{"id":5371,"date":"2007-05-17T00:22:00","date_gmt":"2007-05-17T00:22:00","guid":{"rendered":"https:\/\/inveske.co.uk\/estilos-lurdes-e-daniel\/"},"modified":"2007-05-17T00:22:00","modified_gmt":"2007-05-17T00:22:00","slug":"estilos-lurdes-e-daniel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/estilos-lurdes-e-daniel\/","title":{"rendered":"Estilos: Lurdes e Daniel"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Acompanho com bastante aten\u00e7\u00e3o os estilos dos diversos atletas de powerlifting que vejo competindo. Por \u201cestilo\u201d, me refiro a um conjunto de comportamentos e atitudes que caracteriza a participa\u00e7\u00e3o daquele atleta em competi\u00e7\u00e3o. Observo como comentarista, pelo site de esportes de for\u00e7a que mantenho (<\/font><a href=\"http:\/\/www.portaldoferro.com\/\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Portal do Ferro<\/font><\/a><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">), e tamb\u00e9m como atleta. <\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Existe um conceito interessante na vida acad\u00eamica chamado \u201cacademic age\u201d. Nos Estados Unidos, os curr\u00edculos n\u00e3o exibem a idade da pessoa, e sim o ano em que obteve o t\u00edtulo mais alto. \u00c9 a partir da\u00ed que se come\u00e7a a contar a vida profissional do sujeito. Na terra do \u201cpoliticamente correto\u201d, isso \u00e9 uma salvaguarda contra o preconceito et\u00e1rio. No mundo do bom-senso, faz sentido que a maturidade em qualquer pr\u00e1tica t\u00e9cnica n\u00e3o corresponda \u00e0 idade cronol\u00f3gica, e sim ao tempo que se tem de \u201cinicia\u00e7\u00e3o\u201d naquilo.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Assim, aplicado ao powerlifting, minha \u201cidade esportiva\u201d \u00e9 de nen\u00e9m (competi pela primeira vez em agosto do ano passado e fui apresentada a uma barra ol\u00edmpica, a um banco de supino e a um suporte de agachamento quatro semanas antes). E como crian\u00e7a, me cabe observar os mais maduros como exemplos a emular ou a rejeitar.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Existem dois atletas cujo estilo eu realmente admiro: quando eu \u201ccrescer\u201d, quero ser igual a eles. Um \u00e9 Lurdes Rodrigues, da GCA de S\u00e3o Paulo. Ela tem diversos t\u00edtulos, quebrou alguns records, e atualmente \u00e9 o melhor agachamento do pa\u00eds. No entanto, n\u00e3o \u00e9 bem isso que me impressiona. O que me impressiona \u00e9 o estilo: em competi\u00e7\u00e3o, ela \u00e9 inteiramente centrada. N\u00e3o sorri, n\u00e3o grita, n\u00e3o se agita. Senta, quieta, com os olhos semi-cerrados, esperando ser enfaixada (para agachar) ou ter sua camisa ajeitada. Quando aguarda ser chamada ao tablado para o Terra, se coloca silenciosa, de cabe\u00e7a baixa, na frente da bacia de magn\u00e9sio, como se estivesse fazendo uma oferenda ritual. Durante os nove movimentos que comp\u00f5em uma competi\u00e7\u00e3o de powerlifting, ela s\u00f3 manifesta emo\u00e7\u00e3o no \u00faltimo Terra (quando termina a seq\u00fc\u00eancia). At\u00e9 l\u00e1, ela permanece s\u00f3bria, concentrada. \u00c9 das poucas atletas que vi diversas vezes realizando 9 (todos) movimentos v\u00e1lidos \u2013 coisa rar\u00edssima neste esporte. Lurdes entra com as metas claras, realistas, e cumpre seus objetivos. <\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Daniel Nacle, da equipe Marcelo Al\u00f3, de S\u00e3o Paulo, \u00e9 meu segundo exemplo. Como Lurdes, ele permanece quieto durante as competi\u00e7\u00f5es. Sem nenhuma grossura, se isola em sua concentra\u00e7\u00e3o. Tenho fotografias de Daniel entrando no tablado. Seus olhos s\u00e3o determinados, n\u00e3o agressivos e nem assustados. Olhos de quem vai muito certo do que vai realizar. E \u00e9 exatamente o que faz: entra, se coloca corretamente sob a barra e agacha. Ou supina. Ou levanta a barra. Tamb\u00e9m o vi realizar 9 movimentos v\u00e1lidos \u2013 e comemorar, uma das vezes o t\u00edtulo m\u00e1ximo do continente (campe\u00e3o sul-americano open da categoria at\u00e9 125kg), apenas depois do \u00faltimo Terra. <\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Tenho dezenas de exemplos de atletas sensacionais, cujos feitos acompanho e admiro: Luciano, Erica, C\u00e1tia, Eric, Maccari, entre outros. Mas o que comento aqui \u00e9 o estilo, o \u201cjeit\u00e3o\u201d. Lurdes e Daniel t\u00eam o estilo que eu gostaria de desenvolver, ou buscar.