{"id":5403,"date":"2007-10-26T14:51:00","date_gmt":"2007-10-26T14:51:00","guid":{"rendered":"https:\/\/inveske.co.uk\/cheiros-1-phantosmia-dysosmia-ou-os-odores-que-ninguem-cheira-mas-voce-sente-mesmo-assim\/"},"modified":"2007-10-26T14:51:00","modified_gmt":"2007-10-26T14:51:00","slug":"cheiros-1-phantosmia-dysosmia-ou-os-odores-que-ninguem-cheira-mas-voce-sente-mesmo-assim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/cheiros-1-phantosmia-dysosmia-ou-os-odores-que-ninguem-cheira-mas-voce-sente-mesmo-assim\/","title":{"rendered":"Cheiros 1: Phantosmia, dysosmia, ou os odores que ningu\u00e9m cheira mas voc\u00ea sente mesmo assim"},"content":{"rendered":"<p><font size=\"4\">&nbsp;<\/font><\/p>\n<h2 style=\"MARGIN: 12pt 0cm 3pt\"><em><font size=\"4\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/font><\/em><\/h2>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><o_p><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">&nbsp;<\/font><\/o_p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Ningu\u00e9m d\u00e1 muita bola para o olfato, mas ele \u00e9 importante. Principalmente se o seu n\u00e3o \u00e9 muito normal.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">O olfato \u00e9 um sistema sensorial que serve para detectar v\u00e1rias subst\u00e2ncias que chegam pelo ar ou dissolvidas em l\u00edquido. Junto com o gosto, compreendem os \u201csistemas quimio-sensoriais\u201d. Nem tudo que vem pelo ar \u201ccheira\u201d, no sentido subjetivo, como um registro de uma nova impress\u00e3o. Certas subst\u00e2ncias n\u00e3o podem ser conscientemente apontadas e descritas, mas mesmo assim est\u00e3o l\u00e1, s\u00e3o detectadas, se transformam em informa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de um complexo sistema neural e geram uma resposta no c\u00e9rebro.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">As subst\u00e2ncias chegam pelo ar, em geral, e entram pelo nariz, onde, no epit\u00e9lio olfativo, se ligam a receptores pr\u00f3prios para isso nos neur\u00f4nios receptores olfativos. Nesse momento ocorre a primeira \u201ctradu\u00e7\u00e3o\u201d importante: a subst\u00e2ncia \u00e9 traduzida em informa\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do disparo de um impulso el\u00e9trico no neur\u00f4nio olfativo. Essa informa\u00e7\u00e3o corre atrav\u00e9s do nervo olfativo at\u00e9 o bulbo olfativo, onde os ax\u00f4nios formam estruturas chamadas glom\u00e9rulos. Neur\u00f4nios s\u00e3o c\u00e9lulas com estruturas ramificadas nas duas extremidades (dendritos), atrav\u00e9s das quais formam redes uns com os outros. Essas redes s\u00e3o a arquitetura b\u00e1sica que organiza a informa\u00e7\u00e3o no c\u00e9rebro. Algumas das c\u00e9lulas que transmitem a informa\u00e7\u00e3o dos glom\u00e9rulos para diante s\u00e3o as c\u00e9lulas mitrais, a partir das quais ela vai para v\u00e1rias estruturas no c\u00e9rebro, entre as quais o n\u00facleo anterior olfativo, o tub\u00e9rculo olfativo, o c\u00f3rtex piriforme, a amigdala e o c\u00f3rtex entorhinal. Exatamente que fun\u00e7\u00f5es cada uma dessas estruturas desempenha \u00e9 algo que ainda n\u00e3o \u00e9 muito claro, mas o c\u00f3rtex piriforme parece ser a regi\u00e3o que mais opera a percep\u00e7\u00e3o consciente do odor, o c\u00f3rtex entorhinal est\u00e1 ligado \u00e0 mem\u00f3ria e a amigdala \u00e9 onde muita coisa complicada se integra: a amigdala \u00e9 uma estrutura que processa, forma e registra informa\u00e7\u00e3o emocional. Rea\u00e7\u00e3o de \u201cfight or flight\u201d, respostas imediatas a stress e est\u00edmulos associados \u00e0 risco e dano potencial s\u00e3o mediadas pela amigdala. \u00c9 significativo que ela seja t\u00e3o relevante na informa\u00e7\u00e3o olfativa.