{"id":5565,"date":"2014-01-27T00:11:05","date_gmt":"2014-01-27T00:11:05","guid":{"rendered":"https:\/\/inveske.co.uk\/o-pe-serie-o-acougue\/"},"modified":"2014-01-27T00:11:05","modified_gmt":"2014-01-27T00:11:05","slug":"o-pe-serie-o-acougue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/pt-br\/o-pe-serie-o-acougue\/","title":{"rendered":"O p\u00e9 &#8211; s\u00e9rie o A\u00e7ougue"},"content":{"rendered":"<p>Ela nunca teve chances: com tr\u00eas ou quatro anos de idade, foi simplesmente silenciada. Seus pezinhos em forma\u00e7\u00e3o foram mergulhados em l\u00edquidos p\u00fatridos no preparo para o ato em si. Pegaram um dos p\u00e9s e dobraram o ded\u00e3o para tr\u00e1s at\u00e9 romper ligamentos e tend\u00f5es e quebrar os ossos. Feito isso, comprimiram o calcanhar em dire\u00e7\u00e3o ao apoio anterior do p\u00e9. Os ossos do arco foram quebrados para isso. Fizeram o mesmo com o outro p\u00e9. A m\u00e3e foi afastada para n\u00e3o ouvir seus urros de dor. Com ossos quebrados, ligamentos e tend\u00f5es rompidos, os p\u00e9s dela foram amarrados na posi\u00e7\u00e3o deformada. A cada dia apertavam mais as ataduras. Quando ela finalmente pode encostar os p\u00e9s no ch\u00e3o, a dor lancinante indicou o que seria sua vida para sempre: uma vida de sofrimento f\u00edsico e imobilidade. Uma pris\u00e3o feita n\u00e3o com grades ou correntes, mas com a inutiliza\u00e7\u00e3o da ferramenta humana para locomo\u00e7\u00e3o: os p\u00e9s.<\/p>\n<p>Essa menina n\u00e3o \u00e9 uma pessoa espec\u00edfica. O formato em script dram\u00e1tico foi feito para que voc\u00ea, leitor@, se aproximasse um pouco da realidade do que se calcula terem sido de um a quatro bilh\u00f5es de mulheres submetidas ao ritual de deforma\u00e7\u00e3o dos p\u00e9s praticado na China. Come\u00e7aremos por aqui a viagem pela constru\u00e7\u00e3o social do p\u00e9 feminino.<\/p>\n<p>A escolha n\u00e3o foi fortuita: a China \u00e9 l\u00e1 longe e a Idade M\u00e9dia tamb\u00e9m. Suficientemente longe para que nos horrorizemos com a tortura cruel a que todas estas mulheres foram submetidas. \u00c0 medida que as tem\u00e1ticas comuns nos aproximarem dos nossos pr\u00f3prios p\u00e9s, creio que o afastamento inicial nos permitir\u00e1 entender que sempre tivemos nossos revolucion\u00e1rios p\u00e9s amarrados.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/shacklelg.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3732\" alt=\"shacklelg\" src=\"http:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/shacklelg.jpg\" width=\"400\" height=\"292\" srcset=\"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/shacklelg.jpg 400w, https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/shacklelg-300x219.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Figura 1: grilh\u00f5es para p\u00e9s<\/p>\n<p><strong>\u00a0P\u00e9s amarrados: a est\u00e9tica da submiss\u00e3o e da imobilidade<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5em;\">O ritual da deforma\u00e7\u00e3o dos p\u00e9s foi praticado na China durante mil anos. Iniciado no s\u00e9culo X, a deforma\u00e7\u00e3o de p\u00e9s femininos s\u00f3 foi totalmente extinta por decreto governamental do governo comunista em 1949.<\/span><\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de um p\u00e9 deformado para uma mulher adulta come\u00e7ava na inf\u00e2ncia. A menina, entre 2 e 5 anos de idade, era submetida a penosas sess\u00f5es de deforma\u00e7\u00e3o dos p\u00e9s que necessariamente produzia fraturas e outras les\u00f5es ortop\u00e9dicas, al\u00e9m de risco de infec\u00e7\u00e3o. A infec\u00e7\u00e3o, necrose e perda de partes do p\u00e9 parecem ter sido comuns. