(texto elaborado para a apresentação no “1º Workshop Iron Muscles de Musculação”)

Se buscada no Google, a expressão “alienação corporal” produz poucos resultados: hoje, apenas 21. Boa parte deles são trechos de textos meus. Os outros, textos cujo conteúdo tem sentido oposto ao que dou à expressão.
Portanto, vale a pena defini-la.
Por alienação corporal, refiro-me não apenas à separação simbólica (epistemológica e ideológica) entre corpo e mente, como ao seu resultado, uma espécie de “essencialização” da pessoa, em que o corpo é concebido como algo “lá fora”, uma entidade “externa”.
No sentido que defini, “corpo” é sempre secundário em relação a “mente”. A “essência” humana é situada na mente nesse discurso dominante. Trata-se, assim, de um pensamento essencialista e, portanto, idealista.
Esse pensamento essencialista é pervasivo e contamina todos os setores da produção intelectual contemporânea (por ser pensamento dominante): ciência, arte e religião – não faz diferença.

Estar alienado significa estar AFASTADO de algo. Assim, a alienação corporal é esse afastamento do indivíduo em relação a seu corpo. Como alguém pode estar afastado de seu corpo, se justamente o que eu digo é que SOMOS nossos corpos? O afastamento, ou alienação, nessa expressão, implicam PERDA DE INTEGRAÇÃO e de CONTROLE. Assim, se concebemos o corpo como um epifenômeno do ser (algo construido “em cima” da coisa, no caso, “você”), o corpo e o indivíduo não são mais uma entidade inegrada e, consequentemente, o indivíduo tem um controle limitado sobre seu próprio corpo.

Marilia


BodyStuff