{"id":5367,"date":"2007-04-24T09:27:00","date_gmt":"2007-04-24T09:27:00","guid":{"rendered":"https:\/\/inveske.co.uk\/meritocracia-no-jogo-e-na-vida-social\/"},"modified":"2007-04-24T09:27:00","modified_gmt":"2007-04-24T09:27:00","slug":"meritocracia-no-jogo-e-na-vida-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/meritocracia-no-jogo-e-na-vida-social\/","title":{"rendered":"Meritocracia no jogo e na vida social"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Muito antes de eu descobrir o objeto destas acaloradas discuss\u00f5es \u2013 o Powerlifting, ou Levantamento B\u00e1sico \u2013 eu fui uma cientista. Nos anos 90, fiquei mais ou menos conhecida numa pequena comunidade por minhas publica\u00e7\u00f5es sobre \u201cexcel\u00eancia cient\u00edfica\u201d, mais especificamente \u201cexcel\u00eancia cient\u00edfica em pa\u00edses perif\u00e9ricos\u201d. Todo cientista que tem a chance ou os culh\u00f5es para tanto, escolhe como objeto de estudo algo que lhe \u00e9 particularmente importante. Minhas escolhas foram sempre baseadas nessa rela\u00e7\u00e3o quase obsessiva com o m\u00e9rito e a justi\u00e7a. Eu disse muitas coisas sobre esse tal de m\u00e9rito e seu papel na constru\u00e7\u00e3o de coisas importantes, como um lugar para a ci\u00eancia na sociedade. E uma das coisas em que eu insistia era que o \u201cjogo meritocr\u00e1tico\u201d jamais havia sido inteiramente implantado em nossos pa\u00edses \u2013 n\u00f3s, constituintes desse complicado continente que chamamos de Am\u00e9rica Latina. Cada vez que uma empreitada cient\u00edfica \u201cexcelente\u201d (e necessariamente baseada em m\u00e9rito) emergia, em pouco tempo era abortada pelos fatores anti-meritocr\u00e1ticos que comandavam (e eu acredito que ainda comandem) a vida social e pol\u00edtica no nosso continente. Escrevi sobre isso, falei sobre isso em in\u00fameros pa\u00edses, a galera curtiu muito mas&#8230; entre a compreens\u00e3o sociol\u00f3gica e etnogr\u00e1fica de um fen\u00f4meno e o uso de seus elementos na pr\u00e1tica individual h\u00e1 um abismo que s\u00f3 pode ser explicado por coisas como neuroses, burrice emocional ou alguma outra tosquisse. E, por isso, ainda que descrevendo com bastante compet\u00eancia os \u201cfatores anti-meritocr\u00e1ticos\u201d, na minha vida profissional desprezei-os inteiramente: agi como se o jogo meritocr\u00e1tico fosse impec\u00e1vel, \u00e0 la Merton.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Antes de prosseguir, vou contar uma coisa que ningu\u00e9m escreve porque todos sabem e devem calar: na vida de qualquer acad\u00eamico fadado a ser bem-sucedido (e os fatores n\u00e3o t\u00eam nada a ver com m\u00e9rito, mas sim com capital social), h\u00e1 um momento cr\u00edtico em que \u201calgu\u00e9m\u201d (um individuo investido da legitimidade ou posi\u00e7\u00e3o para tal) vem e diz assim: \u201coi, est\u00e1 na hora de voc\u00ea fazer seu concurso e entrar, ok?\u201d. No seu papel de \u201ccarta marcada\u201d, cabe a voc\u00ea abaixar a cabe\u00e7a, fingir que o jogo \u00e9 limpo, estudar \u2013 sim, estudar, como os outros -, n\u00e3o fazer muito feio e acatar a decis\u00e3o da banca que lhe concede o primeiro lugar e portanto a vaga no departamento. E ponto final. NUNCA MAIS voc\u00ea deve falar no assunto \u2013 para ningu\u00e9m, nem para sua sombra. S\u00f3 que muita gente fala. <\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Aconteceu comigo \u2013 mais de uma vez. A primeira foi logo ap\u00f3s eu concluir meu doutoramento. O \u201calgu\u00e9m\u201d em quest\u00e3o era