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar que a morte por septicemia tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Pelas descri\u00e7\u00f5es da literatura, a primeira sess\u00e3o devia ser a mais dif\u00edcil: \u00e9 quando era necess\u00e1rio quebrar o ded\u00e3o e os ossos do arco do p\u00e9. Apesar da manipula\u00e7\u00e3o constante atrasar sobremaneira a cicatriza\u00e7\u00e3o \u00f3ssea, eventualmente ela ocorria e <a href=\"http:\/\/www.neatorama.com\/2010\/07\/07\/the-bygone-practice-of-foot-binding-in-china\/\">os p\u00e9s da mulher tornavam-se deformados para sempre<\/a>.<\/p>\n<p>IMAGENS 2.1, 2.2, 2.3<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone\" alt=\"\" src=\"http:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/8\/83\/FootBindingRxSchema2.gif\" width=\"480\" height=\"145\" \/><\/p>\n<p>Fig 2.1. Compara\u00e7\u00e3o entre um p\u00e9 normal e um deformado<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone\" alt=\"\" src=\"http:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/thumb\/1\/14\/Bound_feet_%28X-ray%29.jpg\/769px-Bound_feet_%28X-ray%29.jpg\" width=\"323\" height=\"252\" \/><\/p>\n<p>Fig 2.2. Raio X de p\u00e9s deformados<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" alt=\"\" src=\"http:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/thumb\/b\/bf\/A_HIGH_CASTE_LADYS_DAINTY_LILY_FEET.jpg\/582px-A_HIGH_CASTE_LADYS_DAINTY_LILY_FEET.jpg\" width=\"349\" height=\"359\" \/><\/p>\n<p>Fig 2.3. Mulher com p\u00e9 deformado sem bandagens<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" alt=\"\" src=\"http:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/thumb\/b\/b2\/Chaussure_chinoise_Saverne_02_05_2012_1.jpg\/800px-Chaussure_chinoise_Saverne_02_05_2012_1.jpg\" width=\"336\" height=\"239\" \/><\/p>\n<p>Fig 2.3. Sapatos para p\u00e9s deformados<\/p>\n<p>Como e com que motiva\u00e7\u00e3o expl\u00edcita essa pr\u00e1tica come\u00e7ou \u00e9 apenas conjectura: est\u00e1 perdido na aus\u00eancia de registros de s\u00e9culos de tradi\u00e7\u00e3o. O que \u00e9 consenso entre os comentadores e estudiosos \u00e9 que a mulher com p\u00e9s deformados era um s\u00edmbolo de status para sua fam\u00edlia e marido. Afinal, apenas fam\u00edlias ricas podiam se dar ao luxo de ter uma mulher em casa que n\u00e3o apenas n\u00e3o podia trabalhar, mas que requeria aten\u00e7\u00e3o constante para os cuidados com seus p\u00e9s deformados.<\/p>\n<p>A mulher com p\u00e9s deformados se locomovia com muita dificuldade e mal. Pela perda da funcionalidade dos p\u00e9s, ela precisava andar com os joelhos levemente flexionados, al\u00e9m da postura ser inst\u00e1vel e n\u00e3o ereta.<\/p>\n<p>N\u00e3o apenas o pequeno tamanho dos p\u00e9s, mas a postura e andar alterados foram culturalmente constru\u00eddos como belos e sexualmente atraentes.<\/p>\n<p>O bottom line dessa hist\u00f3ria de mil anos de horror \u00e9 que qualquer coisa pode ser constru\u00edda como sexualmente atraente e bela: a cultura \u00e9 o reino do arb\u00edtrio, para o bom e fascinante, e para o mal e horripilante.<\/p>\n<p>O fim da pr\u00e1tica de amarrar os p\u00e9s fez parte dos <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Foot_Emancipation_Society\">primeiros esfor\u00e7os feministas na China<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\n<h2>Para que servem os p\u00e9s: um pouco de evolu\u00e7\u00e3o, anatomia e cinesiologia<\/h2>\n<\/div>\n<p>Todas as met\u00e1foras envolvendo p\u00e9s e m\u00e3os, bem como a investida opressiva sobre estas duas partes do corpo em termos de sua funcionalidade, derivam da grande novidade evolutiva da qual nossa esp\u00e9cie \u00e9 a pioneira: o bipedismo completo. Em fun\u00e7\u00e3o dele, temos m\u00e3os livres para um conjunto de tarefas motoras novas e de imenso impacto na realidade, como j\u00e1 vimos. Tamb\u00e9m em fun\u00e7\u00e3o dele, nossos p\u00e9s passaram a ser a \u00fanica estrutura que faz interface com o solo.