Þrúðr (Old Norse “strength”[1]), sometimes anglicized as Thrúd or Thrud

 

 

Outro dia o Jean me provocou, atribuindo, com uma única expressão pejorativa, meus sofrimentos e conflitos ao compromisso com um ato ideologicamente reprovável: a competição.

Se a competição é reprovável é uma questão que mereceu profundidade demais para que eu corra o risco de qualquer redução patética. Competição e concorrência são elementos que percorrem desde a nossa existência biológica até a mais nobre meritocracia. Sim, Jean: nossa nobre luta para que o mérito, e não o apadrinhamento ou os interesses escusos comande a recompensa, é baseado na concorrência, ou competição.

Séculos atrás, escrevi algo sobre a importância do esporte competitivo para o entendimento de valores fundamentais na vida de qualquer um, como a recompensa tardia, base de qualquer projeto de construção e auto-construção.

Só que agora eu mudo o enfoque.

Em resposta à provocação do Jean, eu disse que competição era um momento celebratório de um percurso de auto-conhecimento, transcendência e auto-construção. Esse percurso é a trajetória da construção do novo homem. O homem com H maiúsculo, o homem transcendente.

Esse homem continua sendo um ser social e deve submeter suas conquistas, feitos e inovações ao aval de uma comunidade de pares (como a gente faz na ciência e nas artes, não é mesmo?).

É assim que eu vejo a competição do meu esporte/arte. Meu esporte é minha arte. Eu levo minha arte, que é uma arte em movimento, feita de Força, para o aval de uma comunidade de pares. Esse aval dá legitimidade à minha arte, que deixa de ser no momento em que é. Assim é a natureza da minha arte: efêmera.

Não se aprisiona um agachamento perfeito numa redoma, não se enquadra um supino e não se codifica um terra. Depois de feitos, eles já não são. Se avalizados por uma comunidade de pares, no entanto, eles se eternizam.

Paradoxal?  Como pode algo ser efêmero e eterno?

Sendo ARTE.

 

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A vida é pentavalente: arranco, arremesso, agachamento, supino e levantamento terra. Life is a five valence unit: the snatch, the clean and jerk, the squat, the bench press and the deadlift.