Enquanto mil teses e artigos podem ser produzidos para definir e identificar o “belo”, penso que encontrei o que define, para meus propósitos, o “feio”: a DOR é feia e o SOFRIMENTO também. Tive esse impacto ontem, discutindo com minha irmã sobre alguém que se consome numa desordem mental sofridíssima. Consome tudo: músculo, gordura, pele… pessoa… Vai indo tudo embora. Enquanto gordas felizes com suas curvas e volumes são lindas, bem como magras em harmonia com sua longilenearidade são esculturinhas da vida, essas pessoas cujas imagens são esculpidas pela doença, pela tortura e pela opressão só podem transmitir feiúra. Finalmente entendi o que me assusta, o que me afasta. Me afasta a imagem que me remete à dor e somente a ela. E confesso que não soube lidar com isso, não consegui ajudar essa pessoa. Por anos vi doentes mentais se transformando em bolas inertes de gordura através de Zyprexa, Geodon, Haloperidol e outros instrumentos farmacológicos de tortura. São horríveis… Me dão uma imensa vontade de chorar e fugir, porque eu mesma me sinto impotente com tanto horror. Da mesma forma que a beleza me impacta a ponto de me tirar o ar, a feiúra me esmaga…

Marilia

 

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