nada mais, nada menos, do que o vice-reitor (sem nomes) da maior universidade brasileira. A\u00ed eu pensei bem e fiz a grande cagada (do ponto de vista de quem acredita que a melhor coisa da vida \u00e9 ser professor da USP): disse \u201cn\u00e3o\u201d. Eu tinha uma bolsa de posdoc para os Estados Unidos aprovada, estava apaixonada, tinha s\u00f3 30 anos, a vida era bela e eu queria mais era viver. Entre a aventura de ir embora e pesquisar o que eu queria ou me enfurnar num departamentozinho med\u00edocre, eu escolhi a primeira. Fiz isso mais duas vezes. Por que eu fiz isso? Porque, na minha ingenuidade, eu assumi que \u201cmais tarde\u201d, com um curr\u00edculo muito mais espesso, eu tomaria meu lugar tranq\u00fcilamente. Tudo que eu havia publicado sobre os fatores anti-meritocr\u00e1ticos foi ignorado nessa atitude infantil e boba: n\u00e3o existe \u201cmais tarde\u201d! N\u00e3o existe \u201ccurr\u00edculo mais espesso\u201d! E eu comprovei isso dolorosamente. Prestei tr\u00eas concursos. Nos tr\u00eas, meu curr\u00edculo tinha um n\u00famero muito maior de publica\u00e7\u00f5es do que meus advers\u00e1rios. Muito mais impacto, medido pelos indicadores de impacto. Minhas aulas foram melhores, segundo quem assistiu. E eu ouvi na minha cara que n\u00e3o me seria dado acesso \u00e0quela institui\u00e7\u00e3o. Uma vez, na UNICAMP, por motivo ideol\u00f3gico: o presidente da banca declarou que nunca permitiria que uma neo-liberal como eu (?????) entrasse em seu departamento. Em seu apoio, uma feminista pouco publicada que n\u00e3o gostou nada da minha aula sobre g\u00eanero e ci\u00eancia, onde as mulheres n\u00e3o eram coitadinhas. Outra vez, o presidente da banca me disse candidamente que eu n\u00e3o era a \u201cbola da vez\u201d. E na terceira, um amigo me contou que, nos bastidores, considerou-se que eu n\u00e3o era \u201cconfi\u00e1vel\u201d para jogar o jogo institucional (nas tr\u00eas melhores universidades do pa\u00eds).<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Quem estava errado, eles ou eu? Eu. Porque n\u00e3o entendi que o jogo n\u00e3o era um jogo meritocr\u00e1tico. E confesso que minha rela\u00e7\u00e3o com o conceito de meritocracia \u00e9 ambivalente. Assim como democracia jamais implica que todos t\u00eam acesso igual ao poder, e sim apenas um jogo codificado segundo normas tais onde todos os segmentos acordam consensos sobre o funcionamento institucional, a meritocracia n\u00e3o \u00e9 \u201cdo bem\u201d nem \u201cdo mal\u201d. E n\u00e3o implica igualdade. Implica apenas um rigor maior com regras burocr\u00e1ticas.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">O paralelo com a democracia n\u00e3o \u00e9 casual: a democracia n\u00e3o \u00e9 nem justa, nem igualit\u00e1ria. Mas entre uma sociedade \u201cdemocr\u00e1tica\u201d e bem burocratizada (moderna sensu Weber) e outra totalit\u00e1ria ou tradicional, eu fico com a primeira. Prefiro o direito duvidoso de processar a prefeitura porque o buraco na rua fez explodir os canos de g\u00e1s do meu bairro a depender de um \u201cben\u00e9volo tirano\u201d que legisle segundo seus pr\u00f3prios valores, n\u00e3o consensuais.