{"id":5525,"date":"2012-01-18T20:00:00","date_gmt":"2012-01-18T20:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/inveske.co.uk\/resposta-ao-marcus-sobre-proatividade-em-praticantes-de-atividade-fisica\/"},"modified":"2012-01-18T20:00:00","modified_gmt":"2012-01-18T20:00:00","slug":"resposta-ao-marcus-sobre-proatividade-em-praticantes-de-atividade-fisica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/resposta-ao-marcus-sobre-proatividade-em-praticantes-de-atividade-fisica\/","title":{"rendered":"Resposta ao Marcus sobre proatividade em praticantes de atividade f\u00edsica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\">Vamos l&aacute;, Marcus. Voc&ecirc; n&atilde;o precisa rasgar o diploma. Mas pode us&aacute;-lo melhor e trabalhar dentro de um perspectiva de constru&ccedil;&atilde;o coletiva de saber e tomada de decis&atilde;o negociada.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Acima de tudo, &eacute; importante que todos entendam que aqui, a quest&atilde;o subjacente chama-se RELA&Ccedil;&Atilde;O DE PODER. A sociologia das profiss&otilde;es mostra que as corpora&ccedil;&otilde;es (m&eacute;dicos, engenheiros, etc) se organizam para lutar por PODER na sociedade atrav&eacute;s de hegemonia sobre um discurso: &ldquo;eu passo a ter direito exclusivo para dizer o que &eacute; seguro na constru&ccedil;&atilde;o de uma ponte&rdquo;; &ldquo;eu passo a ter direito exclusivo para dizer o que &eacute; criminoso&rdquo;; &ldquo;eu passo a ter direito exclusivo para dizer o que &eacute; saud&aacute;vel&rdquo; &ndash; OPA!! Mesmo? E eu, que sou o sujeito da condi&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel ou n&atilde;o? Que tenho ou n&atilde;o uma doen&ccedil;a ou condi&ccedil;&atilde;o patol&oacute;gica? Tenho ou n&atilde;o direito de negociar essa condi&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A realidade hoje &eacute; que crescem os movimentos de &ldquo;sobreviventes&rdquo; e outros de pacientes pro-ativos, que t&ecirc;m alto dom&iacute;nio t&eacute;cnico de suas condi&ccedil;&otilde;es e se organizaram para resistir &agrave; hegemonia dos m&eacute;dicos sobre este discurso.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ilustra&ccedil;&atilde;o: &ldquo;voc&ecirc; est&aacute; com c&acirc;ncer de pr&oacute;stata e o tratamento indicado &eacute; prostatectomia radical&rdquo;. Resposta de um paciente proativo: &ldquo;discordo e n&atilde;o ser&aacute; assim: dada minha idade e o doubling time observado, &eacute; minha decis&atilde;o que o tratamento deve ser radioterapia.&rdquo; Se o m&eacute;dico n&atilde;o concordar e n&atilde;o souber fundamentar seu ponto de vista, com SIMETRIA e respeito, s&atilde;o grandes as chances dele entrar na lista negra nos Estados Unidos (Yes! Existe!).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Algu&eacute;m j&aacute; est&aacute; come&ccedil;ando a ver o paralelo com a Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica? Os personal trainers? Ainda n&atilde;o? Opa, continuemos, ent&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Aos pontos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Como diferente de um sujeito experimental, um paciente\/aluno\/cliente &eacute; um sujeito ativo e pro-ativo. N&atilde;o precisamos negociar com um rato a resposta fisiol&oacute;gica dele ao stress oxidativo induzido por determinado protocolo de treinamento. Vamos medir indicadores e mostrar que o grupo que recebeu beta alanina (por nossa decis&atilde;o rigorosamente n&atilde;o negociada) se recuperou melhor que o grupo controle.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas com o cliente, &eacute; preciso negociar a &ldquo;verdade do contexto&rdquo;. Por que? Porque ela &eacute; relativa a uma s&eacute;rie de condicionantes individuais.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Vamos come&ccedil;ar com o simples: o indiv&iacute;duo lhe procura para prescrever um treinamento. Ele DESEJA perder &ldquo;peso&rdquo; &ndash; qualquer coisa que pese (m&uacute;sculo, gordura, osso, cuspe&#8230; ele n&atilde;o sabe). Voc&ecirc; observa a composi&ccedil;&atilde;o corporal do sujeito e verifica que ela est&aacute; saud&aacute;vel e adequada segundo o que voc&ecirc; acha que sabe. No entanto, &eacute; importante, por algum motivo, para ele, perder peso. Desde que as medidas n&atilde;o conflitem com algum princ&iacute;pio &eacute;tico seu (eu tenho, eu jamais aceitaria um aluno assim), o desejo &eacute; dele. O seu diploma serve para dar os par&acirc;metros para que o programa n&atilde;o seja perigoso. Se voc&ecirc; tiver bom senso, voc&ecirc; vai procurar otimizar a perda de gordura e manuten&ccedil;&atilde;o de massa magra e ponto final.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O corpo &eacute; dele, ele diz o que &eacute; bom para ele. O seu papel, com o seu diploma, &eacute; dar par&acirc;metros e ajud&aacute;-lo a tomar a decis&atilde;o (ELE TOMA A DECIS&Atilde;O) melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Outra coisa: o seu diploma vai ajudar muito pouco na interpreta&ccedil;&atilde;o da complex&iacute;ssima rela&ccedil;&atilde;o afetiva da pessoa com o movimento. Corporalidade &eacute; um treco complicado. Voc&ecirc; pode criar uma rotina lindinha segundo a mais sofisticada literatura sobre funcionalidade, s&oacute; que ela inclui bola. Seu aluno responde: &ldquo;NEM FODENDO! ODEIO ESSA MERDA!&rdquo; E olha para voc&ecirc; com olhar assassino. &Eacute; perda de tempo tentar argumentar sobre a import&acirc;ncia do programa fofo que voc&ecirc; criou. O &oacute;dio dele por bola est&aacute; escondido nas minhocas da hist&oacute;ria de vida dele. Amasse a planilha e crie outra.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Finalizo com uma ilustra&ccedil;&atilde;o interessante. Quando eu decidi abandonar o tratamento medicamentoso para uma condi&ccedil;&atilde;o grave, um amigo bioqu&iacute;mico, muito bioqu&iacute;mico, talvez o mais citado do pa&iacute;s, doutor em Harvard, vaca sagrada, etc (cheio de diploma e pedigree, certo?) me questionou. Eu respondi, no final, que finalmente me sentia &ldquo;feliz&rdquo;. Ele perguntou &ldquo;mas&#8230; voc&ecirc; consultou algum profissional para poder afirmar isso?&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">N&atilde;o &eacute; piada. Em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, esse autoritarismo profissional que leva a gente acreditar que o diploma nos autoriza saber sempre o que &eacute; melhor para &ldquo;o outro&rdquo; acaba nisso: segundo meu erudit&eacute;rrimo amigo, eu precisava de um atestado de felicidade conferido por um psiquiatra com CRM e membro da sociedade brasileira de psiquiatria.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Pensem&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vamos l&aacute;, Marcus. Voc&ecirc; n&atilde;o precisa rasgar o diploma. Mas pode us&aacute;-lo melhor e trabalhar dentro de um perspectiva de constru&ccedil;&atilde;o coletiva de saber e tomada de decis&atilde;o negociada. Acima de tudo, &eacute; importante que todos entendam que aqui, a quest&atilde;o subjacente chama-se RELA&Ccedil;&Atilde;O DE PODER. 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