Equipamentos para treinamento possuem formas complexas que nem sempre são bem mapeadas pelos indivíduos que circulam pelo espaço. Ou seja: a área aparentemente livre no pé do equipamento pode não ser a área livre real se houver uma barra mais longa apoiada em algum suporte

 

Perdi a conta do número de vezes que vi pessoas dando testadas em mangas de barras em racks de agachamento. Também já vi várias topadas dolorosas em pinos de leg presses e, bem pior, pessoas que colocaram em risco a vida de alguém fazendo supino por não perceber que estava indo de encontro à manga da barra. Isso se deve à maneira como a pessoa calculou o volume ocupado pelo equipamento.

Observe os equipamentos abaixo e compare a área que ocupam para ser fixados ao chão e o volume total do equipamento em uso.

 

 

 

Principalmente entre iniciantes, é comum a pessoa “processar” o espaço ocupado, por exemplo, pelo banco do supino. No entanto, quando alguém está fazendo uso do mesmo, existe uma área lateral muito maior onde não pode haver circulação de ninguém para a segurança do praticante que está no banco.

Isto posto, o espaço entre equipamentos tem que levar em consideração a área potencialmente arriscada para choque com qualquer parte do corpo dos transeuntes para se calcular a distância entre eles.

 

É comum em salas de musculação que o espaço para circulação entre equipamentos seja insuficiente para uma pessoa transitar, exceto se um dos dois equipamentos não estiver em uso.

O espaço ocupado por um equipamento é todo o espaço do equipamento em uso, com seus acessórios. O espaço SEGURO para o equipamento é este espaço e, se houver peso livre (uma barra carregada, por exemplo), uma área que leve em consideração o desequilíbrio que o praticante pode sofrer com o equipamento e mais pelo menos um metro.

Anilhas são discos de metal com pesos variáveis e pegadas nem sempre fáceis. Como quaisquer objetos chatos, potencialmente esmagam volumes moles entre elas (dedos, por exemplo).

 

Em academias comuns, as anilhas maiores têm, em geral, 20kg. Na maioria dos casos não têm perfil olímpico (23cm), são arredondadas e não têm a aba lateral que facilita a pegada. Enquanto transportar uma anilha de 20kg é algo trivial para qualquer atleta, isso não é verdade para um praticante recreacional.

O risco de derrubar a anilha não é desprezível. O risco de, ao manipulá-la, esmagar um dedo, menos ainda.

 

Coisas pesadas em aceleração (kettlebells, por exemplo) descrevem trajetórias que criam uma área de volume invisível que é, TODA ELA, potencialmente lesiva para quem invadi-la

 

Veja o vídeo abaixo de um indivíduo executando um kettlebell swing. A área de risco é toda a área que o kettlebell percorre nas mãos do praticante. É muito difícil para alguém inexperiente, num golpe de vista, ter idéia do que representa essa área de risco.

 

(o vídeo acima é uma análise cinemática do KB swing executada por um dos maiores especialistas do mundo, Steve Cotter. O que me importa é que você perceba a área que  o equipamento percorre).

 

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A vida é pentavalente: arranco, arremesso, agachamento, supino e levantamento terra. Life is a five valence unit: the snatch, the clean and jerk, the squat, the bench press and the deadlift.