Hoje o Marcos Ferrari Feitosa conquistou um grande feito: alcançou a segunda colocação num campeonato de Strongman fora do país.

Esse campeonato tem uma história. No início, foi apenas uma primeira interação entre Brasil e Argentina. Então aconteceu o convite para o Marcão. A idéia pegou fôlego e hoje temos um movimento bastante discernível de Strongman sulamericano, que pegou uma caroninha em outras interações sul-americanas.

Marcão pegou a proposta e assumiu. A preparação dele foi muito bem planejada e todos nós palpitamos, participamos e nos envolvemos. Quando ele cansava, todos nós ficávamos cheios de pontos de interrogação e angústia. Quando ele se superava, todos entravam num momento "A-HA" (=> então deu certo).

Quando ele embarcou, embarcamos com ele. Quando a porcaria da empresa aérea deixou-o sem a mala, ficamos pelados. Quando ele não deu notícias, ficamos surdos. E quando finalmente soubemos que ele venceu, vencemos junto. Agora, com a informação sobre a lesão do pé, estamos todos um pouco sacis.

Isso me fez pensar com meus botões a questão que sempre discuto com ele sobre o significado do pódio. Se for um ato celebratório de uma comunidade, quase eucarístico, faz todo sentido para mim. Tem marcialidade. A famosa honra e glória que a maioria papagaia por aí sem saber de onde veio. Veio láa…. de trás, de tradições seculares, em contextos que já perdemos, mas de tão preciosas que são, as conservamos.

Esse pódio faz sentido. Agora, ele está sendo cuidado pela família de um suposto adversário. Mas isso não existe estritamente na marcialidade: só temos um adversário, que somos nós mesmos. Nossos concorrentes são irmãos nessa luta por superação.

Nessa minha angústia e rejeição profunda pelo modelo dominante do "pódio pelo pódio", jogo sujo, jogo maldito e idéias curtas, Marcão me deu um presente. Imagino-o morrendo de rir da situação bizarra e surrealista toda: o frio, os equipamentos perdidos em vôos malucos pela America do Sul, a giria argentina local difícil de compreender, e estar sozinho com o único dever de ser feliz.

Ah, isso eu sei: Marcão não foi para lá para "dar um pau" em ninguém. Foi para nos representar, para nos traduzir um contexto que não conhecemos e sim, para se divertir. Para ser o melhor Marcão que o Marcos Feitosa pode ser.

Isso é se transcender. A generosidade com que isso foi partilhado com todos nós fez desse um momento sublime. Sublime porque feliz, sublime porque forte, sublime porque completo. Sem ter que provar nada para ninguém, "ilustrou" com serenidade o princípio da eucaristia e transcendência da vitória marcial.

Bem-vindo, guerreiro. Guerreiro da paz, como todo artista marcial e da Força é.

Que a Força esteja contigo – hoje e sempre.