Recentemente houve uma acusação feita não sei por quem a Eugênio e Rodrigo Koprowski, pai e filho dirigentes históricos do fisiculturismo brasileiro. Não conheço o teor da acusação e nem quero conhecer. Motivo: não vou perder meu tempo com algo onde 2 + 2 não soma 4. Parece que menciona-se algo como desvios milionários de verba.

A carta abaixo foi elaborada pelo médico e amigo inseparável da família Koprowski, Dr. José Maria Santarem. Ele conhece Eugênio desde que ambos eram meninos estudantes – hoje são jovens maduros de seus 60 anos. Creio que ele tenha mais a dizer sobre os Koprowski do que qualquer outra pessoa.

Eu conheço de muito perto a família desde 2009. Mas bem de perto mesmo, participei muitas vezes da organização de várias coisas como a revista, algum evento, os cursos e vi de perto a administração do dinheiro. O pior que eu posso dizer é que, como a maior parte das pessoas honestas e talentosas que conheço, eles não levam muito jeito para lidar com o vil metal. Sejamos positivos: não levaram até agora, pois desejo que todos tenham remuneração justa. Gostaria, sinceramente, que os negócios deles melhorassem porque o trabalho é bom e são meus amigos.

A ideia de que tenha havido, por parte deles, desvios milionários é no mínimo engraçada. Almocei, jantei e tomei lanches inúmeras vezes na casa do Eugênio, que fica em cima da Espártaco, onde treinei também inúmeras vezes, pois é uma espécie de segunda casa para todo atleta sério brasileiro. Fica no Jardim São Luis, que, para quem não conhece São Paulo, é uma região bastante pobre da cidade. Os carros da família são funcionais – nenhum nem de perto caro.

Os campeonatos, a revista e o curso de capacitação, com o qual eu contribuo também, saem com muito esforço (já disse que dinheiro e talento costumam ter uma certa dificuldade para andar juntos). A academia se mantém como uma academia de bairro há 50 anos e o atrativo dela é exatamente a qualidade do treinamento prescrito e supervisionado. É uma academia de baixo custo.

Enfim: cada um que tire suas próprias conclusões.

Sobre o caráter e importância de pai e filho para o esporte brasileiro e, em particular, os esportes de força, a palavra que define tudo para mim é “pai da Força”. Eugênio é o homem que colocou a anilha na barra para a coisa começar a funcionar. Todos os esportes de força nasceram no mesmo lugar, no caldo de cultura da antiga FEPAM. Rodrigo sacrificou muito de sua vida pessoal para dar continuidade à entidade fundada pela geração anterior. Admiro isso das profundezas da minha alma, pois é um fardo pesado (é só pensar nesse tipo de acusação, por exemplo).

Fica aqui, então, o meu depoimento também.

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