<\/p>\n<p>Foram milh\u00f5es de anos de press\u00f5es evolutivas variadas. Vamos focar, no entanto, nas press\u00f5es seletivas e seu resultado em rela\u00e7\u00e3o aos p\u00e9s. Estas press\u00f5es foram principalmente relacionadas \u00e0 efici\u00eancia do equil\u00edbrio e da propuls\u00e3o. Ainda que em outros primatas os membros inferiores tenham sempre sido os principais membros para a locomo\u00e7\u00e3o, esta se dava sempre com apoio parcial dos membros superiores (com os n\u00f3s dos dedos, nas esp\u00e9cies com maior locomo\u00e7\u00e3o no ch\u00e3o), e p\u00e9s e m\u00e3os com agarre, nas esp\u00e9cies mais arbor\u00edcolas.<\/p>\n<p>Parece natural que a rela\u00e7\u00e3o entre a anatomia dos p\u00e9s e nossa natureza ou at\u00e9 mesmo identidade tenha ocupado a aten\u00e7\u00e3o da comunidade cient\u00edfica. Houve um boom de estudos sobre evolu\u00e7\u00e3o dos p\u00e9s (e m\u00e3os) nos anos 1920s e 1930s interrompido por um per\u00edodo em que a aus\u00eancia de evid\u00eancia paleontol\u00f3gica provocou um certo marasmo. Com as novas descobertas de f\u00f3sseis de homin\u00eddeos nos anos 1960s, a pesquisa e discuss\u00e3o foram retomados em outro patamar.<\/p>\n<p>As origens e evolu\u00e7\u00e3o do bipedismo s\u00e3o um tema ainda agitado pela controv\u00e9rsia e falta de consenso. O que alguns estudiosos acreditam \u00e9 que rotas evolutivas distintas responderam \u00e0s poderosas <a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/j.0021-8782.2004.00296.x\/full\">press\u00f5es seletivas que resultaram na anatomia e cinesiologia do p\u00e9 humano <\/a>moderno.<\/p>\n<p>O p\u00e9 humano e o tornozelo comp\u00f5em a estrutura mec\u00e2nica que resultou de tais press\u00f5es seletivas. Ela cont\u00e9m exatamente <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Foot\">26 ossos, 33 articula\u00e7\u00f5es e mais de 100 m\u00fasculos, tend\u00f5es e ligamentos<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-3-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-3739\" alt=\"fig 3-1\" src=\"http:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-3-1.jpg\" width=\"239\" height=\"241\" srcset=\"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-3-1.jpg 399w, https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-3-1-298x300.jpg 298w, https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-3-1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 239px) 100vw, 239px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Figura 3.1. Os ossos do p\u00e9 humano<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-3-2.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-3740\" alt=\"fig 3-2\" src=\"http:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-3-2.png\" width=\"148\" height=\"359\" srcset=\"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-3-2.png 247w, https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-3-2-124x300.png 124w\" sizes=\"(max-width: 148px) 100vw, 148px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Figura 3.2. M\u00fasculos, ligamentos e tend\u00f5es do p\u00e9 humano<\/p>\n<p>Observe abaixo tr\u00eas anima\u00e7\u00f5es que mostram como este sistema mec\u00e2nico funciona para produzir a marcha e a corrida humana (duas a\u00e7\u00f5es de import\u00e2ncia fundamental desde a inf\u00e2ncia) , com o equil\u00edbrio e propuls\u00e3o necess\u00e1rios:<\/p>\n<p><object width=\"420\" height=\"315\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><param name=\"src\" value=\"\/\/www.youtube.com\/v\/0R4zRSE_-40?version=3&amp;hl=en_US&amp;rel=0\" \/><param name=\"allowfullscreen\" value=\"true\" \/><embed