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\"><font size=\"4\">N\u00f3s temos dois sistemas olfativos: o principal e o acess\u00f3rio, que parece processar est\u00edmulos veiculados por fase fluida. Algumas evid\u00eancias sugerem que esse \u00faltimo seja respons\u00e1vel por processar informa\u00e7\u00e3o feromonal. Feromonios s\u00e3o subst\u00e2ncias ativas em termos de comunica\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, mas que operam uma comunica\u00e7\u00e3o entre indiv\u00edduos (diferentes dos <i style=\"mso-bidi-font-style: normal\">horm\u00f4nios<\/i>, que s\u00e3o comunicadores qu\u00edmicos internos, de um \u00f3rg\u00e3o a outro do mesmo indiv\u00edduo).<o_p><\/o_p><\/font><\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><o_p><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">&nbsp;<\/font><\/o_p><\/p>\n<h2 style=\"MARGIN: 12pt 0cm 3pt\"><em><font size=\"4\">O Olfato Humano<\/font><\/em><\/h2>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Voc\u00ea j\u00e1 ouviu algu\u00e9m dizer que \u201cfulano tem nariz de cachorro\u201d? Em geral \u00e9 um tipo de elogio, no sentido de que \u201cfulano\u201d tem muita acuidade olfativa. Todos n\u00f3s temos essa no\u00e7\u00e3o de que outros animais t\u00eam muito melhor olfato do que n\u00f3s. A evid\u00eancia cient\u00edfica at\u00e9 hoje corroborava essa id\u00e9ia intuitiva: o n\u00famero de genes para receptores olfativos \u00e9 muito menor em humanos do que em ratos; h\u00e1 muito maior densidade de neur\u00f4nios olfativos em c\u00e3es do que em humanos; a vasculariza\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 maior em outros animais. Enfim: tudo indicava que ao longo da evolu\u00e7\u00e3o, o olfato foi perdendo import\u00e2ncia para a vis\u00e3o como sentido de processamento de informa\u00e7\u00e3o ambiental em primatas, e em especial em humanos.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Shepherd (2004), no entanto, publicou um interessante artigo mostrando que h\u00e1 um paradoxo entre estes fatos e a constata\u00e7\u00e3o emp\u00edrica de que humanos t\u00eam uma acuidade olfativa muito maior do que a imaginada. Segundo Shepherd, esse mist\u00e9rio s\u00f3 pode ser melhor compreendido se o olfato for abordado em toda a sua complexidade, incluindo aspectos anat\u00f4micos (as cavidades nasais e oro-far\u00edngea), o sistema olfativo cerebral e o papel da linguagem. Para esse autor, o que iludiu por anos os cientistas era o foco exagerado no bulbo olfativo e no trato olfativo lateral, que s\u00e3o realmente menores em humanos. No entanto, muito mais relevantes para o processamento da informa\u00e7\u00e3o olfativa s\u00e3o as regi\u00f5es centrais que integram elementos cognitivos e emocionais de maior complexidade. Assim, o c\u00e9rebro humano, diferente do de outros animais, \u00e9 capaz de agregar muito maior poder cognitivo \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o de odores. Para Shephard, a tarefa exclusivamente humana de traduzir a informa\u00e7\u00e3o sensorial em linguagem, criando e integrando categorias, acrescenta elementos \u00e0 acuidade olfativa.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Existe relativamente pouca pesquisa em rela\u00e7\u00e3o ao olfato humano. Ningu\u00e9m d\u00e1 muita bola para o olfato, para seu significado, para as desordens relacionadas e ele e muito menos para suas implica\u00e7\u00f5es psico-neurol\u00f3gicas.