À medida que o osso na parte distal da minha clavícula se dissolvia, dissolviam também confianças, vínculos, raízes, relações de afeto e coleguismo. Sobrei eu com minha clavícula em recuperação, suspensas em um mundo amorfo.

Não sinto mais dor e creio que a lesão praticamente se recuperou por completo. Meus ossos e articulações se re-organizaram. Na vida, o processo é mais lento. O magma da erupção vulcânica vai aos poucos se consolidando e compondo uma nova paisagem, da qual estou gostando.

Da mesma forma que minha prioridade estes dias foi meu tratamento – primeiro repouso, overfeeding, suplementação especial, medicamentos e fisioterapia -, na vida o foco agora precisa ser trabalhar essa paisagem. Sem uma vida organizada, não tenho como contribuir para um bem coletivo.

Tempo de reclusão.

Tempo de carinho.

Tempo de amor.

Tempo de re-ligar com a fagulha de fogo eterno que brilha dentro de todos nós, mas que tem que ser alimentado com o combustível certo.

Tempo de celebrar a vida – a minha, primeiro, e a do planeta depois.

 

Marilia

BodyStuff

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