Eu gostei muito desta animação sobre a desonestidade na sociedade e do último post do blog do Dan Ariely. Faz parte de um assunto que pretendo estudar mais. Ultimamente eu me pergunto o que leva as pessoas, no Brasil, em esportes multi-federativos como o powerlifting, a optarem por participar de competições onde elas SABEM (e farão uso disso) que

1. a transgressão de normas consensuais do esporte é aceita (e estimulada);

2. as normas são modificadas para satisfazer o desejo de auto-promoção (como infinitas categorias de peso, idade, ocupação, etc, bem como o inédito e brasileiríssimo “self-service”, onde a pessoa compete no levantamento que quiser).

Quando contamos a elas: “veja, suas marcas não têm valor nenhum e jamais serão reconhecidas fora daqui”, elas mantém o comportamento. Ou seja: elas reconhecem a desonestidade do “outro”, são coniventes e contribuem com sua própria dose de desonestidade por um ganho imaginário. Ou seria real? Em que sentido é real? Esse é um dos meus temas de interesse. Obviamente o powerlifting de fundo de quintal me dá amplo material de campo para construir teses a respeito.

The truth about dishonesty

 

No vídeo, Ariely discute o processo de racionalização que permite que as pessoas (e a sociedade) conviva com níveis variáveis de desonestidade. Em sua última postagem, Ariely comenta outro autor sobre o mesmo tema quanto a  produção da “sensação de verdade”.

“Truthiness” seria algo como “verdadeirisse”, mais do que a palavra existente VERACIDADE (truthness). Seria a “sensação de verdade”. Ariely comenta Colbert quanto às racionalizações feitas pelas pessoas para gerar em si mesmas uma sensação de “conforto de verdade” sobre algo que é sabidamente desonesto. A tese geral de Ariely é que o desonesto sabe que é desonesto, mas, em sua maioria, produz racionalizações que atenuam o julgamento negativo sobre seus atos.

Anteontem recebi um email surrealista com versões absolutamente inverídicas dos atos de agressão que sofri onde o autor sabe que eu sei que ele sabe que são inverídicas (contendo fatos malucos, não apenas interpretações). Passei um tempo refletindo e me perguntando o motivo daquilo: por que alguém se dá ao trabalho de escrever um mal escrito tratado sobre uma ficção que justifica um crime, sendo que um juiz não está julgando o caso? O modelo de Colbert e Ariely explica essa iniciativa que aparentemente é absurda.

Truthiness and You

 

 

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A vida é pentavalente: arranco, arremesso, agachamento, supino e levantamento terra. Life is a five valence unit: the snatch, the clean and jerk, the squat, the bench press and the deadlift.