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">N\u00e3o sei se \u00e9 poss\u00edvel. Conhe\u00e7o Lurdes bem, fora do tablado. Somos amigas. Ela \u00e9 um pouco deste jeito na vida. Centrada, concentrada, firme sem for\u00e7ar a barra. Eu n\u00e3o sou assim: sou descontrolada, meu humor oscila mais que um p\u00eandulo e tenho d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 que algu\u00e9m assim, para quem a mosca na janela \u00e9 uma s\u00e9ria distra\u00e7\u00e3o para um relat\u00f3rio ou leitura chata, consegue desenvolver um estilo t\u00e3o centrado? Quase budista, quase yogue?<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Daniel conhe\u00e7o mais de tablado e trocas eletr\u00f4nicas. N\u00e3o treino ou trabalho com ele. N\u00e3o sei se ele \u00e9 essa perfei\u00e7\u00e3o comportamental no resto da vida. No tablado, n\u00e3o podia ser melhor.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Existem mil outros estilos, que vejo entre atletas que conhe\u00e7o e em v\u00eddeos de atletas de outros pa\u00edses. Existem aqueles que s\u00f3 entram no tablado muit\u00edssimo excitados, gritando, hiper-ventilando, provocando voluntariamente um aumento na produ\u00e7\u00e3o de adrenalina. Existem outros que entram agitados e, se falham, choram, ou gritam, ou xingam. Muitos grandes atletas t\u00eam estes estilos. <\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Mas n\u00e3o s\u00e3o os estilos que eu gostaria de desenvolver. Estes outros estilos me parecem ter um custo emocional exagerado e tamb\u00e9m gerar muita imprevisibilidade: muitas falhas desnecess\u00e1rias, desempenhos muito irregulares. <\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">No momento, \u00e9 bem assim que eu sou: imprevis\u00edvel. Na competi\u00e7\u00e3o, cometo erros bobos ou \u00f3bvios. Seria pelo efeito ansiog\u00eanico da competi\u00e7\u00e3o? Acho que n\u00e3o: tamb\u00e9m sou imprevis\u00edvel no treino. Na verdade, tudo isso \u00e9 incrivelmente novo para mim. Ter FOR\u00c7A \u00e9 incrivelmente novo. Esse n\u00edvel de for\u00e7a. Me fascina tudo nesse universo: dos aspectos mais t\u00e9cnicos (fisiologia da for\u00e7a m\u00e1xima, biomec\u00e2nica dos movimentos e os aspectos neurais \u2013 esses s\u00e3o minha paix\u00e3o) at\u00e9 eu mesma, observar meu corpo em transforma\u00e7\u00e3o, adquirindo poderes que nunca imaginei poss\u00edveis. <\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">No treino, dou risada \u00e0s vezes: uma carga rid\u00edcula pode n\u00e3o subir porque ainda n\u00e3o saco direito o ponto de descida no peito, enquanto uma carga de record sobe com facilidade. Mas hoje me descontrolei: por uma rea\u00e7\u00e3o estranha da minha pele que se inflama muito r\u00e1pido e de forma intensa, n\u00e3o tenho conseguido nada no levantamento Terra. N\u00e3o s\u00f3 nada: tenho apenas piorado. Depois de pouco treino, tudo que toco parece metal incandescente. Isso vem acontecendo h\u00e1 meses, mas hoje deu o meu limite: frustrada, gritei, tive vontade de chorar e de nunca mais olhar para uma barra de Terra.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Pensei nos meus dois \u201cexemplos\u201d. N\u00e3o combina. Me dei conta de que uma das coisas que mais gosto no estilo deles \u00e9 a forma serena com que lidam com frustra\u00e7\u00e3o. Pode ser que por dentro eles tenham a mesma vontade de mandar tudo para o espa\u00e7o que tive hoje, mas desenvolveram uma maneira de controlar esse impulso e, com isso, crescer como atletas e obter prazer e recompensa no esporte.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Tenho esse estilo como meta e fico pensando em como atingi-la. Talvez eu deva incluir yoga entre meus exerc\u00edcios auxiliares.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><o_p><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">&nbsp;<\/font><\/o_p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Marilia<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><a href=\"http:\/\/www.bodystuff.org\/\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">BodyStuff<\/font><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acompanho com bastante aten\u00e7\u00e3o os estilos dos diversos atletas de powerlifting que vejo competindo. Por \u201cestilo\u201d, me refiro a um conjunto de comportamentos e atitudes que caracteriza a participa\u00e7\u00e3o daquele atleta em competi\u00e7\u00e3o. Observo como comentarista, pelo site de esportes de for\u00e7a que mantenho (Portal do Ferro), e tamb\u00e9m como atleta. 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