Desde as 17h tenho tentado fazer minha parte nessa corrente que sei lá de onde veio. Mas recebi de tantos amigos interessantes, me parece tão benigna e de poucos efeitos colaterais negativos que resolvi aderir. Não foi difícil: apenas me dedico ao que é meu foco central dos últimos tempos. Conseguir viabilizar a coisa mais transcendente com a qual tive oportunidade de me envolver até hoje, que é o projeto do Gilson em Paraisópolis. Ganhei de presente um espaço nele, então é meu desejo, enviado sei lá de que jeito ao cosmos para que ressone, se multiplique, se pulverize, se transforme em mil estrelinhas e pó de pirlimpimpim chovendo nas crianças de Paraisópolis. E nas inúmeras Paraisópolis São Paulo afora, Brasil afora, Índia afora, mundo afora, onde crianças idênticas, lindas, inocentes, com pouca percepção dos problemas e da beleza que as cerca, brincam nas ruas. Que as estrelinhas e o pó brilhante chovam sobre essas crianças, leite de uma vaca sagrada imaginária, talvez meu próprio leite. Talvez esse seja meu desejo, me transformar nessa vacona imaginária, e que meu leite, que um dia secou, volte a jorrar. Que o ato da minha filha de se libertar de mim, de voar para o mundo além do ninho, se transformando em filha da Terra e do Universo, me liberte também e me transforme em vaca universal. Que o Universo me permita ter todo esse leite – eu e tantas outras vacas imaginárias, e que nosso leite chova sobre as crianças de Paraisópolis.

 

Marilia

 

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