Oi Alex, não sei se eu consigo escrever hoje o que eu queria sobre o tema, que outro dia a Vevê Mambrini abordou. A elite simbólica (sim, a gente, gostemos ou não) tem preconceito linguístico, sempre. Ainda que muito corretamente procure reprimir o mesmo, aplicar uma boa dose de construtivismo em cima, invocar os deuses da relatividade e da incomensurabilidade cultural, o escambau. Mas tem. E sabe quando eu acredito que ela mais fortemente se expresse? Quando estamos frente à frente com os burocratinhas poderosos que tocam o terror nas nossas já complicadas vidas de intelectual mal-pago e infernizado. Aí vem um burocratinha, que desvia verba por tudo quanto é lado, que aterroriza um bando de coitados e pronto: é irresistível para nós apontar toda a mediocridade intelectual deles e a falta de domínio sobre a norma culta. Afinal, é tudo que nos sobrou, espoliados que somos de quase tudo por essa escória. Eu acho difícil equilibrar a coisa e, de um lado, valorizar quem me procura e é vitimado pelo péssimo ensino público que não dá a eles a chance de ter esse domínio linguístico, e, por outro, expressar todo meu desprezo pelos delinquentezinhos que sabotam tudo de bom que se tanta fazer na área cultural desse país… Difícil, né? Jeanne Callegari Elizabeth Balbachevsky

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Vevê Mambrini Não podia estar mais de acordo. Foi bom estudar um pouco de linguística para reduzir esse preconceito, porque a gente entende melhor as estruturas sociais que estão por trás dos usos diferentes da linguagem. É até meio ridículo usar nossa suposta superioridade intelectual como um trunfo… mas mostra bem esse jogo de poder simbólico onde a gente está preso sem salvação. boa análise, Marilia Coutinho

18 minutes ago · Like · 1

Marilia Coutinho

Tudo tem contexto… se na convivência numa comunidade (eufemismo para favela) a gente exerce todo nosso relativismo, em contato com o poder o preconceito se converte em não-preconceito, em arma, em estratégia de defesa e ataque. Respondi i…See More

16 minutes ago · Like · 1

Marilia Coutinho ‎Alex Castro

11 minutes ago · Like

Marilia Coutinho ‎(depois – segunda-feira – eu acho o meu post sobre a campanha contra o analfabetismo nos esportes de força, entre outros – é total preconceito linguístico, mas são frases que eu pesquei dessa gente! E confesso, curti profundamente ridicularizá-los – eu e todos que curtiram juntos. Quem apanha nunca esquece)

10 minutes ago · Like · 1

Vevê Mambrini ‎Marilia, no caso dos esportes de força eu acho que a divisão corpo e mente é gritante. Como se malhar cérebro e músculo (com perdão das expressões porcas) fosse excludente. E acho que as pessoas menos intelectualizadas desafazem de quem tem repertório intelectual como forma de invalidar a performance física. minha impressão de fora. É por aí?

about a minute ago · Like

 

 

MARILIACOUTINHO.COM – idéias sobre treinamento de força, powerlifting, levantamento de peso, strongman, esportes de força, gênero e educação física. Ideas on strength training, powerlifting, weightlifting, strongman, strength sports, gender and physical education.

A vida é pentavalente: arranco, arremesso, agachamento, supino e levantamento terra. Life is a five valence unit: the snatch, the clean and jerk, the squat, the bench press and the deadlift.

  • Marilia Coutinho

    Mais ou menos, Vevê. Em parte é. É comum ler (e ouvir) deles o seguinte: “tem gente que fala muito e faz pouco”. Ou então postar um vídeo de algum atleta executando um bom movimento com o comentário: “isso sim é atleta, faz no tablado e não fica falando”. Também acusam quem verbaliza, produz modelos e interpreta (eu e mais meia dúzia) de “enganadores”, como se ser “real” (me lembrei dos mascus) fosse apenas fazer, de boca fechada. Ora… eu faço, né! E faço pacas! E em situações arbitradas e públicas. O que me faz uma “enganadora”? O uso da palavra. Esse é o marco: eu passo a ser uma enganadora (Lilith, Eva), puta (é meu pré-nome para eles, vale “vaca” também), entre outros elogios. O uso da palavra é o grande problema, pois é um terreno onde eles não podem nem vencer e nem exercer o pior da violência deles, que requer clandestinidade. É isso, eu acho.