width=\"420\" height=\"315\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" src=\"\/\/www.youtube.com\/v\/0R4zRSE_-40?version=3&amp;hl=en_US&amp;rel=0\" allowFullScreen=\"true\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" \/><\/object><br \/>\n<object width=\"420\" height=\"315\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><param name=\"src\" value=\"\/\/www.youtube.com\/v\/MON0b3z_qCs?version=3&amp;hl=en_US&amp;rel=0\" \/><param name=\"allowfullscreen\" value=\"true\" \/><embed width=\"420\" height=\"315\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" src=\"\/\/www.youtube.com\/v\/MON0b3z_qCs?version=3&amp;hl=en_US&amp;rel=0\" allowFullScreen=\"true\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" \/><\/object><br \/>\n<object width=\"560\" height=\"315\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><param name=\"src\" value=\"\/\/www.youtube.com\/v\/d2txUtNp750?hl=en_US&amp;version=3&amp;rel=0\" \/><param name=\"allowfullscreen\" value=\"true\" \/><embed width=\"560\" height=\"315\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" src=\"\/\/www.youtube.com\/v\/d2txUtNp750?hl=en_US&amp;version=3&amp;rel=0\" allowFullScreen=\"true\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" \/><\/object><br \/>\nPor que me preocupei tanto com a evolu\u00e7\u00e3o, a complexidade da estrutura anat\u00f4mica e a cinesiologia do p\u00e9 neste ensaio? Para que voc\u00ea, leitor@, sinta fortemente a import\u00e2ncia da primeira afirma\u00e7\u00e3o deste \u00edtem: a press\u00e3o seletiva que resultou no p\u00e9 humano moderno foi pela maior efici\u00eancia poss\u00edvel do <b><i>equil\u00edbrio<\/i><\/b> e da <b><i>propuls\u00e3o<\/i><\/b>.<\/p>\n<p>Agora o entendimento do efeito do ritual dos p\u00e9s amarrados e de qualquer interfer\u00eancia na estrutura e fun\u00e7\u00e3o do p\u00e9 ganha clareza pol\u00edtica: elas interferem diretamente na express\u00e3o de nossa humanidade ao subtrair \u00e0s v\u00edtimas seu equil\u00edbrio e capacidade de propuls\u00e3o. Elas s\u00e3o opressivas, sexistas e desumanizantes.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que outras vertentes da cultura da forma n\u00e3o teriam efeito semelhante?<\/p>\n<div>\n<h2>Salto alto<\/h2>\n<\/div>\n<p>Se voc\u00ea pensou \u201csalto alto\u201d, pensou certo. In\u00fameras comentadoras compararam o salto alto moderno com o ritual do p\u00e9 amarrado chin\u00eas (<a href=\"http:\/\/www.8asians.com\/2012\/05\/10\/how-high-heels-are-todays-foot-binding\/ \">aqui <\/a>e <a href=\"http:\/\/www.huffingtonpost.com\/2011\/07\/20\/snow-flower-foot-binding-high-heels_n_901184.html#s310509\">aqui <\/a>). Tanto um quanto o outro fazem com que o p\u00e9 pare\u00e7a menor, caracter\u00edstica constru\u00edda como sexualmente atraente nos dois contextos culturais; tanto um quanto o outro deformam o p\u00e9 (embora o salto alto n\u00e3o t\u00e3o dramaticamente), pelo menos enquanto usado o cal\u00e7ado; tanto um quanto o outro alteram a postura e a marcha, nos dois casos para uma postura e marchas constru\u00eddas culturalmente como sexualmente atraentes.<\/p>\n<p>Observem os dois v\u00eddeos abaixo com anima\u00e7\u00f5es explicativas sobre o efeito do uso de sapatos de salto alto sobre a marcha e sobre os potenciais riscos lesivos:<br \/>\n<object width=\"560\" height=\"315\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><param name=\"src\" value=\"\/\/www.youtube.com\/v\/xlnmvALaMZg?hl=en_US&amp;version=3&amp;rel=0\" \/><param name=\"allowfullscreen\" value=\"true\" \/><embed width=\"560\" height=\"315\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" src=\"\/\/www.youtube.com\/v\/xlnmvALaMZg?hl=en_US&amp;version=3&amp;rel=0\" allowFullScreen=\"true\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" \/><\/object><\/p>\n<p><object