas, coisas que s\u00f3 a liberdade alcan\u00e7a. <\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"3\">Como sou cin\u00e9fila e tenho um pensamento imag\u00edstico, mem\u00f3rias de experi\u00eancias e filmes come\u00e7am a se amontoar quando algo me toca forte. Lembrei de um filme antigo, que eu achava ser do Orson Wells mas n\u00e3o encontro agora na filmografia dele. Um sujeito ia parar numa ilha estranha e l\u00e1 pelas tantas descobria que os habitantes eram, na verdade, deuses da mitologia grega. O patriarca tinha uma identidade humana e estava doente. Quando chegou sua hora, ele chamou uma linda mulher que sempre o acompanhava de cabe\u00e7a baixa, nunca revelando os olhos. Num estranho ritual, ela se ajoelhou na cama, ergueu a cabe\u00e7a e fitou-o. Na cena seguinte, pessoas carregavam com dificuldade um caix\u00e3o com o cad\u00e1ver do patriarca, que, pesado demais, despencou. Era feito de pedra. A mulher era Medusa e n\u00e3o podia exibir seu olhar \u2013 olhos de uma estranha cor indefinida \u2013 porque quem a fitasse se transformaria instantaneamente em pedra. Lembro que um pensamento repetitivo me perseguiu por um tempo: Medusa e o espelho. O pre\u00e7o de se conhecer a cor verdadeira dos olhos da Medusa \u00e9 a morte, inclusive dela.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"3\">Outro filme que me veio foi um epis\u00f3dio de StarTrek, primeira gera\u00e7\u00e3o, onde a equipe do Capit\u00e3o Kirk vai parar num planeta onde as pessoas tinham acesso a uma forma de realidade virtual. L\u00e1 vivia um grupo estranho e avan\u00e7ad\u00edssimo, mas tamb\u00e9m dois humanos. No planeta, eram um casal jovem, belo e perfeito. N\u00e3o queriam sair do planeta e o epis\u00f3dio se desenvolveu em torno do drama, que revelou, afinal, que ambos eram pessoas muito, muito mutiladas, com membros e peda\u00e7os do corpo atrofiados ou faltando. Mas no planeta, eram perfeitos. Viam-se e eram vistos perfeitos. Qual seriam suas cores verdadeiras? Aquelas do corpo mutilado, deteriorado, ou as do corpo restaurado pela tecnologia avan\u00e7ada num mundo virtual?<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"3\">A terceira imagem \u00e9 a de uma obra liter\u00e1ria, o Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Nela, os horrores do comportamento de Dorian s\u00e3o magicamente transferidos para um retrato que \u00e9 mantido escondido num c\u00f4modo da mans\u00e3o. As cores verdadeiras s\u00f3 aparecem l\u00e1, no retrato.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"3\">A literatura, a religi\u00e3o e o cinema s\u00e3o cheios dessa mensagem universal de que existe uma realidade \u201cverdadeira\u201d que se macula facilmente e que escondemos. De uma certa forma sempre me senti assim. E por isso me senti sempre Medusa, portadora de uma hist\u00f3ria e \u201ctalentos\u201d t\u00e3o pesados, mas t\u00e3o pesados, que nenhum sonho resistiria e afundaria.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"3\">O que o autor do texto tentou me dizer \u00e9 algo em que venho tentando acreditar h\u00e1 tempos, mas vejo que ca\u00ed presa de minhas pr\u00f3prias armadilhas: \u00e9 a id\u00e9ia de que n\u00e3o existe essa fatalidade. Que as marcas do passado moldam tanto a gente como as coisas deliberadas que fazemos hoje, e que uma for\u00e7a equilibra a outra. Ou seja: fomos t\u00e3o mold\u00e1veis no passado como somos agora. Ent\u00e3o, porque n\u00e3o modificar o que foi corrompido antes? Fechar buracos, abrir outros?<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"3\">O que essa pessoa me disse com grande franqueza \u00e9 que meu medo (ou covardia) n\u00e3o se assenta em nada real, apenas fantasmas do passado. Me incentivou a quebrar essas pris\u00f5es imagin\u00e1rias. Disse at\u00e9 que se pudesse, me libertaria, mas que infelizmente isso \u00e9 tarefa para uma s\u00f3 pessoa: eu mesma. Disse que n\u00e3o preciso ter medo, e nem ele tem, das minhas cores verdadeiras e nem do meu \u201chard core\u201d (\u00e2mago duro). <\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"3\">Disse que o que quer que eu precisasse fazer para cumprir essa tarefa teria nele um suporte. Que estaria l\u00e1, para mim. <\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"3\">Nem todos viram pedra quando fitam as cores verdadeiras dos meus olhos.<\/p>\n<p>Marilia<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.bodystuff.org\">BodyStuff<\/a><\/font><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje recebi um texto de algu\u00e9m muito especial. Esse texto era sobre aquilo que est\u00e1 por tr\u00e1s do aparente, que \u00e0s vezes chamamos de \u00e2mago (\u201ccore\u201d), ess\u00eancia ou cor verdadeira. 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