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">E o que tudo isso tem a ver com o esporte? Tudo. Em outro artigo defendi que todas as crian\u00e7as devem participar de esportes competitivos, pois \u00e9 assim que se treinam a lidar com frustra\u00e7\u00e3o, a operar segundo recompensa tardia e aprendem os valores b\u00e1sicos da meritocracia. O motivo \u00e9 que o esporte \u00e9 uma pr\u00e1tica social configurada segundo regras arbitr\u00e1rias, as quais devem ser seguidas por todos os participantes. Ganha quem, DENTRO DAQUELAS REGRAS, tiver melhor performance. N\u00e3o importa a regra. S\u00e3o todas arbitr\u00e1rias. <\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Pratiquei in\u00fameros esportes e em alguns me sa\u00ed muito bem. Fui campe\u00e3 brasileira de esgrima, por exemplo. Na esgrima, h\u00e1 um procedimento ritual que inicia o assalto, que consiste de um movimento com a arma em dire\u00e7\u00e3o ao juiz, depois \u00e0 mesa e finalmente ao advers\u00e1rio. Isso \u00e9 uma \u201csauda\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 vem do s\u00e9culo XVIII &#8211; e \u00e9 obrigat\u00f3ria. Jovens esgrimistas talvez nem saibam o que significa. \u00c9 feito mecanicamente e t\u00e3o r\u00e1pido que um observador externo v\u00ea apenas a m\u00e3o do atleta sacudindo. Qual a import\u00e2ncia disso no jogo? Nenhuma! \u00c9 apenas uma regra! E tem que respeitar.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Em alguns esportes o traje de baixo pode ter 15cm abaixo da virilha, e n\u00e3o 10cm ou 12cm. Por que? Motivo nenhum! Regra! Arb\u00edtrio! E todos t\u00eam que competir nas mesmas condi\u00e7\u00f5es DE REGRAS, e n\u00e3o de semelhan\u00e7a biol\u00f3gica, gen\u00e9tica ou seja l\u00e1 o fator imponder\u00e1vel que se use para definir o duvidoso conceito de igualdade.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Os grandes questionamentos do jogo meritocr\u00e1tico, ao longo da hist\u00f3ria, vieram justamente dos indiv\u00edduos que protestaram contra a inerente desigualdade entre os indiv\u00edduos. Assim, seria injusto num concurso no Brasil, num departamento de ci\u00eancias sociais, competir contra mim se as regras favorecessem impacto internacional: eu sou bi-lingue, tenho publica\u00e7\u00f5es em revistas referenciadas no exterior e meus colegas n\u00e3o tiveram a mesma oportunidade que eu. E da\u00ed? Claro que seria uma vantagem num jogo meritocr\u00e1tico! Injusta? Pode at\u00e9 ser \u2013 ningu\u00e9m falou de justi\u00e7a, apenas de m\u00e9rito. Mas n\u00e3o era m\u00e9rito que estava em jogo.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">O mesmo vale para o esporte. Claro que um atleta com 67kg e 1,58m, com baix\u00edssima %BF como o Eric ter\u00e1 vantagem (independente do treinamento, composi\u00e7\u00e3o de fibras, consci\u00eancia corporal, agressividade, intelig\u00eancia e outros fatores ainda mais imponder\u00e1veis que influem fortemente na performance) sobre um atleta de 1,76m, membros longos e m\u00fasculos com sec\u00e7\u00e3o transversa de pequena \u00e1rea. \u00c9 a vida! Ambos est\u00e3o competindo segundo as mesmas regras, mesmos equipamentos e na mesma categoria de peso. Eric tem uma vantagem biol\u00f3gica s\u00f3 para come\u00e7ar \u2013 fora todas as outras. \u00c9 assim que se joga o jogo meritocr\u00e1tico. Cabe ao atleta de 1,76m (que tem nome, \u00e9 um excelente atleta, \u00e9 meu amigo e se chama Edil\u00e2nio) mudar de categoria, comer mais, hipertrofiar mais, treinar mais e competir com seus 80kg, mais ou menos. <\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Veja o exemplo das drogas. Eu n\u00e3o tenho nada contra o uso de drogas, as quais considero apenas um recurso tecnol\u00f3gico para aumento de performance. \u00c9 irracional coloc\u00e1-las em categoria distinta de borrachas para cal\u00e7ados ou tecidos para equipamentos vest\u00edveis. No entanto, se est\u00e1 escrito no estatuto da federa\u00e7\u00e3o que organiza o evento