width=\"560\" height=\"315\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><param name=\"src\" value=\"\/\/www.youtube.com\/v\/f7st5TNDHGU?version=3&amp;hl=en_US&amp;rel=0\" \/><param name=\"allowfullscreen\" value=\"true\" \/><embed width=\"560\" height=\"315\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" src=\"\/\/www.youtube.com\/v\/f7st5TNDHGU?version=3&amp;hl=en_US&amp;rel=0\" allowFullScreen=\"true\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" \/><\/object><br \/>\nSaltos moderados come\u00e7aram a ser usados nas cortes europ\u00e9ias no s\u00e9culo XVI. Os saltos muito mais altos femininos, no entanto, apareceram somente no s\u00e9culo XX. Os saltos exageradamente altos s\u00e3o frequentemente associados \u00e0 ind\u00fastria pornogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>Mais uma vez, da mesma maneira como com outras op\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas, a despeito de todos os riscos e problemas ortop\u00e9dicos, o problema pol\u00edtico n\u00e3o est\u00e1 na exist\u00eancia e uso do objeto, mas na sua imposi\u00e7\u00e3o \u2013 direta ou indireta \u2013 \u00e0s mulheres.<\/p>\n<p>Assim como espera-se de uma prostituta que use saltos altos, tamb\u00e9m espera-se de secret\u00e1rias, recepcionistas e outras trabalhadoras do ambiente executivo em escrit\u00f3rios. O mesmo se d\u00e1 com gar\u00e7onetes. Em junho de 2013, o sindicato de gar\u00e7onetes, nos Estados Unidos, colocou a exig\u00eancia dos saltos altos em pauta na nagocia\u00e7\u00e3o com contratantes. O <a href=\" http:\/\/www.creators.com\/opinion\/froma-harrop\/high-heels-and-workers-rights.html\">sindicato alega<\/a> que, al\u00e9m de lesivo, o uso de saltos altos pode ser uma forma de livrar-se das gar\u00e7onetes mais velhas, j\u00e1 lesionadas demais para suportar o uso dos mesmos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\n<h2>E como n\u00e3o podia deixar de ser, a psicologia evolutiva nunca decepciona no besteirol<\/h2>\n<\/div>\n<p>E o que mais, se n\u00e3o um impulso incontrol\u00e1vel geneticamente codificado nos faria, como esp\u00e9cie, valorizar p\u00e9s femininos pequenos? Campo para nossa conhecida usina de bobagem conservadora, a psicologia evolutiva, produzir suas \u201cevid\u00eancias\u201d com fundamento metodol\u00f3gico passando quil\u00f4metros de um olhar antropol\u00f3gico cr\u00edtico. Nessa linha, <a href=\"http:\/\/www.amsciepub.com\/doi\/abs\/10.2466\/pms.104.4.1123-1138\">Voracek e colaboradores\u00a0\u201cdemonstraram\u201d<\/a>, atrav\u00e9s de \u201cdiferentes m\u00e9todos\u201d, que p\u00e9s pequenos em mulheres s\u00e3o uma medida de atratividade em nossa esp\u00e9cie. N\u00e3o importa que as amostras tenham sido 75 homens e mulheres do Canad\u00e1 e Austria hoje: isso \u00e9 irrelevante para estes pesquisadores. O fato de serem ambos pa\u00edses com economias de mercado bem desenvolvidas, urbanos, e majoritariamente caucasianos, com heran\u00e7a cultural Europeia (ou propriamente europeu) \u00e9 igualmente irrelevante para eles.<\/p>\n<p>Como os autores s\u00e9rios em biologia evolutiva ou estudos sociais da ci\u00eancia afirmam, n\u00e3o h\u00e1 discuss\u00e3o cient\u00edfica poss\u00edvel com a psicologia evolutiva: o di\u00e1logo est\u00e1 fora do \u00e2mbito da ci\u00eancia por n\u00e3o considerar consensos intelectuais h\u00e1 muito estabelecidos, bem como par\u00e2metros m\u00ednimos de rigor metodol\u00f3gico na pesquisa social. N\u00e3o h\u00e1 o que discutir em rela\u00e7\u00e3o a pseudo-estudos tautol\u00f3gicos que demonstram seu pressuposto, e n\u00e3o uma tese verific\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que a atratividade sexual de p\u00e9s pequenos femininos \u00e9 t\u00e3o essencial ou biol\u00f3gica quanto a propor\u00e7\u00e3o quadril-cintura, tamanho de nariz, comprimento de cabelo, cor de pele ou a bobagem que se quiser demonstrar associada \u00e0 ideologia dominante, ou seja: nada.