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><o_p><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">&nbsp;<\/font><\/o_p><\/p>\n<h2 style=\"MARGIN: 12pt 0cm 3pt\"><em><font size=\"4\">Distor\u00e7\u00f5es olfativas<\/font><\/em><\/h2>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Existem dois tipos b\u00e1sicos de dist\u00farbios olfativos: um \u00e9 a perda do olfato (hyposmia ou anosmia) e o outro s\u00e3o as distor\u00e7\u00f5es (disosmias). As disosmias podem ser mudan\u00e7as na sensa\u00e7\u00e3o subjetiva do odor (quando o cheiro \u00e9 diferente do cheiro que lembramos para aquela objeto ou subst\u00e2ncia, tamb\u00e9m chamado de troposmia, ou quando o cheiro \u00e9 de algo diferente do emissor, tamb\u00e9m chamado de parosmia), ou o indiv\u00edduo pode sentir odores quando (aparentemente) n\u00e3o existem emissores de odor no ambiente, o que caracteriza uma alucina\u00e7\u00e3o (phantosmia). Assim, a banana pode ter um cheiro diferente do que lembramos para bananas, ou a banana pode cheirar peixe podre ou podemos sentir cheiro de peixe podre quando n\u00e3o h\u00e1 nenhum por perto.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Geralmente, essas condi\u00e7\u00f5es est\u00e3o associadas a dist\u00farbios no sistema olfativo. Podem ser causadas por infec\u00e7\u00f5es virais, trauma craniano, epilepsia ou mesmo algumas desordens psiqui\u00e1tricas. <\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">A presen\u00e7a de disosmias e phantosmias durante a recupera\u00e7\u00e3o da perda olfativa \u00e9 observada (Renden et al 2006) em condi\u00e7\u00f5es patol\u00f3gicas.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Leopold (2002) fez uma revis\u00e3o extensa da literatura relativa \u00e0s distor\u00e7\u00f5es olfativas, mostrando que a origem destas condi\u00e7\u00f5es pode ser tanto perif\u00e9rica quanto central. Tamb\u00e9m detalhou as condi\u00e7\u00f5es psiqui\u00e1tricas relacionadas \u00e0 phantosmia como esquizofrenia, psicose alco\u00f3lica, depress\u00e3o e s\u00edndrome de refer\u00eancia olfativa. Outros autores mencionam phantosmia relacionada a Borderline Personality Disorder, coisa que eu mesma leio com bastante cautela: BPD \u00e9 a lata de lixo psiqui\u00e1trica, uma condi\u00e7\u00e3o que para mim \u00e9 pr\u00f3xima de um xingamento elegante. \u00c9 caracterizada como um comportamento dram\u00e1tico de chamar aten\u00e7\u00e3o sobre si. Ou seja: o sujeito \u00e9 um mau-car\u00e1ter e se trata com bastante neurol\u00e9ptico para que pare de encher o saco. Tudo que se atribui a BPD eu tendo a desconfiar. E, em algum lugar de pouca autoridade cient\u00edfica, li que \u00e9 freq\u00fcente a menor acuidade olfativa entre bipolares, e at\u00e9 mesmo um tamanho reduzido da amigdala. N\u00e3o achei as bases emp\u00edricas desta afirma\u00e7\u00e3o em formato bem publicado, mas fica o registro.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><o_p><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">&nbsp;<\/font><\/o_p><\/p>\n<h2 style=\"MARGIN: 12pt 0cm 3pt\"><em><font size=\"4\">Quando n\u00e3o \u00e9 uma coisa, nem outra<\/font><\/em><\/h2>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Eu tenho uma excepcional acuidade olfativa \u2013 desde pequena. Um neurologista que esteve entre a meia d\u00fazia de pessoas ao longo da vida com quem antipatizei de gra\u00e7a instantaneamente me pediu uma resson\u00e2ncia da cabe\u00e7a. Suspeitava de um tumor maligno por causa do que chamou de \u201codores inef\u00e1veis\u201d e hoje sei que se referia a phantosmia. Depois ele me diagnosticou, contra todos os outros diagn\u00f3sticos de outros profissionais antes e depois dele, como portadora de BPD, confirmando minha hip\u00f3tese de que BPD \u00e9 apenas um xingamento. Ele n\u00e3o gostou de mim e nem eu dele. De modo que para ele eu era BPD e para mim ele era um canalha.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Eu n\u00e3o sinto cheiro de peixe podre, nem de merda, nem de nada disso em banana, cachorro ou gelatina. Tamb\u00e9m n\u00e3o sinto odores \u201cdo nada\u201d: n\u00e3o aparecem cheiros malucos quando estou aqui, por exemplo, digitando.