onde quero me inscrever que ela \u00e9 \u201cdrug free\u201d, eu assino um compromisso segundo o qual eu serei punida se meu teste anti-doping der positivo. E se der, n\u00e3o tenho nada que reclamar: estava escrito, eu assinei, ponto final. A minha opini\u00e3o sobre o uso de drogas para aumento de performance pouco importa. Dar negativo quer dizer que o atleta est\u00e1 limpo? N\u00e3o. Agora, dando negativo, \u00e9 negativo oficialmente. Ningu\u00e9m tem nada com o que o atleta fez \u2013 se deixou de usar drogas, se nunca usou, se usou mas seu metabolismo \u00e9 maluco, se fez tranfus\u00e3o de sangue, se conseguiu se limpar ou seja l\u00e1 o que for. Ele est\u00e1 de acordo com as regras \u2013 seu exame deu negativo. \u00c9 isso que importa. At\u00e9 que essa regra seja derrubada (e eu luto para que seja), ela deve ser respeitada por todos.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Eu acho idiota o comando \u201cpress\u201d, da IPF, no supino. Acho mesmo: acho anti-fisiol\u00f3gico, acho imposs\u00edvel manter uma contagem id\u00eantica para todos os \u00e1rbitros, acho bobo, acho que diminui a atratividade do \u201cjogo\u201d, pois a performance coletiva cai \u2013 e cai mesmo, comprovamos isso. Mas&#8230; tendo sido votado, cabe a todos seguir a nova regra NA FEDERA\u00c7\u00c3O<span style=\"mso-spacerun: yes\">&nbsp; <\/span>&#8211; e apenas nela \u2013 onde isso foi deliberado. <\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Assim, o jogo se re-configura segundo regras, comandos e equipamentos. O equipamento n\u00e3o \u00e9 uma \u201cajuda\u201d ao levantamento. O equipamento \u00e9 parte do movimento, altera significativamente sua biomec\u00e2nica e requer habilidade e t\u00e9cnica para extrair o melhor carry-over. O equipamento muda o movimento, a curva de for\u00e7a, tudo. Competir com equipamentos diferentes \u00e9 o mesmo que competir com ou sem equipamentos \u2013 n\u00e3o h\u00e1 comparabilidade nos resultados. O jogo n\u00e3o \u00e9 mais meritocr\u00e1tico \u2013 vira apenas um show. A concorr\u00eancia, que implica o emprego das mesmas regras, desaparece.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Eu sempre defendi que as formas mais sublimes da express\u00e3o humana s\u00e3o a ci\u00eancia, o esporte e a arte. Cada um por seus motivos, mas em todos eles h\u00e1 um ethos (sempre mais ou menos transgredido) meritocr\u00e1tico, onde se premia a excel\u00eancia humana. \u00c9 como se a cada ato nestas pr\u00e1ticas busc\u00e1ssemos n\u00e3o apenas a supera\u00e7\u00e3o, mas a afirma\u00e7\u00e3o do que h\u00e1 de melhor na nossa esp\u00e9cie. Com todas as suas contradi\u00e7\u00f5es e dificuldades, com todo o idealismo mertoniano que isso implica, eu defendo os jogos bem codificados: a democracia em suas formas mais diversificadas, a ci\u00eancia de maior isen\u00e7\u00e3o e o esporte praticado de forma disciplinada, segundo o rigor das regras.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><o_p><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">&nbsp;<\/font><\/o_p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito antes de eu descobrir o objeto destas acaloradas discuss\u00f5es \u2013 o Powerlifting, ou Levantamento B\u00e1sico \u2013 eu fui uma cientista. Nos anos 90, fiquei mais ou menos conhecida numa pequena comunidade por minhas publica\u00e7\u00f5es sobre \u201cexcel\u00eancia cient\u00edfica\u201d, mais especificamente \u201cexcel\u00eancia cient\u00edfica em pa\u00edses perif\u00e9ricos\u201d. 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