Hoje eu não treinei. Ontem, fiquei até as 5:30h da manhã reorganizando sites e comunicação digital, que são parte central do meu trabalho. Tinha chegado a um ponto em que o entulho de problemas que se complicava por falta de organização virou um obstáculo a tudo.

Muitas coisas atrapalham a boa rotina de treinamento. No entanto, seguramente a pior delas é a impossibilidade de se dedicar mentalmente ao treino de forma integral. Diferente de outros praticantes de atividade física, que se prejudicam, mas não sofrem nada desastroso, o atleta que não tiver paz de espírito para estar 100% presente no seu treino perdeu o dia, a semana, o mês ou até o ano.

Não é o meu caso, claro. No meu caos interno e obsessão, a prioridade do treino e do meu esporte é tão grande que a casa pode estar uma zona que eu subo serenamente para a powerhouse e cumpro minha programação. Confesso que tem um restinho de mala para desfazer na sala (depois de duas semanas de aterrissagem …).

Agora, no entanto, o caos profissional transbordou as fronteiras do aceitável, como uma leiteira que ferve e lambuza a tal ponto o fogão que nada mais se faz. Atrasei uma conta idiota, estou perdendo prazos, não providenciei o display para os meus livros na loja, e essa tsunami de emails e demandas urgentérrimas fica me perseguindo. Ontem me vi na segunda série de agachamento achando a barra pesada por não ter conscientemente assumido a postura correta. Powerlifting é exatamente como sexo:  ou se faz inteiramente presente, com arte e perfeição, ou é melhor  não fazer.  Era hora de tomar uma atitude.

Hoje eu não treinei. Acordei (depois de um curto sono) e continuei o que parei de madrugada: reorganizar minha comunicação digital. Montar agendas, cronogramas e programações.

Feito isso, e só agora, eu posso subir lá em cima, deixar os problemas nesta máquina de fazer loucos e cumprir aquilo para o que eu vim ao mundo: levantar peso. 

Eu gostei muito desse livro aqui, uns 20 anos atrás… hoje ficou o sentido do título!