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">O que eu tenho \u00e9 a capacidade de sentir, em pessoas, um cheiro que outros n\u00e3o sentem. <span lang=\"EN-US\" style=\"mso-ansi-language: EN-US\">Certas pessoas. E \u00e9 consistente a coisa. <\/span>Eu sentia um cheiro insuport\u00e1vel em um menino adolescente. Nunca consegui descrever direito o cheiro, mas o mais pr\u00f3ximo que cheguei foi uma mistura de cominho com buceta. Esquisito, mas era isso. O garoto era filho de um cara com quem tive uma rela\u00e7\u00e3o \u2013 melhor n\u00e3o especificar, coitado do garoto. Existiam coisas no garoto que me incomodavam muito, particularmente a mentira. Era uma necessidade dele, mas o comportamento manipulativo foi altamente prejudicial a mim. S\u00f3 que o cheiro veio antes&#8230;<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Esse foi o \u00fanico caso de cominho com buceta. O mais comum \u00e9 o que chamo de cheiro de \u201calho podre\u201d. Algu\u00e9m j\u00e1 cheirou alho podre? Eu n\u00e3o, mas por analogia cheguei a isso.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">De novo: o cheiro \u00e9 consistente. Dois casos ilustrativos: o primeiro foi durante uma reuni\u00e3o importante de uma grande sociedade cient\u00edfica. Eu fui chamada para dar minha opini\u00e3o e assessoria t\u00e9cnica numa pesquisa. Tudo ia bem quando, de repente, senti um insuport\u00e1vel cheiro desagrad\u00e1vel \u2013 o tal alho podre. Todos notaram que fiquei um pouco branca, minha cabe\u00e7a doeu e eu parei de falar. \u201cEst\u00e1 tudo bem?\u201d, perguntaram. Eu disse que me sentia meio mal e perguntei se por acaso algu\u00e9m n\u00e3o poderia ter esquecido alguma comida pela sala ou perto dela, comida apodrecida. Todos se levantaram e come\u00e7aram a procurar. Nada. Ent\u00e3o perguntei se est\u00e1vamos perto da lanchonete, recebendo vapores da cozinha. Tamb\u00e9m n\u00e3o. Ent\u00e3o o cheiro aumentou a ponto de me dar engulhos. Foi s\u00f3 ent\u00e3o que observei que esse tempo todo havia um cara de seus 25 anos na porta da sala, h\u00e1 uns tr\u00eas metros de mim. Ele se aproximou e se sentou do meu lado. Quase vomitei. Me trouxeram Sprite, que eu tomei rapidamente, mas n\u00e3o adiantou.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Dei uma afastada, tentei focar na reuni\u00e3o e a\u00ed fui entendendo: o rapaz era um estudante de algu\u00e9m ali e tinha feito o processamento que eu fui chamada para analisar. Todo errado, cheio de furos metodol\u00f3gicos e de chutes feios. N\u00e3o s\u00f3 por incompet\u00eancia: ele se aproveitou da ignor\u00e2ncia dos outros profissionais quanto a esse tipo de metodologia para enfiar uma pesquisa r\u00e1pida e onde ele pudesse se projetar. Ele entendeu que minha presen\u00e7a ali amea\u00e7ava a estrat\u00e9gia dele.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Nunca mais voltei a esse grupo \u2013 dei uma desculpa e ficou por isso mesmo.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Segundo caso ilustrativo: um amigo do meu ex-marido. Dizer que \u00e9 um intelectual relativamente conhecido n\u00e3o compromete o anonimato, j\u00e1 que muitos s\u00e3o. Fui apresentada a ele e nos beijinhos de apresenta\u00e7\u00e3o senti o tal cheiro podre de alho. Ao longo da noite fui percebendo que o sujeito tem tudo que eu rejeito e desprezo: \u00e9 oportunista, machista ao extremo, arrogante, usa os colegas para se projetar, n\u00e3o tem escr\u00fapulo nenhum em prejudicar quem for, \u00e9 puxa-saco (do meu ex-marido, por exemplo, que \u00e9 uma vaca sagrada) e, finalmente, tem aquele nojento discurso pasteurizado de esquerda velha que s\u00f3 enlameia o verdadeiro esp\u00edrito mission\u00e1rio pelo justi\u00e7a social. Enfim: um canalha escroto modelo \u201cStandard\u201d.