(resposta à pergunta feita por um seguidor)

 

Não existe esse modelo (exitem “mathematical models for strength training”, um monte) que descreva as curvas específicas de supercompensação porque, como eu disse, metodologicamente é IMPOSSÍVEL. Do ponto de vista científico, não dá, pois a variação inter-individual, entre levantamentos, entre fases de treinamento do MESMO atleta, é imensa, além da interferência de um número desconhecido e imenso de variáveis (é um fenômeno multi-variado em todos os sentidos). Ninguém, jamais, conseguirá modelar isso. Para mim isso é tão claro que não entendo como as pessoas embarcam embevecidas em modelos que empacotam as curvas dos “humanos atletas” como se pudessem ser reduzidas a uma senoide só bem comportada, quanto mais uma senoide só, com os mesmos parâmetros para os três levantamentos. É biológica e matematicamente estúpido sequer considerar a possibilidade disso. Mas talvez isso venha do fato de que eu modelei comportamento de bactéria, de trypanosoma cruzi, de atta sexdens rubropilosa (formiga, e aí já complicou tudo: variava demais) e dei pareceres sobre meta-análise de recuperação e incidência de metástase pós tratamento em vários tipos de câncer para a OPAS (ou seja: vi como se comportam sistemas biológicos desde os mais bem comportados e homogêneos até os hiper-variados). Como diz um amigo médico, é tentar tirar a média entre o mosquito e o elefante. Em termos matemáticos, qualquer desvio padrão é maior que qualquer média e você, portanto, para por aí e entende que não é possível modelar o “sistema” como válido para uma população (“universo”) que tenha comportamento minimamente homogêneo. Então, o que fazer? Nada? Desistir de periodizar? NÃO!!! Você precisa entender que: 1. sempre ocorre SUPER E SUB-COMPENSAÇÃO (ou seja: supercompensação e inibição de força); 2. que é possível inferir aproximadamente como um determinado atleta se comporta nestes termos para os estímulos conhecidos; 3. que é possível desenhar um planejamento considerando faixas de intensidade através da taxa de repetições em relação a um esforço máximo voluntário que é SEMPRE desconhecido. Tudo isso é que se deve considerar ao planejar o treino de um atleta. Um praticante recreacional tem excelente ganho com variações inteligentes praticadas na faixa entre 80-90%, pois não será levado a uma condição crítica de sub-compensação e muito menos grave o suficiente para gerar uma SÍNDROME DE SUB-PERFORMANCE, também chamada de OVERTRAINING. Resposta à pergunta já feita mais de algumas dezenas de vezes quando eu explico isso: NÃO, eu não vou criar o “sistema Marilia” porque desprezo os sistemas de gurus. Acho que existem estes princípios gerais e, precisamente pelo fato de ser metodologicamente impossível modelá-los de maneira cientificamente aceitável, todos eles são aproximações educadas a um objeto intrinsecamente NÃO-COGNOSCÍVEL.