<\/p>\n<div>\n<h2>Ornamento: as v\u00e1rias formas de construir a beleza<\/h2>\n<\/div>\n<p>Assim como m\u00e3os, barriga, rosto, cabelos e outras partes do corpo, os p\u00e9s das mulheres (e dos homens tamb\u00e9m, embora bem menos) t\u00eam sido ornamentados em quase todas as culturas desde tempos imemoriais. Mesmo sociedades que floresceram e resistem em locais frios t\u00eam seus cal\u00e7ados, que naturalmente s\u00e3o objetos de constru\u00e7\u00e3o est\u00e9tica como ornamento, al\u00e9m do uso pr\u00e1tico como prote\u00e7\u00e3o aos p\u00e9s.<\/p>\n<p>J\u00f3ias e arte corporal, como tatoo, podem representar marcas de distin\u00e7\u00e3o e status social em sociedades tradicionais. Algums formas tradicionais ainda persistem, como mostram as imagens abaixo.<\/p>\n<p>Hoje, no entanto, a ornamenta\u00e7\u00e3o dos p\u00e9s foi apropriada de diversas maneiras por mulheres de todo o mundo. Fazem parte de um repert\u00f3rio universal com o qual se constroem identidades e as pr\u00f3prias representa\u00e7\u00f5es do belo, com m\u00faltiplos di\u00e1logos atrav\u00e9s do tempo e das culturas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-4-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-3750\" alt=\"fig 4-1\" src=\"http:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-4-1.jpg\" width=\"298\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-4-1.jpg 709w, https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-4-1-300x227.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 298px) 100vw, 298px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Figura 4.1 &#8211; Ornamento para p\u00e9s do Yemen<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-4-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3751\" alt=\"fig 4-2\" src=\"http:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-4-2.jpg\" width=\"261\" height=\"178\" \/><\/a><\/p>\n<p>Figura 4.2 \u2013 Tatoo e ornamento matrimonial na \u00cdndia<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-4.3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-3752\" alt=\"fig 4.3\" src=\"http:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-4.3.jpg\" width=\"384\" height=\"255\" srcset=\"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-4.3.jpg 548w, https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-4.3-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Figura 4.3 \u2013 Ornamentos de prata utilizados na regi\u00e3o do Gujarat (\u00cdndia) por mulheres da etnia Chota Udaipur num mercado. Fotografia de Jutta Jain-Neubauer<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-4-4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-3753\" alt=\"fig 4-4\" src=\"http:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-4-4.jpg\" width=\"190\" height=\"215\" srcset=\"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-4-4.jpg 317w, https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-4-4-266x300.jpg 266w\" sizes=\"(max-width: 190px) 100vw, 190px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Figura 4.4 \u2013 Desenho de ornamentos para p\u00e9s e dedos dos p\u00e9s no in\u00edcio do s\u00e9culo XX (\u00cdndia)<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-4-5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-3754\" alt=\"fig 4-5\" src=\"http:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-4-5.jpg\" width=\"332\" height=\"218\" srcset=\"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-4-5.jpg 553w, https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-4-5-300x197.