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Esses dois casos s\u00e3o legais porque o cheiro veio antes do julgamento do car\u00e1ter. J\u00e1 outros podem ser considerados viciados: costumo n\u00e3o gostar do cheiro de quem j\u00e1 se apresenta com estas caracter\u00edsticas. Toda vez que desprezei meu olfato, sentindo um cheiro desagrad\u00e1vel mas racionalmente me dizendo que o sujeito ou sujeita eram gente boa, dancei: o julgamento estava errado, o olfato estava certo.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Quando perdi tes\u00e3o por algum namorado (que em geral n\u00e3o tinha se tornado namorado por paix\u00e3o, e sim por algum motivo emocional idiota, como gratid\u00e3o), o primeiro sinal era n\u00e3o suportar o cheiro do cara. Vontade de vomitar.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><span lang=\"EN-US\" style=\"mso-ansi-language: EN-US\"><font face=\"Times New Roman\"><font size=\"4\">E o oposto? Tamb\u00e9m funciona? <o_p><\/o_p><\/font><\/font><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Sim, funciona. Quando a Mel era beb\u00ea, o cheiro meio azedinho, meio adocicado dela me dava \u00e1gua na boca e \u00e0s vezes eu mordia levemente os bracinhos dela. Era algo do bem, me fazia ter vontade de segur\u00e1-la e n\u00e3o devolver ao ber\u00e7o. Me dava paz.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Homens por quem tive muito tes\u00e3o, rea\u00e7\u00f5es animalescas e rec\u00edprocas de desejo, tinham cheiros que por si s\u00f3 me faziam salivar e ficar molhada. <\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\"><font size=\"4\">Gosto do cheiro dos meus irm\u00e3os, que muitas vezes fica grudado nas roupas deles (os tr\u00eas t\u00eam \u201croupas favoritas\u201d, dessas que se usa at\u00e9 apodrecer e acho que guardam at\u00e9 a forma do corpo do dono). Gosto do cheiro das minhas melhores amigas e amigos. Sinto quando as beijo, nos cabelos e pele do pesco\u00e7o e rosto. <o_p><\/o_p><\/font><\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Mas o mais bizarro \u00e9 que o cheiro do homem com quem me relaciono hoje n\u00e3o me causa s\u00f3 desejo: normaliza minhas fun\u00e7\u00f5es cerebrais. Depois de semanas insone, j\u00e1 em doses altas de benzodiazep\u00ednico sem sucesso em garantir horas seguidas de sono, ele me deu sua camiseta molhada de treino. Desde ent\u00e3o, tenho dormido oito lindas horas seguidas, sem interrup\u00e7\u00e3o \u2013 esse padr\u00e3o \u00e9 completamente at\u00edpico na minha vida, onde a ins\u00f4nia \u00e9 minha lembran\u00e7a mais antiga da primeira inf\u00e2ncia. Tentei com outras situa\u00e7\u00f5es: ansiedade. Cheirei a camiseta e a respira\u00e7\u00e3o se normalizou. <\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">As duas semanas que assustaram amigos e familiares, nas quais n\u00e3o dormi, fiquei sociof\u00f3bica, me retra\u00ed, senti cheiros em pessoas e alguma confus\u00e3o mental aparentemente terminaram. A vida tem voltado ao normal.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Nada do que eu contei se encaixa nas descri\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas de phantosmia ou mesmo de troposmia. \u00c9, sim, uma disosmia, mas uma completamente at\u00edpica.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">J\u00e1 ouvi de tudo, principalmente que o que eu tenho \u00e9 uma habilidade de \u201coutra natureza\u201d, que cai no grande saco de gatos das \u201ccapacidades espirituais\u201d. J\u00e1 me disseram que eu tenho o dom de cheirar o mal e o bem. Nem sei se acredito em bem e mal, quanto mais que possam ser cheirados.