Tenho oferecido uns cursos. O último foi de suplementação esportiva e princípios de nutrição para artes marciais, no Núcleo 7 Esferas do Tao. O curso foi planejado para um dia de atividades, sendo eu falando sobre slides uma parte do tempo, discussão e um almoço-prática. Nessa atividade, preparamos uma refeição com whey e cada um criou seu sanduíche a partir de ingredientes disponíveis numa mesa. Todos anotaram o que e quanto comeram e depois fizemos uma análise crítica dessa refeição: composição calórica e macro-nutricional, no contexto de uma dieta adequada para a prática deles.

Isso é suficiente para que estes praticantes de artes marciais estejam instrumentados para admininistrar sua própria alimentação? Dá formação a profissionais de nutrição e esporte? Sim para a primeira, não para a segunda.

Praticantes vêm em todas as formas, tamanhos, cores e necessidades de informação. Um profissional ético da informação e formação técnica consegue suprir o que todos querem, pois aqueles que têm uma demanda maior devem sair munidos das ferramentas para prosseguir sozinhos ou assistidos.

Profissionais da área, no entanto, representam um outro problema. Em primeiro lugar, existem, ou deveriam existir, padrões mínimos. Não se pode dar um curso de oito horas de nutrição esportiva para recém-formados de todas as origens, inclusive de escolinhas de fundo de quintal que não lhes ensinam nem o básico da bioquímica, e esperar que sejam capazes de utilizar essa informação para decisões profissionais com proficiência. Pode ajudar, mas não resolve. Isso é um problema, especialmente quando se trata de saber que integra uma dose grande de conhecimento tácito. Posso falar 5 horas seguidas sobre a biomecânica do levantamento terra. Se o sujeito não treinar por uns dois meses, garanto que é impossível assimilar essa informação no nível necessário para que seja utilizada criticamente no dia a dia, e, mais, reproduzida (ensinada).

O problema é que existe um mercado mentiroso que promete milagres aos ingênuos na forma de certificações. Alguém constrói (como constrói, é uma outra longa história) uma reputação numa determinada prática que interessa ao mercado. Cria cursos – até aí, tudo bem: é digno cobrar por um conhecimento que se obteve ao longo de anos de investimento e prática. E dá uma certificação ao tonto que faz o curso! Pior: por causa dessa perversão, o tonto acredita que a certificação é mais importante do que o que ele deve aprender.

Assim, amanhã ou depois eu, se fosse canhalha, passaria a dar certificação em levantamento de peso (o que em si é sem noção, pois é conhecimento de domínio público, de origem anônima e/ou coletiva). O sujeito faz cinco aulas, uma prova, e sai com um papelucho na mão com a sigla PET (powerlifting embromator tabajara). Na semana seguinte, ele põe um monte de praticantes recreacionais para fazer levantamento terra sem se tocar quanto à contração da musculatura sinergista, quanto à isometria na adução da escápula, quanto à percepção do início do movimento na elevação dos ombros e quanto à catástrofe da elevação precoce do quadril. E, pronto: lesão.

Culpa de quem? Minha!

Desculpe, mas não rola PET comigo. Eu conto, ensino, treino, mas não forneço certificação PET (certificado, sim – certificação, não).