Dia 29 de novembro saiu publicada a seguinte matéria num jornal digital: Gaúcha de 15 anos vence o Supermodel Brazil 2006 (http://moda.terra.com.br/interna/0,,OI1274251-EI1119,00.html ).

 

Estas são duas das fotografias da menina (não posso classificar alguém com 15 anos como mais do que uma menina, e isso traz à tona outras questões, como esta pedofilia criptica da indústria da moda e da midia televisiva):


      

 


A moça não é apenas magra, mas deve ter já alguma forma de sarcopenia (perda muscular patológica). Nota-se flacidez e falta de tonus na musculatura dela. Mesmo com pouquíssima gordura corporal existem “sobras” de pele pela ausência de musculatura.  Aos 15 anos, isso só pode ser resultado de duas coisas: alguma seríssima doença consumptiva (não foi o caso) ou negligência/ignorância total dos pais, que não estimularam a mobilidade física na infância. Isso é um padrão em sociedades ultra-machistas, onde as crianças do sexo feminino são privadas da mobilidade.
Os pais dessa moça se declararam “orgulhosos” com a colocação da filha no concurso. Ontem, num papo com minha filha (que é antes de mais nada minha amiga), comentei que quando ela era pequena muita gente sugeria levá-la para fotos de publicidade. Ela é mesmo um tipo muito bonito e era um bebê e uma criança que chamava atenção. Minha resposta era agressiva: se alguém, algum dia, tirasse uma fotografia não autorizada dela, levaria um processo onde eu arrancaria até o couro do sujeito. Então me perguntaram o que eu faria se ELA quisesse participar de algo nesse gênero (fotos, modelo, etc). Resposta imediata: jamais, em tempo algum, inegociável. Até quando eu tiver autoridade, não permito em hipótese alguma. A Mel (minha filha) olhou pra mim e disse: “concordo plenamente com vc, mãe”. Aqui em casa não há restrição moralista a rigorosamente nada (não vou entrar em detalhes porque a vida não é só minha), mas há itens inegociáveis. E este é um deles. O respeito ao corpo é um valor inegociável; a transgressão obrigatória às normas hipócritas da sociedade outro.

 

Não sei o que acontecerá com essa menina gaúcha. Provavelmente, ganhará muito dinheiro, viverá uma vida essencialmente superficial e fútil, viverá um número pouco variado de experiências e, se tiver sorte, alguém administrará adequadamente sua futura fortuna. Mas pode dar azar, como a da modelo que morreu de anorexia. Tomara que não – torço de verdade para que não. Mas, se alguma coisa séria acontecer com a saúde desta menina, a responsabilidade é dos pais dela.

 

Marilia

 

BodyStuff