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Algumas pessoas acompanharam a nossa série de artigos e vídeos do ano passado, o “The Road to the Gold”. Uma outra versão será publicada na revista Desenvolvimento Muscular.

Eu gostaria agora de partir do último parágrafo do meu depoimento, daquele momento em que Diego e eu nos despedimos, depois de nossas vitórias no campeonato mundial do World Powerlifting Congress (WPC) do ano passado, de nossas aventuras por Ohio, visitando o Westside Barbell e entrevistando Louie Simmons.

Quero começar este artigo com o portão 34 do aeroporto de Columbus, dia 16 de novembro de 2011.

Por duas semanas, partilhei com esse menino que eu conheci uns meses antes, num evento acadêmico, mais ou menos tudo. Fomos sozinhos para Las Vegas, com pouco apoio, com a cara e a coragem. Nem passar a barra um para o outro nós podíamos: numa minúscula equipe de dois, tivemos que nos virar. Quando eu estava competindo, uma parte do tempo o Diego estava na fila da pesagem. Quando o Diego estava competindo, eu estava arbitrando e me submetendo ao exame de árbitros, garantindo que o Brasil tivesse um árbitro internacional certificado.

Joel Mott, nosso anjo protetor e excelente estrategista técnico, nos auxiliou. Muita gente torceu.

No entanto, por trás de tudo isso, tinha a equipe, nós dois, um time minúsculo, porém poderoso.

Nosso treino foi planejado e em parte feito em conjunto: somos profissionais da área, e dos bons, sem nenhuma modéstia. Nossa estratégia de corte de peso, idem. Seguramente, vencemos aquele campeonato juntos. Uma parte do lugar no pódio de cada um de nós foi ocupada pelo outro.

Nossa força foi somada (ou multiplicada) com a força do outro.

Partilhamos comida, suplemento, o mesmo banheiro, talvez a mesma escova de dente, nem sei: tomamos Somatomax juntos e ficamos bem doidos, juntos. Rimos um do outro na doidera, eu dormi e babei na cama do Diego, vomitamos, dormimos no chão e rimos muito, juntos.

Conhecemos gente sensacional, juntos. Treinamos em lugares lendários, juntos.

Foram duas semanas de acordar, fazer as coisas mais incríveis da vida e ir dormir, juntos. A despedida no portão 34 foi bem esquisita.

Eu nunca tive um irmãozinho: sou a última filha de uma turma de quatro. Meus irmãos são todos muito mais velhos que eu.

Ontem, na Crossfit, me dei conta de que é esse o espaço que o Diego ocupa. Meio na brincadeira, mas meio sério, disputei o Diego com o Joel: “ele é meu, ele é do powerlifting, ele é o herdeiro do Ed Coan e se alguém contestar eu vou pro pau!”. Claro que depois eu contemporizei: não sou eu que digo que ele pertence ao Power. Na verdade, nem ele: é o powerlifting que escolhe seus filhos.

Talvez seja assim com as equipes realmente eficientes: formam-se famílias, irmandades. Pessoas com quem se pode brincar, brigar, babar, cuspir junto (cuspir no copinho é um clássico do corte de peso), comer e, principalmente, levantar peso junto. Tenho outros “irmãozinhos” desse tipo: Marcão (dizem até que nos parecemos fisicamente), André, Joel (parece que também nos parecemos, já perguntaram se somos irmãos biológicos) e alguns outros.

Diego e eu voltamos ao Brasil e imediatamente nos encontramos para continuar a aventura. O próximo passo apareceu logo: o RPS International Open. Em nenhum momento passou pela nossa cabeça que o outro não fosse.

Foi esse um dos motivos do ressentimento e desespero que o começo da campanha provocou. Agora, com esse “re-aquecimento”, minhas esperanças renasceram.

Se eu tiver que ir sozinha, irei pela metade. Vocês, que levam a sério esse negócio de país, podem ter certeza de que a equipe brasileira irá incompleta se o Diego não for.

Então agora eu peço o apoio de vocês, não apenas para tapar o rombo financeiro pessoal que custear minha ida representa, mas para que a equipe “brasileira” vá inteira para Ohio.