Não é fácil, para começar. Em primeiro lugar, porque existem quatro federações neste esporte e minha turma optou pela posição equilibrista da neutralidade. Assim, não temos fidelidade a esta ou aquela e a composição de nossos calendários individuais é uma função de fatores como qualidade do evento, validade e homologação das marcas nas matrizes internacionais das respectivas entidades, distância e custo (afinal, nenhum de nós é atleta profissional). Estes elementos reduzem nossas opções a um número ainda muito grande de eventos potencialmente interessantes. Em esportes de força, o evento competitivo é o maior desgaste neural possível e requer uma recuperação adequada. Assim, a experiência universal indica que cerca de uma semana antes do evento, é necessário poupar o organismo de qualquer esforço intenso. Após a competição, pelo menos uma semana de descanso (daquele movimento) é necessária para recuperação neural. Dessa forma, forma-se na planilha do atleta um conjunto de dilemas: vou neste ou naquele evento? Nos dois, impossível, pois estão a uma semana um do outro. Ou pior: dias…

Com grande angústia, conseguimos reduzir a um número máximo possível de eventos nosso calendário. Trata-se, agora, de planejar o treino para os mesmos. Sim: o treino competitivo visa a melhoria da performance.

A periodização de um treino contém inúmeros elementos que acabam determinando a escolha de volume e estrutura nos levantamentos principais equipados (seqüência de séries e repetições, bem como suas cargas, que caracterizam a INTENSIDADE do treino), assim como os treinos auxiliares. Treinos de powerlifting têm um componente fundamental de treinamento neural: tanto é preciso não negligenciar a adaptação do Sistema Nervoso Central a cargas elevadas (em torno e acima da máxima conhecida do atleta), como jamais se pode esquecer o risco de CNS overtraining, e portanto a necessidade de interromper o estímulo para recuperação. Além disso, logo no início e durante o ano competitivo, é preciso identificar os pontos vulneráveis (de força ou técnica) naquele atleta específico e montar um sistema de treinos específicos que tenham estes elementos como foco.

Sabendo de tudo isso e com uma concentração de competições no miolo do ano a um mês uma da outra, é inevitável que a performance em alguns eventos seja sacrificada.

O modelo mais linear em que se faz um pico anual coincidindo com o evento mais importante é hoje questionado por algumas escolas. Mas é inegável que não pode haver performance homogênea e constante em esportes de força num ano inteiro.

Por enquanto estou olhando essa planilha de Excell e não sei muito bem o que fazer.