Pais dos meninos:
Provavelmente somos contemporâneos – tenho uma filha também em idade de escolha profissional e opção de vestibular. Fiquem certos de que eu entendo e simpatizo com a preocupação de vocês. Afinal, queremos apenas que nossos filhos sejam felizes e vivam com um mínimo de segurança, estabilidade e realização profissional. É natural que nos preocupemos nesse momento em que eles fazem escolhas com consequências tão sérias e definitivas, quando ainda são tão jovens. Infelizmente, o sistema de ensino superior brasileiro requer que eles façam essa opção muito precocemente.
Sei que vocês reprovam a afinidade dos seus filhos pela Educação Física. Fico pensando nos motivos: a baixa remuneração dos profissionais da área, o baixo prestígio da ocupação na nossa sociedade e talvez um certo desconhecimento quanto ao mercado profissional. Adicionei alguns links que acredito úteis para vocês, no posting de baixo. Dêem uma olhada neles.
Se em parte vocês têm razão e, de fato, o profissional de Educação Física é bastante desprestigiado (escrevi isso num posting de alguns dias atrás), acredito que esta é uma situação que tende a mudar rapidamente. Existem dois motivos muito fortes para isso: o primeiro é que o mercado de fitness, que exerce uma demanda crescente por esses profissionais especificamente, é um dos que mais cresce atualmente. O mercado de fitness tem crescido de maneira forte e sustentanda ao longo da última década e há razões para acreditar que essa é uma grande tendência econômica, e não uma moda passageira. O segundo motivo é que hoje a atividade física, junto com a nutrição, são os dois mais importantes focos de intervenção mundial em políticas públicas na área da saúde. A constatação de que os principais fatores de risco associados à morbidade, mortalidade e incapacitação devidas a doenças não-transmissíveis dizem respeito à atividade física e nutrição já consta de documentos oficiais e declarações da Organização Mundial de Saúde.
Luís Fernando Pellegrinelli, assessor de imprensa da Fitness Brasil (www.fitnessbrasil.com.br), compilou alguns dados importantes relativos ao mercado mundial, brasileiro e paulista de fitness. Estima-se que a indústria de Wellness movimentará, até 2010, cerca de 1 trilhão de reais por ano. O número de academias e o número de associados a elas é um indicador importante da magnitude desse mercado. O Brasil está entre os quatro maiores mercados de fitness do mundo, perdendo para a Alemanha em número de filiados a academias, mas não no número de academias:
Estados Unidos – 39 milhões de alunos em 17.800 academias, com faturamento de 12,2 bilhões de dólares;
Inglaterra – 5,1 milhões de alunos em 3.700 academias, com faturamento de 2,4 bilhões de dólares;
Alemanha – 4,6 milhões de alunos em 6.000 academias, com faturamento de 2,4 bilhões de dólares.
Pellegrinelli afirmou que a indústria do fitness nacional deve faturar cerca de R$ 3,41 bilhões até o final de 2005. A Fitness Brasil estima um crescimento de 5% em relação ao ano passado, que registrou um faturamento de R$ 3,25 bilhões. O Brasil possui hoje mais de 7 mil academias, com uma média de 610 alunos cada, que desembolsam em média R$ 80 por mês.
Enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,25% por ano de 1996 a 2000, a indústria esportiva e de fitness cresceu 12,34%.
Acredita-se que o número de alunos em academias deverá dobrar até 2007. Esse crescimento deve obedecer uma maior diversificação de nichos, com uma expansão dos praticantes das faixas etárias mais jovens e mais velhas (crianças e adultos acima de 35 anos), além dos chamados “grupos especiais”: idosos, lesionados, deficientes físicos, gestantes, cardíacos e diabéticos, entre outros.
Outro nicho promissor é o Corporate Fitness, uma vez que as grandes empresas estão investindo em se equipar para oferecer serviços de atividade física para seus próprios funcionários.
O Estado de São Paulo concentra 45% das academias do país.
Numa dinâmica combinada com a do crescimento desse mercado, a sensibilidade dos decision-makers vem se voltando para a atividade física e nutrição.
Calcula-se que a morbidade, mortalidade e incapacitação devidas a doenças não-comunicáveis corresponda a 60% de todas as mortes (WHO 2004). Os principais fatores de risco associados a esta morbidade e mortalidade são a hipertensão, as altas taxas de colesterol, ingestão inadequada de frutas e vegetais, sobrepeso ou obesidade, inatividade física e tabagismo. Destes, apenas um não é diretamente ligado à dieta e à atividade física.
A ênfase das deliberações da WHA57.17 (WHO 2004) é a intervenção sobre estes fatores de risco através da formulação de políticas públicas que promovam estilos de vida mais saudáveis para a população e através da educação do público e dos profissionais da área da saúde. A estratégia global apresentada neste documento tem quatro eixos: 1. reduzir os fatores de risco através de políticas preventivas; 2. aumentar a percepção do público quanto à influência da dieta e da atividade física na saúde; 3. apoiar políticas em todos os níveis para melhorar as dietas e a atividade física do público; 4. monitorar o avanço científico nas áreas de pesquisa em dieta e atividade física.
Programas de intervenção na área de nutrição e atividade física serão deflagrados no mundo inteiro nos próximos anos, integrando a Ação Global.
Essas duas dinâmicas combinadas – o crescimento espetacular do mercado de Fitness e a sensibilização dos tomadores de decisão em relação à importância estratégica da atividade física na formulação de políticas públicas – fazem crer que durante os próximos anos os profissionais da área de Educação Física devem ser promovidos a uma condição de muito maior valorização, além de serem presenteados com boas oportunidades na iniciativa privada.

Marilia


BodyStuff