{"id":5387,"date":"2007-07-23T22:00:00","date_gmt":"2007-07-23T22:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/inveske.co.uk\/o-efeito-placebo-2-a-fonte-da-crenca-serie-barreiras-mentais\/"},"modified":"2007-07-23T22:00:00","modified_gmt":"2007-07-23T22:00:00","slug":"o-efeito-placebo-2-a-fonte-da-crenca-serie-barreiras-mentais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/o-efeito-placebo-2-a-fonte-da-crenca-serie-barreiras-mentais\/","title":{"rendered":"O efeito placebo 2: a fonte da cren\u00e7a (s\u00e9rie barreiras mentais)"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Antes de abandonar a carreira acad\u00eamica, eu fui v\u00e1rias coisas, mas minha marca mais forte, ou recente, ou cientificamente adulta eu deixei na \u00e1rea de \u201cestudos sociais da ci\u00eancia\u201d. Faz parte da minha identidade e da forma como vejo o mundo. Algumas publica\u00e7\u00f5es \u201cexperimentais\u201d sobre a representa\u00e7\u00e3o social da ci\u00eancia, legimidade e outros itens da agenda desta \u00e1rea s\u00e3o antol\u00f3gicos (at\u00e9 mesmo por serem \u201cmeta-experimentos\u201d) e talvez o mais de todos seja aquele conhecido como \u201cMilgram experiment\u201d. Em 1963, Stanley Milgram conduziu um experimento para testar a obedi\u00eancia das pessoas a autoridades externas, se conflitantes com suas convic\u00e7\u00f5es morais. O experimento foi projetado da seguinte forma: volunt\u00e1rios foram recrutados para participar de um estudo (\u201cfake\u201d) sobre aprendizado e puni\u00e7\u00e3o. Eles deveriam aplicar um eletro-choque em um sujeito em outra sala em quem um teste estava sendo aplicado. Se o sujeito acertasse, o volunt\u00e1rio deveria ler a quest\u00e3o seguinte. Se errasse, deveria aplicar o choque. A cada erro, a voltagem deveria aumentar, at\u00e9 n\u00edveis potencialmente letais. Esperava-se que apenas 1,2% de indiv\u00edduos excessivamente s\u00e1dicos chegassem a n\u00edveis letais de voltagem. O experimento, no entanto, demonstrou que 65% dos participantes o fizeram, ainda que alguns, relutantes. O \u201ccoordenador do estudo\u201d, vestido de jaleco branco, supostamente um bi\u00f3logo, estimulava o volunt\u00e1rio a continuar a cada hesita\u00e7\u00e3o, sem demonstrar emo\u00e7\u00e3o.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">A discuss\u00e3o em torno dos resultados deste estudo perdura at\u00e9 hoje. Uma das conclus\u00f5es principais \u00e9 que, em nome de uma autoridade muito forte, qualquer outro entrave ao comportamento \u00e9 suspenso. A autoridade, ou fonte de legitimidade da ordem, para os volunt\u00e1rios, era a soberana CI\u00caNCIA.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Nos estudos sobre placebo publicados at\u00e9 hoje, muito provavelmente \u00e9 a mesma fonte de legitimidade que permitiu imprimir a certeza de efic\u00e1cia na mente dos sujeitos experimentais.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Pois bem: a semana retrasada, no meu treino de supino, executei 4 s\u00e9ries de 4 repeti\u00e7\u00f5es com 68kg (sem equipamento). Utilizando duas ou tr\u00eas calculadoras on-line (existem in\u00fameras no super-site <\/font><a href=\"http:\/\/www.bodybuilding.com\/\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">www.bodybuilding.com<\/font><\/a><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\"> , todas baseadas em f\u00f3rmulas devidamente avalisadas e bem publicadas), cheguei a um valor de 1RM de 75kg. Todos n\u00f3s que estudamos um pouco mais sobre treinamento de for\u00e7a sabemos que estas formulas foram criadas por an\u00e1lises de regress\u00e3o, em pesquisas bem conduzidas, e t\u00eam uma precis\u00e3o particularmente alta para indiv\u00edduos treinados e no supino (Pereira e Gomes 2003, <\/font><a href=\"http:\/\/www.msahperd.com\/ejournal\/Strength%20Prediction.pdf\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Chromiac et al<\/font><\/a><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">).<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Na semana seguinte, fiz um pequeno teste de carga e cheguei num levantamento de 1RM de previs\u00edveis 75kg. <\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">A pergunta \u00e9: o que s\u00e3o esses 75kg? S\u00e3o realmente minha carga m\u00e1xima execut\u00e1vel em condi\u00e7\u00f5es de academia, com uma perna quebrada levantada? S\u00e3o mais uma comprova\u00e7\u00e3o de que a f\u00f3rmula descreve bem o fen\u00f4meno biol\u00f3gico? Ou s\u00e3o o produto da minha ades\u00e3o inconsciente a tudo que tenha sido bem publicado, numa revista cient\u00edfica de boa qualidade, por causa do tipo de forma\u00e7\u00e3o que recebi? Se eu fosse religiosa, valeria mais a previs\u00e3o de um sacerdote que dissesse: \u201cseu 1RM \u00e9 70kg\u201d ou \u201c82kg\u201d? Nesse caso, qual seria a carga que eu de fato executaria naquele dia? Se eu tivesse um t\u00e9cnico em quem confiasse cegamente e que me dissesse: \u201cvoc\u00ea pode levantar 85kg raw porque minha experi\u00eancia diz que sim\u201d. Valeria mais do que a f\u00f3rmula?