<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Depois de tudo que vivi e passei, aprendi a ter uma outra atitude, parecida com esse artigo: come\u00e7a com uma revis\u00e3o da literatura cient\u00edfica, para ver o que se sabe \u201coficialmente\u201d. S\u00f3 depois, separando o conhecido, passo a refletir e delimitar o desconhecido. <\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Est\u00e1 a\u00ed: eis a\u00ed um desconhecido. N\u00e3o devo ser a \u00fanica a t\u00ea-lo e espero que ajude outros \u201cfreaks\u201d. Afinal, \u201cfreaks\u201d unidos podem at\u00e9 n\u00e3o ser invenc\u00edveis, mas pelo menos sobrevivem juntos!<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><o_p><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">&nbsp;<\/font><\/o_p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><font face=\"Times New Roman\"><font size=\"4\">Marilia<o_p><\/o_p><\/font><\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><o_p><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">&nbsp;<\/font><\/o_p><\/p>\n<h2 style=\"MARGIN: 12pt 0cm 3pt\"><span lang=\"EN-US\" style=\"mso-ansi-language: EN-US\"><em><font size=\"4\">Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<o_p><\/o_p><\/font><\/em><\/span><\/h2>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><span lang=\"EN-US\" style=\"mso-ansi-language: EN-US\"><o_p><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">&nbsp;<\/font><\/o_p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt\"><span lang=\"EN-US\" style=\"mso-ansi-language: EN-US\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">Gordon M. Shepherd. Unsolved Mystery &#8211; The Human Sense of Smell: Are We Better Than We Think? PLoS Biology | <\/font><a href=\"http:\/\/biology.plosjournals.org\/\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">http:\/\/biology.plosjournals.org<\/font><\/a><font face=\"Times New Roman\"><font size=\"4\"> . May 2004 | Volume 2 | Issue 5 | Page 0572<o_p><\/o_p><\/font><\/font><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt\"><span lang=\"EN-US\" style=\"mso-ansi-language: EN-US\"><o_p><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">&nbsp;<\/font><\/o_p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt\"><span lang=\"EN-US\" style=\"mso-ansi-language: EN-US\"><font face=\"Times New Roman\"><font size=\"4\">Leopold D. Distortion of olfactory perception: diagnosis and treatment. Chem Senses. 2002 Sep;27(7):611-5.<o_p><\/o_p><\/font><\/font><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt\"><span lang=\"EN-US\" style=\"mso-ansi-language: EN-US\"><o_p><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">&nbsp;<\/font><\/o_p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt\"><font face=\"Times New Roman\"><font size=\"4\"><span lang=\"EN-US\" style=\"mso-ansi-language: EN-US\">Reden J, Maroldt H, Fritz A, Zahnert T, Hummel T. A study on the prognostic significance of qualitative olfactory dysfunction. Eur Arch Otorhinolaryngol. <\/span>2007 Feb;264(2):139-44. Epub 2006 Sep 28.<\/font><\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt\"><o_p><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">&nbsp;<\/font><\/o_p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><span lang=\"EN-US\" style=\"mso-ansi-language: EN-US\"><o_p><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">&nbsp;<\/font><\/o_p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify\"><span lang=\"EN-US\" style=\"mso-ansi-language: EN-US\"><o_p><font face=\"Times New Roman\" size=\"4\">&nbsp;<\/font><\/o_p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Introdu\u00e7\u00e3o &nbsp; Ningu\u00e9m d\u00e1 muita bola para o olfato, mas ele \u00e9 importante. Principalmente se o seu n\u00e3o \u00e9 muito normal. O olfato \u00e9 um sistema sensorial que serve para detectar v\u00e1rias subst\u00e2ncias que chegam pelo ar ou dissolvidas em l\u00edquido. 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