Eu imagino a cara do Bernardo ao escrever o seguinte para mim anteontem no MSN: “Bom Marilia, você nunca faz o que eu falo, mas ai vai: recidiva de lesão é muito pior que lesão. Outra coisa, se piorar, ao invés de uma listese, você terá rompimento articular, e provável lesão de ligamentos do manguito, e musculatura. Ou ate fratura por stress na clavícula. O que acha que você deve fazer?… Não é seu trabalho, não ganha dinheiro com isso, tenho certeza que seu prazer e satisfação podem esperar uma recuperação plena.”

Esporro sem rodeios. O pior é que ele tem razão: é muito difícil que eu siga qualquer recomendação que inclua interromper treinamento. Só que dessa vez foi diferente: apesar da redução da dor e do incômodo com a infiltração de cortisona, algo me diz que a coisa está realmente precisando ficar quieta. Pela primeira vez, eu “sinto” que lá dentro tem algo machucado. E pela primeira vez, eu sinto que quero proteger essa coisa.

A “coisa”, no caso, é meu ombro esquerdo. Nunca fui tão disciplinada com tratamento: Fabiano mandou fazer gelo, faço gelo umas 5 vezes por dia. Imediatamente fui à Nutrafit e comprei condroitina com glucosamina, vitamina E e mais whey. Não quero nem que ponham muito a mão no meu braço.

O mundo pode cair e nada me fará competir antes que este ombro esteja recuperado.

Nunca fiz isso na vida – sempre treinei com dor e deixei que ela fosse embora sozinha ou tratei sem interromper o treinamento. O que há de diferente desta vez? Não sei! Por um lado, é uma certeza, que não sei de onde vem, que algo vai realmente arrebentar ou se estragar se eu usar esse braço. Por outro, é uma outra certeza de que meu corpo precisa do meu cuidado agora. E finalmente, uma terceira certeza de que logo estará 100% recuperado, desde que eu faça o que tem que ser feito, que é uma combinação do que diz o Fabiano, o Bernardo e minha intuição.

Essa lesão também é chamada de “osteolise clavicular distal” ou “dor acromioclavicular por osteólise/degeneração”. Trata-se de uma lesão por overuse, freqüente (de 25-50% desta população) em levantadores de peso. A parte distal da clavícula lentamente se dissolve e é re-absorvida. As seguintes figuras ilustram a localização da lesão:

 

 

 

A literatura é pessimista quanto à recuperação completa em pacientes que retomam a atividade que gerou a lesão (obviamente todos os atletas). Mas foi isso também que li quanto à minha lesão de nervo ulnar, que foi inteiramente controlada. Assim, prefiro confiar no Fabiano, que conhece atletas e me garante que tudo estará bem em algumas semanas, e em minha própria sensação de que se trata de algo que progride bem.

O grande barato com esta lesão foi entender de dentro para fora.

 

Marilia

BodyStuff

 

  • Anônimo

    Caso semelhante de lesão na clavícula

    Olá, pesquisando na internet sobre uma dor que já me acompanha à 6 meses e sequer reduz um pouco, encontrei seu texto falando sobre osteólise clavicular distal, e lendo sobre essa patologia pude notar que possuo todos os sintomas dela, dor aguda na parte distal da clavícula, que se espalha para o trapézio. Sou tenista, pratico a nível amador, mas sempre participando de competições e essa dor vem me impossibilitando de treinar normalmente tanto em quadra quanto na academia.
    Já procurei dois médicos, e pediram ultra som e Ressonância magnética, e após analisarem os exames, disseram que clinicamente não tenho nada, que deveria fazer fortalecimento com rubber bands e que poderia treinar normalmente, evitando apenas os exercícios que por ventura pudessem causar dor, no caso, todos para peito, ombro, e alguns de tríceps e costas, o que deixa um treino muito ruim e incompleto.
    Como eu disse, isso já tem 6 meses, então, gostaria de saber, se possível, qual foi o tratamento adotado por você, se surtiu efeitos, e se sim, e quanto tempo você pôde voltar a treinar sem dor.

    Obrigado,
    Hélio de A. Pinheiro
    e-mail: [email protected]