Não é fácil, mas é necessário. Um atleta de força deve fazer “férias neurais”. Esse conceito anda flutuando com jargões variados entre bons técnicos e atletas. De um jeito ou de outro, barreira linguística ou não, todos têm pelo menos sua versão e explicação sobre os fenômenos neurais de consequências dramáticas que influenciam a execução destas estranhas tarefas motoras: os levantamentos de força máxima.

Entre os efeitos não estudados mas conhecidos está o “CNS overtraining” (overtraining de Sistema Nervoso Central), responsável pela queda dramática de capacidade de resposta de força máxima sem que haja nenhum sintoma de overtraining muscular. O outro é a recuperação neural, cuja compreensão também escapou à pesquisa até agora e é responsável por incrementos saltatórios de força da ordem de 20%.

Os descansos neurais, segundo a maior parte dos atletas de elite norte-americanos e europeus, são necessários antes e depois de competições. Variam de 10 a 20 dias conforme o levantamento e o regime de treinamento.

Nesse momento estou em férias neurais. Achei curioso observar que suporto bem as férias de levantamento terra, mais ou menos de supino, mas férias de agachamento me causam enorme angústia. Ainda não tenho uma explicação boa para essa sensação desagradável. Talvez porque durante as férias neurais dos outros dois levantamentos, eu me dedico a “forgotten lifts” (levantamentos esquecidos), que representam desafios técnicos e integração pessoal de boa qualidade. Mas agachamento é insubstituível. Ou não, mas ainda não me descobri nesta nova condição de “squat-less-person” (pessoa sem agachamento).

A ver.