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 332px) 100vw, 332px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Figura 4-5 \u2013 Ornamento de prata (\u00cdndia)<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-4-6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-3755\" alt=\"fig 4-6\" src=\"http:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-4-6.jpg\" width=\"300\" height=\"230\" srcset=\"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-4-6.jpg 500w, https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-4-6-300x230.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Figura 4.6 \u2013 Ornamento artesanal neo-pag\u00e3o moderno<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\n<h2>vivendo a contradi\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<\/div>\n<p>A \u00e9poca do policiamento por coer\u00eancia, gra\u00e7as a todas as divindades inexistentes ou, se voc\u00ea quiser, existentes, est\u00e1 se acabando. Acredito que nossa fun\u00e7\u00e3o ao exibir as entranhas da constru\u00e7\u00e3o social de coisas t\u00e3o prosaicas como sapatos ou talheres \u00e9 mostrar que a pr\u00f3pria ideia de coer\u00eancia \u00e9 ing\u00eanua, boba e insustent\u00e1vel. Coer\u00eancia com que?<\/p>\n<p>O que se pode buscar \u00e9 o caminho da maior liberta\u00e7\u00e3o pessoal e social poss\u00edvel. Acabar com pr\u00e1ticas que envolviam tortura e abuso de crian\u00e7as como os p\u00e9s amarrados chineses \u00e9 uma quest\u00e3o pac\u00edfica: nem merece discuss\u00e3o. Mas o que dizer sobre os saltos altos? \u00c9 ineg\u00e1vel o paralelo com os p\u00e9s amarrados. Ainda assim, muitas mulheres com alto grau de consci\u00eancia sobre as quest\u00f5es de opress\u00e3o de g\u00eanero usam, e bastante, os saltos altos.<\/p>\n<p>Como ficamos?<\/p>\n<p>Ficamos com o poder de tomar decis\u00f5es mais bem informadas. Sabendo de onde v\u00eam as representa\u00e7\u00f5es, cada uma de n\u00f3s est\u00e1 mais empoderada para perambular pelo repert\u00f3rio est\u00e9tico de alta carga ideol\u00f3gica de g\u00eanero e fazer as melhores escolhas para si.<\/p>\n<p>E para me incluir nesse imbr\u00f3glio (in)coerente, a\u00ed vai uma das mais belas fotos j\u00e1 tiradas de mim, por Bob Wolfenson.<\/p>\n<p>Eu sou uma atleta de alto rendimento, dependo dos meus p\u00e9s e tornozelos \u00edntegros para minha arte e minha profiss\u00e3o. Uso botas e t\u00eanis no dia-a-dia e para minha pr\u00e1tica. N\u00e3o sei andar com salto alto. Para chegar at\u00e9 o local onde foram feitas as fotos (um percurso rid\u00edculo de 15 metros), fui ajudada.<\/p>\n<p>O que eu acho? Lindo de morrer! Mas, como dizem, \u201cs\u00f3 para bater um retrato\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-5.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3756\" alt=\"fig 5\" src=\"http:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-5.jpeg\" width=\"400\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-5.jpeg 400w, https:\/\/www.mariliacoutinho.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fig-5-200x300.jpeg 200w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Figura 5 \u2013 Mar\u00edlia Coutinho, Serafina, Folha de S\u00e3o Paulo, fevereiro de 2013. Imagem de Bob Wolfenson<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ela nunca teve chances: com tr\u00eas ou quatro anos de idade, foi simplesmente silenciada. Seus pezinhos em forma\u00e7\u00e3o foram mergulhados em l\u00edquidos p\u00fatridos no preparo para o ato em si. Pegaram um dos p\u00e9s e dobraram o ded\u00e3o para tr\u00e1s at\u00e9 romper ligamentos e tend\u00f5es e quebrar os ossos. 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