Nem sempre eu posso dar a atenção que eu gostaria aos meus atletas. Sei que estou devendo um planejamento mais detalhado a pelo menos dois deles, e dos bons: Netto e Miriam.

Quero deixar claro aqui o que eu chamo de “meus” atletas:

  1. Meus atletas são aqueles que vêm aos campeonatos da ANF e competem sob suas regras;
  2. Meus atletas são aqueles cujo crescimento eu acompanho e, na medida do que posso, apoio e ajudo;
  3. Meus atletas são aqueles que eu treino.

Meus atletas não são os que fazem as maiores marcas do país. Quando optamos por uma atitude radical de renovação, quando eu solicitei a moratória em powerlifting equipado, push pull e single lifts, eu o fiz com a consciência de que afastaria muitos daqueles que se consideram atletas e por motivos variados são conhecidos por marcas altas. Muitos destes indivíduos praticam seus levantamentos competitivos em ambientes que vão de encontro aos princípios que eu defendo e que implantamos na ANF.

Assim, espero que fique claro que não estou absolutamente interessada nas maiores marcas do país. Estou interessada numa renovação, e – por que não? -, numa revolução na cultura esportiva do powerlifting brasileiro.

Orgulho-me dos meus atletas e da vontade deles em aprender. Não estimulo e até desestimulo a rivalidade entre eles. Quero boa técnica, respeito impecável às regras e comportamento ético.

Orgulho-me de que nas discussões da ANF não encontro 3 erros de português por parágrafo ou parágrafos inteiros escritos em caixa alta, marcas do baixo nível de comunicação no nosso idioma. Sinto-me vitoriosa em ter atraído os indivíduos de maior formação acadêmica no esporte. Não tenho problemas em assumir que isto é uma perspectiva elitista, pois é uma elite comprometida com o esporte, e não um lumpesinato provinciano em busca de projeção local, que será capaz de arregaçar as mangas e criar ações de inclusão social e filantropia.

As marcas virão. Os grandes agachamentos, os grandes supinos e os grandes terras. Não em um ou dois anos, mas em dez. Foram necessários mais de 30 para estragar, tenho toda a paciência do mundo para consertar este esporte.

Os meus atletas têm e terão sempre o meu apoio na abrangência de minhas possibilidades. Os meus atletas serão defendidos publicamente por mim sempre que se fizer necessário e minha defesa costuma ser contundente e de máxima eficácia.

Aos meus atletas eu digo: vocês não devem marcas a mim e nem a ninguém. Vocês não devem marcas ao país. Vocês não devem, na verdade, nada. Mas contem com meu apoio em suas iniciativas em busca de seu crescimento pessoal – como atletas e como cidadãos.

Finalmente, aos meus atletas eu peço: confiem em mim e ignorem o entorno. Eu hesitei e demorei anos para assumir o lugar que agora ocupo neste esporte no país. Mas agora aqui estou e sim, estabeleço os padrões: eu sei o que são e como se aplicam regras; eu estudo e sei o suficiente sobre treinamento e progressão de performance; eu sei quais são os parâmetros de organização internacional e, pela interação com a comunidade internacional que tenho, posso oferecer ou não garantias. Assim, ignorem comentários não fundamentados, que são quase todos em volta de vocês. Na dúvida, perguntem a mim. Na raiva, levantem peso e escutem música. Infelizmente, muito (mas não tudo) disso que está em volta de vocês não é powerlifting de verdade. Virem as costas e desistam de interagir.

Lembrem-se: a paz interior e a serenidade também constroem performance.