<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Nunca saberemos. O fato \u00e9 que eu sou essa Marilia cientista, fruto da mesma sociedade onde 65% das pessoas confia na ci\u00eancia a ponto matar seu semelhante em nome dela, uma pessoa sem nenhuma forma\u00e7\u00e3o religiosa e sem t\u00e9cnico. A \u201ccren\u00e7a\u201d que fui capaz de gerar em mim mesma foi criada com a ferramenta que terceiros, que nem conhe\u00e7o, geraram em condi\u00e7\u00f5es experimentais que n\u00e3o fa\u00e7o id\u00e9ia. <\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Minha opini\u00e3o? Foi a cren\u00e7a. Muito poderosa. Mas pode ser substitu\u00edda com bastante liberdade por outras, desde que eu assim decida. E agora?<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><o_p><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">&nbsp;<\/font><\/o_p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Marilia<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><a href=\"http:\/\/www.bodystuff.org\/\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">BodyStuff<\/font><\/a><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><o_p><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">&nbsp;<\/font><\/o_p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><b style=\"mso-bidi-font-weight: normal\"><span style=\"FONT-SIZE: 14pt\"><font face=\"Times New Roman\"><font size=\"4\">Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas:<o_p><\/o_p><\/font><\/font><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><o_p><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">&nbsp;<\/font><\/o_p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milgram_experiment\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">O experimento de Milgram<\/font><\/a><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><o_p><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">&nbsp;<\/font><\/o_p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><cite><span lang=\"EN\" style=\"FONT-SIZE: 11pt; FONT-STYLE: normal; mso-ansi-language: EN\"><a href=\"http:\/\/www.radford.edu\/~jaspelme\/gradsoc\/obedience\/Migram_Obedience.pdf\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Milgram, Stanley (1963). &#8220;<span style=\"FONT-SIZE: 10pt\">Behavioral Study of Obedience<\/span>&#8220;. Journal of Abnormal and Social Psychology <b>67<\/b>: 371\u2013378<\/font><\/a><font face=\"Times New Roman\"><font size=\"4\">. (link para o *.pdf do texto integral).<o_p><\/o_p><\/font><\/font><\/span><\/cite><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><cite><span lang=\"EN\" style=\"FONT-SIZE: 11pt; FONT-STYLE: normal; mso-ansi-language: EN\"><o_p><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">&nbsp;<\/font><\/o_p><\/span><\/cite><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">PEREIRA, Marta Inez Rodrigues and GOMES, Paulo Sergio Chagas. Muscular strength and endurance tests: reliability and prediction of one repetition maximum &#8211; Review and new evidences. Rev Bras Med Esporte. [online]. 2003, vol. 9, no. 5 [cited 2007-07-23], pp. 325-335. Available from: <\/font><a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1517-86922003000500007&amp;lng=en&amp;nrm=iso\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1517-86922003000500007&amp;lng=en&amp;nrm=iso<\/font><\/a><font face=\"Times New Roman\"><font size=\"4\"> <span style=\"mso-spacerun: yes\">&nbsp;<\/span>ISSN 1517-8692<o_p><\/o_p><\/font><\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><span lang=\"EN-US\" style=\"mso-ansi-language: EN-US\"><o_p><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">&nbsp;<\/font><\/o_p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de abandonar a carreira acad\u00eamica, eu fui v\u00e1rias coisas, mas minha marca mais forte, ou recente, ou cientificamente adulta eu deixei na \u00e1rea de \u201cestudos sociais da ci\u00eancia\u201d. Faz parte da minha identidade e da forma como vejo o mundo. 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